Ilustrações da Verdade Bíblica (XXXIV)

Por H. A. Ironside
Uma seta em cheio
“Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).
Quando o bispo John Taylor Smith, ex-capelão Geral do Exército Britânico, esteve neste país (EUA) por ocasião das reuniões do Centenário de D. L. Moody, tive o privilégio de ouvi-lo uma hora ao meio-dia na Christ Church, em Indianapolis. O templo estava lotado de ouvintes ávidos, a quem o Bispo falou com a maior solenidade, ainda que com ternura, sobre a necessidade do novo nascimento, usando o texto citado acima. Como ilustração, ele relatou o seguinte incidente:
Ele contou que numa ocasião estava a pregar numa grande catedral sobre este mesmo texto. Indo diretamente ao assunto, ele disse: "Meus caríssimos irmãos, não substituam nada pelo novo nascimento. Podeis ser membros de uma igreja, mesmo da grande igreja da qual sou membro, a histórica Igreja de Inglaterra, mas ser membro de igreja não é novo nascimento, e ‘aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus’. O ministro anglicano estava sentado à minha esquerda. Apontando para ele, eu disse, ‘Podeis ser clérigos como o meu amigo aqui e não terdes nascido de novo’, e ‘aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus’. À minha esquerda estava ainda o arquidiácono na sua poltrona . Apontando diretamente para ele, eu disse, ‘Podeis até mesmo ser arquidiáconos como o meu amigo na sua poltrona e não terdes nascido de novo’ e ‘aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus’. Podeis até mesmo ser bispos, como eu próprio, e não terdes nascido de novo e ‘aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus’”.
Depois ele prosseguiu contando-nos que um ou dois dias depois, recebeu uma carta do arquidiácono, na qual escrevia: "Meu caro Bispo: apanhou-me. Tenho sido clérigo há mais de trinta anos, mas nunca conheci a alegria de que os Cristãos falam. Eu nunca poderia entendê-la. O meu serviço tem sido árduo, mas legalista. Eu não sabia o que estava a passar-se comigo, mas quando apontou diretamente para mim e disse, ‘Podeis até mesmo ser arquidiáconos como o meu amigo na sua poltrona e não terdes nascido de novo’, percebi num ápice qual era o problema. Eu nunca tinha experimentado o novo nascimento."
Ele continuou, dizendo que era infeliz e miserável, que não tinha conseguido dormir toda a noite, e que pediu para ter uma conversa, se o bispo poderia arranjar tempo para conversar com ele.
"Claro, que consegui arranjar tempo", disse o bispo Smith, "e no dia seguinte reunimo-nos com a Palavra de Deus. Após algumas horas ficámos ambos de joelhos, e o arquidiácono tomou o seu lugar diante de Deus como pobre pecador perdido, dizendo ao Senhor Jesus que iria confiar n’Ele como seu Salvador. Daquele momento em diante tudo foi diferente."
Eis um exemplo marcante da necessidade absoluta do nascimento de cima, e da triste possibilidade de alguém se enganar com uma falsa profissão e de se arrastar durante anos sem entender a sua verdadeira condição diante de Deus.
- Continua



