Ilustrações da Verdade Bíblica (VIII)

Por H. A. Ironside
A oferta do proprietário Irlandês
"… Já vo-lo tenho dito, e não o credes …" (João 10:25).
A má vontade do coração humano em confiar na promessa da graça revelada em Cristo Jesus está bem ilustrada na história de um excêntrico proprietário irlandês em cujas propriedades enormes habitava grande número de moradores muito carentes. Ao converter-se, este homem rico ficou ávido por deixar claro às pessoas a maravilhosa provisão que Deus havia feito para a sua salvação.
Assim ele fez com que fosse publicado em lugares de destaque dos seus vastos domínios, avisos de que num determinado dia, ele estaria no seu escritório entre as dez horas da manhã e o meio-dia. Durante esse tempo, ele estaria preparado para saldar as dívidas de todos os seus arrendatários que trouxessem consigo as suas contas por pagar.
Durante dias os avisos foram causa de muita agitação. As pessoas falavam da estranha oferta e alguns classificaram-na de farsa. Alguns estavam certos de que haveria “uma armadilha algures”. Outros pensavam mesmo que o proprietário tinha perdido o juízo, pois "Quem é que alguma vez ouviu um homem sensato fazer tal oferta?"
Quando o anunciado dia chegou, muitas das pessoas podiam ser vistas a dirigirem-se para o escritório, e quando o tempo se aproximava uma grande multidão estava reunida em frente à porta. Exatamente às 10h o proprietário e o seu secretário apareceram de carro. Ele saiu do carro sem dirigir uma única palavra a quem quer que fosse, entrou no escritório e fechou a porta. No exterior começou uma grande discussão que se tornava mais veemente a cada minuto que passava. Haveria substância naquilo? Ele realmente teria querido dizer o que disse? Estaria ele apenas a fazer de estúpido quem trouxesse a evidência do seu endividamento? Alguns insistiam que era a sua assinatura que constava no fundo dos cartazes, e que certamente ele não desonraria o seu Nome. Porém uma hora tinha passado e ninguém tinha entrado para apresentar os seus títulos. Se alguém sugerisse a outrem aventurar-se, receberia a irritada resposta: "Eu não devo assim tanto. Não tenho necessidade de entrar. Que outro entre primeiro e tente - alguém que deva mais do que eu!" E assim se desvaneciam os preciosos momentos.
Finalmente, quando se aproximava o meio-dia, um casal de idosos oriundo dos limites extremos das propriedades surgiu mancando, de braço dado; o velhote trazia um monte de papeis agarrados firmemente numa mão. Com voz trêmula ele perguntou: "É verdade, vizinhos, que o senhorio está a saldar o pagamento das dívidas de todos os que vêm aqui hoje?"
"Ele ainda não pagou nenhuma", disse um deles.
"Nós pensamos que se trata simplesmente de uma piada de mau gosto, cruel", disse outro.
Os olhos do velho casal encheram-se de lágrimas.
"É tudo um mal entendido? Nós esperávamos que fosse verdade e pensámos quão bom seria poder morrer livres de dívidas."
Eles estavam prestes a voltar desconsolados, quando alguém disse, "Ainda ninguém experimentou. Porque não entram? Se ele saldar as vossas contas, saiam e digam-nos rapidamente e nós também entraremos."
Perante isto o velho casal concordou e timidamente abriu a porta e entrou no escritório, onde um cordial Benvindo os aguardava. Em resposta à pergunta deles sobre se os cartazes eram verdadeiros, o secretário disse:
"Acham que o senhorio os enganaria? Deixem-me ver as vossas contas."
Elas foram todas apresentadas, cuidadosamente tabeladas, e foi-lhes passado um cheque para as saldar. Cheios de gratidão, o idoso e a sua mulher levantaram-se para sair, todavia o secretário disse:
"Deixem-se estar sentados. Têm de permanecer aqui até o escritório fechar ao meio-dia."
Eles explicaram que a multidão estava à espera no exterior para saber deles que estranha oferta era aquela.
Porém o senhorio disse: "Não, vocês confiaram na minha palavra. Eles têm de fazer o mesmo se quiserem as suas dívidas saldadas".
E assim passaram os minutos. No exterior, as pessoas agitavam-se inquietas, observando a porta fechada, sem que alguém a abrisse. Ao meio-dia, a porta abriu-se e o velho casal saiu primeiro.
"Ele cumpriu a palavra?" perguntou a multidão.
"Sim, vizinhos. Eis aqui o cheque que vale como ouro."
"Porque é que vocês não saíram e nos disseram?", perguntaram muitos indignados.
"Ele disse que tínhamos de esperar lá dentro e que vocês tinham de entrar como nós, crendo na sua palavra."
Uns instantes depois, o proprietário e o seu secretário saíram e precipitaram-se para o carro - a multidão envolveu-os, trazendo as mãos cheias de dívidas pessoais, e gritando: "Não vai fazer connosco, o que fez com o casal de idosos?"
Mas erguendo-se no seu carro, o senhorio disse: "Agora é demasiado tarde. Eu dei-vos todas as oportunidades. Eu teria pago tudo por vós, mas vós não crestes em mim."
A seguir ele comparou os eventos da manhã à forma como os homens tratam a oferta de Deus para libertar o pecador da justiça divina contra si. Ele avisou-os solenemente da loucura de deixarem escapar tão grande salvação permitindo que o dia da graça acabe, sendo depois tarde demais para serem salvos.
- Continua



