O espírito de queixume

O espírito de queixume é velho e relho – vem desde o primeiro homem, Adão, que se queixou da mulher que Deus lhe dera (Gén. 3:12). É claro que ele não tinha razão. Os queixosos nunca têm razão. Desde aí até hoje a história tem-se vindo a repetir incorrigivelmente em todas as gerações sequentes, não aprendendo os queixosos que o queixume é errado, reprovado, não lhes trazendo proveito algum, a não ser prejuízo.
Os Israelitas queixaram-se inúmeras vezes, sempre sem razão, e isso “era mal aos ouvidos do Senhor” (Núm. 11:1). A lamúria é sempre má aos ouvidos do Senhor.
Que bom seria que os tentados ao queixume, pensassem como Jó: “Eu me esquecerei da minha queixa, mudarei o meu rosto, e tomarei alento”. Ah, sim, o desânimo apodera-se do queixoso, e o que ele precisa, mesmo, é de “alento” (Jó 9:27). Ele experimentou a angústia e amargura do queixume (21:4; 23:2), como o Salmista experimentou a perturbação e desfalecimento desse espírito (Sal. 77:3), tendo percebido claramente que a solução seria derramar a Sua queixa perante a face do Senhor; expor-Lhe a sua angústia (Sal. 142:2).
Perante o quadro, a conclusão de Jeremias é a acertada: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” (Lam. Jer. 3:39).
O Apóstolo Paulo mostra bem que o queixume não tem razão de existir e Tiago é muito incisivo e cáustico na reprovação do mesmo (Col. 3:13; Tia. 5:9).
Mas não há inúmeras situações que dá vontade de reclamar? O dia nublado, o trânsito parado, a comida fria, o barulho em certos lugares, as ações do governo ..., também do governo da igreja. As “razões” são intermináveis – fora e dentro da Igreja.
O crente deve ser positivo e não negativo. Quem se tem deixado dominar por este pecado deve deixar de reclamar e começar a dar passos para se modificar.
É importante que os que reclamam se apercebam, pois nem se dão conta, que o queixume é um estado de espírito de inferioridade, de fraqueza, de fracasso, e é claro que ninguém quer ser assim, mesmo os lamuriosos, por incrível que pareça.
Como Adão, o que se queixa coloca-se sempre em lugar de vítima. Tenta fazer passar sempre a imagem de ser o coitadinho. Nas situações de que se queixa a culpa é sempre dos outros – nunca dele. Essa atitude impede-o de enfrentar os problemas e de os resolver. O queixume é um refúgio cómodo que o livra da necessidade de reagir, de se esforçar, de atuar, fazendo melhor, resolver. O queixoso tem de aprender a controlar-se, pois o queixume, além do mais, não resolve nada, e até piora as situações. É por demais sabido que quem está num engarrafamento de trânsito, por exemplo, se reclamar não altera nada, e até pode complicar a situação envolvendo-se numa briga ou num acidente, para além de ganhar uma irritação e má disposição.
Uns breves conselhos:
Procure estar junto dos que não são queixosos, pois os que se queixam só estimulam ainda mais o queixume.
Procure ser agradecido pelas contrariedades. Nós não somos ensinados a dar graças em tudo (1 Tes. 5:18), e tudo não inclui aquilo de que somos tentados a nos queixarmos?
Ofereça ajuda para a resolução do problema que o importuna tanto, pois essa será a melhor forma de eliminar o que o incomoda.
- C.M.O.



