Ilustrações da Verdade Bíblica (XLIX)

Por H. A. Ironside
Não apenas necessário — mas também suficiente
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo” (I Tim. 2:5, 6).
Numa enfermaria de hospital uma senhora missionária encontrou um pequeno e enfezado rapaz Irlandês, cujo rosto pálido, definhado e enfraquecido despertou a sua mais profunda simpatia. Talvez ele tivesse cerca de quinze anos de idade, mas mal parecia ter 12. Ganhando a confiança do garoto, com presentes e flores e frutas, ela depressa o achou muito disposto e ansioso para escutar a história do Salvador do pecador. A princípio o seu interesse parecia de natureza impessoal, mas aos poucos ele começou a revelar interesse. A necessidade da sua própria alma foi-lhe apresentada, e ele foi despertado para uma certa consciência da sua condição de perdido, de modo que começou a considerar seriamente como poderia ser salvo. Educado na Igreja Romana, ele pensava e falava de penitência e confissão, dos sacramentos e da igreja, mas nunca deixando de fora totalmente Jesus Cristo e a Sua obra expiatória.
Na manhã seguinte, a senhora visitou-o de novo, e encontrou o seu rosto a brilhar com uma alegria recém-descoberta. Perguntando-lhe a razão, ele respondeu com a certeza nascida da fé na Palavra de Deus revelada: "Ó minha senhora, eu sempre soube que Jesus era necessário; mas nunca soube, até ontem, que Ele era suficiente!"
Foi uma descoberta bendita, e eu gostaria que cada leitor destas páginas a fizesse igualmente. Note bem: Jesus é suficiente! "O qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção". "E estais perfeitos n’Ele." "[Deus] nos fez agradáveis a Si no amado." Estas são apenas algumas das declarações preciosas das Escrituras. Claramente que mostram que Jesus é, de facto, não só necessário, como suficiente.
A maioria das pessoas crê que Jesus é NECESSÁRIO. Toda a estrutura da Cristandade está edificada nisso. Ah, mas, quão poucos têm consciência que Ele é suficiente!
Como se deve compreender, não é Cristo e as boas obras, nem Cristo e a Igreja, que salvam. Não é Cristo e o batismo, ou Cristo e o confessionário, que nos conseguem o perdão dos nossos pecados. Não é Cristo e fazer o nosso melhor, ou Cristo e a Ceia do Senhor, que nos darão uma nova vida. É Cristo apenas.
Cristo e - é um evangelho pervertido que não é Evangelho. Cristo sem o e é a esperança do pecador e a confiança do santo. Confiando n'Ele, a vida eterna e o perdão serão seus. Então, e só então, as boas obras e a obediência a tudo o que está escrito na Palavra para orientação dos Cristãos, se encaixam.
A alma salva é exortada a sustentar boas obras, e a manifestar assim o seu amor por Cristo. Mas, para a salvação em si, Jesus não é apenas necessário, como é suficiente.
- Continua



