Ilustrações da Verdade Bíblica (XXVI)

H. A. Ironside

Por H. A. Ironside
 
Remendar para a glória de Deus
 
     "… fazei tudo em nome do Senhor Jesus ..." (Col. 3:17).
 
     Quando eu era miúdo, sentia que era meu dever e privilégio ajudar a minha mãe, viúva, a ganhar para as despesas, arranjando emprego durante o tempo de férias, aos sábados e noutras ocasiões, quando eu não tinha que estar na escola. Durante um bom tempo trabalhei para um sapateiro escocês, "sapateiro-remendão", como ele preferia ser chamado, um homem de Orkney, chamado Dan Mackay. Ele era um Cristão sincero e a sua pequena oficina era um verdadeiro testemunho de Cristo no bairro. As paredes estavam literalmente cobertas de imagens e textos bíblicos, geralmente tirados do antigo Scripture Sheet Almanacs (Almanaque Bíblico), de modo que olhasse para onde olhasse, ele reparava que a Palavra de Deus o fitava na face. Estavam ali João 3:16, João 5:24, Romanos 10:9, e muitos mais textos bíblicos.
 
     No pequeno balcão à frente do banco em que o proprietário da loja se sentava, estava uma Bíblia, geralmente aberta, e uma pilha de folhetos evangelísticos. Nenhum pacote saia daquela oficina sem ser acompanhado de uma mensagem impressa acondicionada no interior. E sempre que surgia uma oportunidade, os clientes eram abordados com gentileza e tato sobre a importância de se nascer de novo e sobre a bem-aventurança de se saber que a alma é salva pela fé em Cristo. Muitos voltavam para pedir mais literatura ou para saber mais particularmente sobre a forma como poderiam encontrar a paz com Deus. E os benditos resultados foi ver homens e mulheres serem salvos, muitas vezes mesmo ali na sapataria.
 
     A minha principal responsabilidade era martelar o couro das solas dos sapatos. Um pedaço de couro era cortado adequadamente e depois embebido em água. Eu tinha um pedaço de ferro sobre os meus joelhos e, com um martelo de cabeça chata, eu batia nessas solas até elas ficarem duras e secas. Parecia uma operação sem fim para mim, e eu cansava-me dela muitas vezes.
 
     O que tornava pior a minha tarefa era o facto de, a um quarteirão de distância, haver uma outra loja por onde eu passava, ou indo ou vindo de minha casa, e estar nela sentado um alegre sapateiro ímpio que reunia os garotos do bairro à sua volta e os regalava com contos obscenos que o tornavam temido pelos pais respeitáveis e uma ameaça para a comunidade. No entanto, de alguma forma, ele parecia prosperar e talvez numa extensão maior do que o meu empregador, Mackay. Quando olhava através da janela dele, notei muitas vezes que ele nunca batia as solas, mas tirava-as da água, pregava os pregos nelas, húmidas como estavam, e sacudia a água delas enquanto pregava cada prego nas mesmas. Um dia aventurei-me a entrar, algo que eu tinha sido avisado para nunca fazer. Timidamente, eu disse: "Vejo que coloca as solas enquanto ainda estão molhadas. Ficarão tão bem como se fossem batidas?" Ele olhou-me maliciosamente quando me respondeu: "Deste modo vão mais depressa ao sítio, meu rapaz!"
 
     Sentindo que tinha aprendido alguma coisa, relatei o exemplo ao meu chefe e sugeri-lhe que eu talvez estivesse a perder tempo na secagem do couro com tanto cuidado. Mackay parou o seu trabalho e abriu a Bíblia para a passagem que diz: "... fazei tudo para glória de Deus".
 
     "Harry", disse ele, "eu não remendo sapatos só para os quatro ou seis patacos que recebo dos meus clientes. Eu estou a fazer isto para a glória de Deus. Espero ver todos os sapatos que consertei numa grande pilha, no tribunal de Cristo, e eu não quero que o Senhor me diga naquele dia: 'Dan, fizeste um mau trabalho. Tu não deste aqui o teu melhor." Eu quero que Ele possa dizer: “Bem está, servo bom e fiel".
 
     Depois continuou, explicando que, assim como alguns homens são chamados a pregar, ele foi chamado para consertar sapatos, e que só fazendo-o bem o seu testemunho contaria para Deus. Foi uma lição que nunca mais esqueci. Muitas vezes, quando sou tentado a descuidar-me, e a desleixar-me, tenho pensado no amado e devoto Dan Mackay, e isso tem-me estimulado a procurar fazer tudo como para Aquele que morreu para me redimir.
 
- Continua
 

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