A Glória da Graça! (1)
Se acha que é difícil viver a vida Cristã não está sozinho. Muitos Cristãos vivem uma vida de segunda classe com sentimentos de insegurança, insatisfação, ansiedade e impotência. Para eles, a alegria e a vitória que o Evangelho da graça promete parece pouco mais que uma ilusão teórica, um fantasma fugaz face às deceções que os prende na armadilha de uma síndrome de stress, autopiedade e depressão. Infelizmente em falta estão a confiança, a segurança e a consistência que advêm da vida de liberdade que a fé em Jesus Cristo traz a todo o crente.
A graça é a resposta. O legalismo é o inimigo. A vitória na vida Cristã é obtida da mesma forma que a salvação: por nos apropriarmos, recebermos, crermos - não pelas obras.
Rom. 6:11-13 é uma passagem chave que todo o crente precisa de dominar:
“Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.
“Não reine portanto o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências;
“Nem tão pouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.
Este é o processo: Considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus. Como é isto possível? Precisamente antes da passagem acima, Paulo explicou:
"Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte?" (Rom. 6:3).
No momento em que nós confiamos no Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador, nós morremos com Ele. O nosso batismo na morte de Cristo liberta-nos do pecado: "Porque aquele que está morto está justificado do pecado" (v. 7). Contudo a graça não pára por aí; é maravilhoso que nós podemos morrer e no entanto ainda
"De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida" (Rm 6:4).
É só depois que morremos com Cristo, que somos capazes de realmente começar a viver de novo, com Ele. Assim, Paulo prossegue, afirmando:
" Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues.
“E libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna" (Romanos 6:17,18,22).
Tudo isto é sucintamente resumido num versículo que todo o crente sincero deve saber de cor:
"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gálatas 2:20).
Como posso estar vivo e morto ao mesmo tempo? A explicação é clara: não sou eu mais que vivo, mas é Cristo que vive em mim e é a Sua vida - o Seu poder, energia e sabedoria - que deve ser exibida na minha ação e atitudes. A verdade maravilhosa é que Jesus Cristo deu a Sua vida por mim no Calvário, de modo a que Ele pudesse dar-me a Sua vida quando eu confiei n’Ele, com o fim de Ele poder viver a Sua vida através de mim dia a dia.
Esta é a glória da graça: não simplesmente que ela nos salva da condenação eterna "no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte" (Ap 21:8). Há mais, "muito mais". A glória da graça de Deus para connosco em Cristo é que agora a Sua vida está disponível para nós.
Falando sobre os santos, Colossenses 1:27 diz:
"Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória".
As "riquezas da glória deste mistério" são definidas como "Cristo em vós, a esperança da glória." Esta riqueza é o que Deus quer que os Seus santos apreciem e se regozijem. Se tudo o que entende sobre a graça é que nós não somos Israel e Israel não é a Igreja, está a perder a verdadeira riqueza, pois as "riquezas da sua graça" são encontrados em Deus salvar pecadores ímpios e, depois vir e viver a Sua vida neles.
Sermos libertados do pecado e termos a vida que trouxe o universo à existência a viver em nós é, de facto, "as riquezas da glória deste mistério"!
- Richard Jordan
(Continua)



