Ilustrações da Verdade Bíblica (LIII)

H. A. Ironside

Por H. A. Ironside
 
Não há azeite na lâmpada
 
     “As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo” (Mat. 25:3).
 
 
 
     Nada é mais triste do que profissão, sem possessão; nada mais solene do que uma pessoa ter nome que vive, quando na verdade, está morta em delitos e pecados. Muitos são assim - não têm noção da sua verdadeira condição.
 
     O seguinte caso veio a meu conhecimento quando eu estava a pregar numa cidade do meio oeste Americano, há algum tempo atrás. Uma senhora relatou-mo. Ela própria tinha sido durante muitos anos uma religiosa professa, frequentando cultos com frequência, lendo a sua Bíblia com algum grau de regularidade, dizendo as suas orações e observando o que ela pensava serem seus deveres, como alguém que pertencia a uma igreja respeitável. Em resumo, ela estava a fazer tudo o que sabia, a fim de preparar a  sua alma para a eternidade. Mas, enquanto ela esperava estar tudo bem, ela nunca ficou muito seriamente preocupada por a sua consciência não ter ainda sido atingida e, assim, como ela disse depois, ela via a aproximação veloz do julgamento com alegria, confiada na sua própria bondade e obras meritórias imaginárias para a salvação.
 
     Certa noite ela estava sozinha no seu quarto, quando de repente a lâmpada que tinha acendido se apagou, deixando-a às escuras. Quase involuntariamente, exclamou: "Não há azeite na lâmpada!" As palavras foram proferidas baixinho até parecerem ecoar aos seus ouvidos, mas com um significado novo e solene. "Não há azeite na lâmpada! Eu já ouvi isso antes. Ah, sim, na parábola das dez virgens (Mt. 25:1-12). Cinco delas não tinham azeite nas suas lâmpadas quando o esposo chegou, e elas foram expulsas da festa." A sua mente ficou perturbada. Durante vários dias e noites, o pensamento não a largava. Ela costumava chamar-lhe de angústia de alma: "Não, não tenho azeite na minha lâmpada. O que será de mim? Não tenho a graça de Deus no meu coração!" 
 
     Um horror da grande escuridão abateu-se sobre ela. Ela desejava ser salva, mas não sabia como. Em grande angústia, começou a orar, e Deus abriu-lhe os olhos para ela se ver completamente perdida, numa condição de insuficiência aos Seus olhos, mostrando-lhe que ela não podia fazer nada para se salvar a si mesma. Ela procurou luz na Sua Palavra relativamente a como poderia obter o almejado "azeite", e finalmente foi levada a perceber que a obra que salva já tinha sido totalmente concluída há muito tempo, quando o Senhor Jesus carregou no madeiro, no Seu próprio corpo, os seus pecados (I Pedro 2:24); que tudo o que tinha de fazer para possuir a vida eterna era crer n’Ele (I João 5:13). Ela ficou alegre por ser salva de forma simples, e ainda de um modo que lhe trazia tanta satisfação. O pecado tinha sido todo julgado n’Outro, e ela ficou justificada de todas as coisas (Atos 13:38, 39). Numa fé simples, ela descansou em Cristo, e agora pode alegrar-se por ser Sua para o tempo e a eternidade. Antes ela tinha profissão, agora ela tinha Cristo; antes ela estava vestida de trapos de justiça própria, agora estava vestida da justiça de Deus (I Coríntios 1:30); antes ela tinha apenas uma lâmpada vazia, agora ela era possuidora do azeite do Espírito, que a tinha selado para o Céu (Ef 4:30).
 
- Continua
 

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