Ilustrações da Verdade Bíblica (XXVIII)

Há alguns anos atrás, eu tive em minha casa, em Oakland, Califórnia, uma pequena escola para índios, rapazes e raparigas jovens, oriundos de várias tribos do norte do Arizona. Um deles era um jovem Navajo de inteligência invulgarmente perspicaz. Uma noite de domingo, ele foi comigo à nossa reunião de jovens. Os jovens estavam a estudar a Epístola aos Gálatas, e o tema especial era a lei e a graça. Eles não estavam a ser muito claros quanto ao assunto, e um voltou-se para o índio dizendo: "Eu gostava de saber se o nosso amigo índio tem algo a dizer sobre isto."
Ele ergueu-se e disse: "Bem, meus amigos, tenho ouvido com muito cuidado, porque estou aqui para aprender tudo o que posso, para contar depois ao meu povo. Eu não estou a entender tudo o que vocês estão a dizer, e eu acho que vocês também não. Mas a respeito desta questão da lei e da graça, vejamos se consigo tornar isto claro. Eu penso que é assim. Quando o Sr. Ironside me trouxe da minha casa nós fizemos a viagem ferroviária mais longa que alguma vez fiz. Saímos em Barstow, e vi ali a estação ferroviária e hotel mais bonitos que alguma vez vi. Eu andei pelas redondezas e vi no fim de uma rua uma placa que dizia, 'Não cuspa aqui.’ Eu olhei para aquele sinal e depois olhei para o chão e vi que havia ali muitas cuspidelas, e antes de pensar o que estava a fazer também cuspi. Não é estranho quando o sinal diz: 'Não cuspir aqui’?”
"Eu vim a Oakland e fui a casa da senhora que me convidou para jantar hoje. Estive na casa mais bonita em que alguma vez já estive. A mobília era bonita e os tapetes tão lindos que odiei pisá-los. Eu afundei-me ao assentar-me numa cadeira confortável, e a senhora disse: 'Agora, João, fica aí sentado enquanto vou ver se a empregada tem o jantar pronto. "Eu olhei em volta para os belos quadros, para o piano de cauda, e percorri todas as salas ao redor. Eu procurava por um sinal, o sinal que procurava era: 'Não cuspa aqui', porém olhei à volta de todas aquelas salas bem desenhadas, e não consegui encontrar nenhum sinal desses. Eu pensei, 'Que pena, sendo esta casa tão bonita, haver pessoas a cuspirem por toda ela – que péssimo não terem colocado um sinal!’ Depois percorri com o olhar toda a carpete, e não consegui encontrar nela nenhuma cuspidela. Que coisa esquisita! Junto à placa que dizia: 'Não cuspi’, havia muitas cuspidelas. Onde não havia qualquer sinal, como naquela bonita casa, ninguém tinha cuspido. Agora percebo! A lei é como o sinal, e a graça como interior da casa. As pessoas amavam a sua bela casa, e queriam mantê-la limpa. Não precisavam de um sinal para lhes dizer isso. Eu penso que isto explica questão da lei e da graça."
Quando me sentei, um murmúrio de aprovação percorreu toda a sala, tendo o líder exclamado: "Acho que esta foi a melhor ilustração da lei e da graça que alguma vez ouvi".



