O que pensa do livro “A Cabana”, de William Young?

Carlos Oliveira

     "The Shack" (A Cabana), muito popular, ocupou o primeiro lugar na lista dos livros mais vendidos na lista do jornal New York Times. Trata-se de uma narrativa de ficção publicada em 2007, que durante nove meses foi o número sete em preferência na Amazon e o número seis no Barnes & Noble. Em 2009 recebeu o Prémio de Diamante por ter vendido dez milhões de cópias. O livro está traduzido em 30 línguas e um filme tem estado a ser produzido. 

     O autor do livro, William Paul Young, não é membro de nenhuma igreja e até evita ser chamado de Cristão. O livro tem sido apresentado como livro Cristão, mas as suas doutrinas sobre Deus são grosseiramente heréticas.

     Muitos crentes professos têm comprado múltiplas cópias para distribuir entre os seus amigos e familiares ou recomendado a sua aquisição pensando estar a fazer com isso uma grande coisa, inconscientes do veneno que oferecem. A Cabana parece ser uma história verídica, mas trata-se de uma ficção alegórica. O livro apresenta ideias e ensinos espirituais que são contrários ao Cristianismo bíblico — tudo em nome de "Deus", "Jesus" e "Espírito Santo". Nós sabemos bem que se a mentira vier embrulhada com alguma verdade, como o diabo a gosta de apresentar, aquela é mais facilmente aceite.

     Harry Ironside, que foi pastor da Igreja Memorial Moody, em Chicago, entre 1930 e 1948, enfatiza o facto de a verdade misturada com o erro resultar em "erro total". Ironside escreveu:

     "O erro é como o fermento, a respeito do qual lemos: 'Um pouco de fermento leveda toda a massa.' A verdade misturada com o erro é equivalente ao erro total, exceto que tem uma aparência de inocência e, portanto, é mais perigosa. Deus detesta essa mistura! Qualquer erro, ou qualquer mistura da verdade com o erro, requer denúncia e rejeição. Apoiar o erro é ser infiel a Deus e à Sua Palavra e uma traição às almas que correm perigo, por quem Cristo morreu."

     Young descreve o Deus Trino – custa-nos ecoar, mas temos que denunciar - como uma jovem mulher asiática chamada "Sarayu" (supostamente o Espírito Santo); um carpinteiro oriental que ama a boa vida (supostamente Jesus) e uma mulher negra e idosa chamada "Elousia" (supostamente Deus Pai). Este Deus Pai é descrito como tendo uma cauda de pónei ou um ursinho. (O nome Sarayu provém das escrituras do hinduísmo representando um mítico rio da Índia, em cuja margem teria nascido o deus Rama).

     O "Jesus" de A Cabana não é o Jesus Cristo da Bíblia. O apóstolo Paulo repreendeu os Coríntios e advertiu-os por eles estarem vulneráveis e extremamente suscetíveis a "outro Jesus", a "outro evangelho" e a "outro espírito", que não eram da parte de Deus (veja 2 Coríntios 11:4).

     O Deus de Young é frio; gosta de rock, não julga pessoa alguma; não se ira contra o pecado, nem envia os incrédulos para o fogo eterno do inferno; não exige arrependimento, nem o novo nascimento; não impõe obrigação alguma sobre as pessoas; não gosta de igrejas bíblicas tradicionais, nem aceita a Bíblia como a infalível Palavra de Deus e nem mesmo se incomoda que os primeiros capítulos de Génesis sejam vistos como um "mito".

     O deus de "A Cabana"  tem um forte parentesco com o deus da Nova Era promovido por John Lennon e Oprah Winfrey. A popularíssima canção "Imagine" de John Lennon (1971) diz:

     “Imagine que não existe céu sobre nós, nem inferno sob nós, mas sobre nós apenas o firmamento ... Também religião nenhuma./ Podes dizer que sou um sonhador, mas não sou o único".

A Cabana     William Young pensa do mesmo modo em "A Cabana": "Se existe um Deus, Ele não é juiz. Não existe inferno. Deus só deseja que as pessoas ajam conforme desejam e sejam felizes".

     Oprah Winfrey prega o mesmo falso evangelho a milhões de pessoas: "O homem não é um pecador; Deus não é juiz; tudo vai bem no universo; preciso apenas me render ao fluxo". A sua mensagem é a celebração do EGO. Ela cresceu numa igreja batista tradicional, mas reinterpretou a Bíblia no que esta se refere às restrições. Ela diz: "Quando estudei o Movimento Nova Era, todo ele diz exatamente o que a Bíblia tem dito por tantos anos. Porém, muitos de nós fomos educados numa compreensão restrita, limitada, do que a Bíblia diz" (O Evangelho Segundo Oprah Winey, Vintage Point, julho 1998).

     Young nasceu em Alberta, em 1955, mas passou os primeiros dez anos de sua vida na Papua, Nova Guiné, com os seus pais missionários, os quais estavam ministrando ao remanescente do grupo tribal chamado Dani. Como Oprah também Young cresceu numa igreja tradicional.

     A Cabana é hostil ao Cristianismo, apesar de quererem fazê-lo passar por Cristão. Nega a autoridade da Bíblia. Coloca a experiência acima da revelação. Tem uma visão antibíblica da natureza – efemina Deus - e trindade de Deus. Nega a punição do pecado. Diz que Jesus é o melhor caminho e não o único caminho. Promove uma antiga heresia denominada patripassionismo, que é o sofrimento do Pai na cruz falando de supostas cicatrizes que Ele tem à semelhança do Filho. Promove a heresia do universalismo, isto é, que todas as pessoas serão salvas, não importando a sua religião ou sistema de crença.

     Lamentamos a ausência de nobreza Bereana entre os que têm embarcado nas mentiras e heresias deste livro. A popularidade deste livro entre alguns crentes professos só pode ser explicada pela sua falta de conhecimento bíblico básico – um fracasso total até no seu entendimento do que é o verdadeiro Evangelho de Cristo. A tragédia da sua perda de capacidade de discernimento bíblico tem origem na sua desastrosa e lamentável perda de conhecimento da Bíblia. O discernimento não pode sobreviver sem doutrina. Ora, quando a doutrina é negligenciada e desprezada como tem estado a ser negligenciada e desprezada na atualidade, o resultado não pode ser outro.

     Há um dado curioso relativamente a este livro. Porque é que A Cabana é muito bem aceite entre os descrentes? Este evangelho diluído é muito popular entre os descrentes em geral, porque os leva a sentirem-se à vontade com os seus pecados de estimação. Como o Cristo de A Cabana não é o Cristo crucificado que Paulo e nós pregamos (1 Cor. 1:23), o livro está esvaziado da ofensa da cruz (Gál. 5:11), que é inerente ao verdadeiro Evangelho. Isto explica aquela reação.

     Paulo não tornava a sua mensagem suave e macia, a fim de satisfazer as fantasias da maioria religiosa. O seu Evangelho exaltava apenas Cristo, e despojava totalmente o homem de toda a sua auto-suficiência, destruindo-lhe a sua auto-justiça, derrubando-lhe a sua falsa religião, e deixando-o despido diante de Deus em total dependência apenas da Sua graça para ser salvo.

     É claro que este Evangelho ofende, e Paulo sofreu perseguição por onde passava por causa dele. No entanto, ele não se atreveu a diluir a verdade do Evangelho. Ele não comprometeu a sua mensagem, a fim de torná-la mais aceitável às pessoas. Ele não a perverteu para torná-la atraente. Ele proclamou-a em todo o seu esplendor, e pronunciou um estrondoso “Anátema” a quem se atrever a alterar a mensagem e a pregar outro evangelho (Gálatas 1:6-9).

     Não recomendamos que o(a) leitor(a) entre nesta Cabana.

 
- C.M.O.

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