Por H. A. Ironside
Quando eu era pequeno, eu ouvi um pregador da Irlanda do Norte relatar a seguinte história, que ele declarou ser absolutamente autêntica. É um notável exemplo da falta de compreensão em alguns setores dos problemas espirituais predominantes, até mesmo nos nossos dias iluminados. Numa casa escocesa o filho mais novo, um rapaz no final da adolescência, chamado Robert, (geralmente chamado "Robbie" pela família) tornou-se preocupado com sua alma. Percebendo que era pecador perdido, procurou em vão por alguém que lhe pudesse tornar claro o caminho da paz com Deus. O seu pai, apesar de um homem religioso e de ser pessoa estimada no cargo que desempenhava na igreja local, não conseguia entender porque razão um rapaz criado como seu filho havia de se considerar perdido e precisar da salvação.
Na sua angústia o rapaz procurou o ministro, que depois de uma longa conversa com lhe disse que deveria pôr de lado esses pensamentos sombrios e tentar ocupar a sua mente com coisas mais claras. Como o jovem tinha inclinação para a música, o pastor sugeriu ao pai que comprasse um violino ao seu filho e lhe facultasse aulas de violino. Isso foi feito, mas apesar de Robbie ter tentado esquecer os seus "pensamentos sombrios" (como o ministro os classificou) e de se ter decidido a aprender resolutamente a tocar violino, acabou por desistir cheio de desespero. "Eu não consigo tocar violino", exclamou ele, "enquanto estiver perdido nos meus pecados, podendo morrer a qualquer momento e ir parar ao Inferno, pois não consigo encontrar a forma de ser salvo."
Um médico foi chamado, o qual, após examinar o rapaz, aconselhou que ele fosse enviado para um sanatório para casos mentais, pois ele tinha a certeza de que ele estava a perder o juízo, e se não fosse tratado adequadamente, poderia fazer algo em desespero de causa.
Assim, o pobre rapaz foi levado para um hospício. Durante semanas ele ficou restringido a um quarto estreito estando angustiado na sua alma. Ele exclamava repetidas vezes: "Oh, se eu soubesse como livrar-me dos meus pecados!"
Um dia, uma senhora que conhecia Cristo veio para aquela instituição, a fim de ajudar e confortar uma amiga dela que havia sofrido um colapso nervoso. Quando ela passou pelo quarto do pobre Robbie ouviu os seus soluços e interrogou-se se seria um caso de convicção do pecado em vez de insanidade mental. Ela teve oportunidade de falar com ele e, depois de ouvir sua história, ela indicou-lhe Cristo e deixou-lhe um Novo Testamento, marcando várias passagens, que ela pediu que ele lesse atentamente. Quando ele refletiu sobre aqueles versículos, que falavam da obra consumada de Cristo e do sangue que nos purifica de todo pecado, a luz do céu resplandeceu na sua alma sombria e logo ele se regozijou com a salvação de Deus.
A mudança do seu comportamento foi tão notável que o médico psiquiatra assistente decidiu que ele estava curado pelo tratamento recebido, e notificou o pai que Robbie poderia agora ser levado para casa em segurança. O seu irmão James ao chegar-se a ele ficou encantado de o ver tão calmo e sereno. Pouco foi dito até ele chegar a casa, quando, em resposta à pergunta de seu pai ansioso: "Agora estás bem, Robbie?", Ele exclamou: "Sim, pai, agora estou bem, pois os meus pecados foram removidos e a minha alma está salva!" O pai, chocado, gritou horrorizado, "Jamie, vai já ao ministro. Diz-lhe que Robbie teve uma recaída, e que venha depressa."
Quando o ministro chegou a casa, Robbie cumprimentou-o com alguma frieza, "Ministro, Ministro", exclamou ele, "porque me pôs a tentar tocar violino para os meus pecados serem removidos? Porque não disse que é o sangue de Jesus que purifica dos pecados? O que o tocar violino não pôde fazer, fez o Senhor Jesus por mim."
O embaraçado ministro percebeu logo que uma obra de Deus tinha ocorrido na alma do jovem. Embora ele não percebesse tudo, ele entendia o suficiente para saber que era o que a Bíblia chama de "novo nascimento" que acontecera a Robbie, e assim ele assegurou ao pai que ele não precisava de se preocupar com a saúde mental do seu filho. Com o passar do tempo, todos souberam que Robbie havia de facto passado da morte para a vida e muitos foram ganhos para Cristo através do seu testemunho.
Receamos que haja muitos nos nossos dias, como o pastor de Robbie, que sejam semelhantemente incapazes de ajudar uma alma atribulada. No entanto, todo aquele que professa ser ministro de Deus deve ser perito em lidar com homens e mulheres ansiosos, mostrando-lhes a única forma de vida e de paz através do Evangelho da Sua graça.