Humanismo - armadilha e veneno

O culto ao homem surge subrepticiamente até onde menos de poderia esperar. Muito cuidado, pois!

 

Humanismo não deve ser confundido com Humanitarismo. Começa logo aqui, na incompreensão do termo, o perigo de este perigoso erro poder enganar e passar incólume, como se algo de inócuo se tratasse.

(Humanitário + ismo = humanitarismo) quer dizer fazer bem ao ser humano, às pessoas. O amor à humanidade é correto, é bíblico, é divino, havendo para esta palavra a sua bem conhecida sinónima Filantropia (amor à humanidade). “Porque Deus amou o mundo de tal maneira …” (João 3:16). Deus é o maior Filantropo, ou maior Humanitarista.

Porém, o Humanismo, é uma filosofia  que coloca, numa escala de importância, os humanos como o centro do mundo, os mais importantes que tudo, deuses, e isto nada tem a ver com Humanitarismo. O Humanismo destaca-se por contraposição ao apelo ao sobrenatural ou a uma autoridade superior.  Trata-se de uma doutrina antropocêntrica (o homem como centro de tudo) em que o homem é a medida de todas as coisas. Esta corrente opõe-se ao Teocentrismo, à doutrina bíblica que diz que Deus é  o centro da vida, de tudo.

O Humanismo define o Homem como valor supremo e central da existência, exaltando o género humano.

O humanismo, note-se bem, é o "culto" ao ser humano.

O Humanismo representa, pois, uma nova visão do homem em relação a Deus e a si mesmo.  Nesse sentido significa a valorização suprema do ser humano. Com o seu surgimento pretendeu-se fazer desmoronar o Teocentrismo (Deus como centro de tudo), dando lugar ao Antropocentrismo (o homem como centro do Universo).

O Humanismo nega e combate as doutrinas bíblicas, facultando uma interpretação racional e antropocêntrica do mundo. Foi assim que na sociedade moderna em geral o Teocentrismo (Deus como centro de tudo) cedeu o seu lugar ao Antropocentrismo, passando o homem a ser o centro de interesse e de tudo.

Num sentido amplo, o Humanismo significa valorizar o ser humano e a condição humana acima de tudo, incluindo Deus.

Em 1933, e uma vez mais em 1973, quarenta anos depois, os humanistas estabeleceram seu credo no Manifesto Humanista I e no Manifesto Humanista II, respetivamente. O humanismo não é um sistema de pensamento que enfatiza a importância da humanidade. É uma maneira subtil, atraente, sofisticada, diabólica de soletrar "ateísmo". O Manifesto Humanista II deixa bem claro:

"Como não-teístas, começamos com os humanos, não com Deus, com a natureza, não com a divindade ... [...] os humanos são responsáveis por quem somos ou pelo que seremos. Nenhuma divindade nos salvará; temos que nos salvar a nós mesmos" (1973, p.16).

Note-se nesta declaração a divinização não só do homem, mas da natureza, algo a que vamos assistindo cada vez mais no mundo em que vivemos atualmente.

Entre as principais características do Humanismo destaca-se, a valorização suprema do ser humano, a ênfase no Antropocentrismo, ou seja, o homem como centro do universo, ensinando que o ser humano possui no seu interior potencial de autorrealização.

É nossa responsabilidade combater o erro, não usando as armas do mundo, mas com estas armas que Deus nos dá, “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus …” (2 Coríntios 10:4, 5). O Humanismo é “altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus”.

 

O Humanismo é uma nova religião ou uma filosofia antiga?

A ideia do homem em alcançar a divindade é um pensamento satânico que vem desde o início, no jardim do Éden: “sereis como Deus” (Génesis 3:5).

Desde então, vêmo-lo disseminado até em diversos escritos antigos. Na cultura Grega vemos o caso de Prometeu, que desejando dar aos homens a imortalidade dos deuses, roubou o fogo sagrado e o deu aos homens.

No texto bíblico, lemos da história da construção de uma cidade chamada Babel, onde os homens se uniram com um claro propósito. Veja o que eles disseram: “Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra” (Génesis 11:4).

O Humanismo atual pode ser chamado de mais uma tentativa do propósito apresentado em Babel, onde o homem deseja ser o ator do seu próprio destino, ignorando o Criador. Porém, o que vemos hoje é a mesma confusão ocorrida em Babel. Os homens não se entendem! Não apenas falam idiomas diferentes, mas a linguagem da alma tornou-se diferente. Enquanto a alma do humanista olha para homem a partir de si mesmo, a alma do crente olha para o homem a partir de Deus e da Sua Palavra.

 

Porque é que o Humanismo, ao colocar o homem como o centro do universo, não encontrou a solução para os problemas do coração humano?

Simples! Porque há dois erros básicos que o Humanismo comete.

O primeiro erro é acreditar que o homem é altruísta e bom por natureza. Pelo contrário, na realidade, temos um coração mau. "Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e perverso: quem o conhecerá?" (Jer. 17: 9). Esta declaração é muito verdadeira, como a história da existência humana comprova, cheia de males e horrores.

O segundo erro dos humanistas é não crerem na Palavra de Deus, que é viva e eficaz (Hebreus 4:12). Ela não apenas nos retrata de modo completo e fiel a condição humana miserável e depravada, como nos oferece a única solução definitiva para a infelicidade de nosso mal através do Evangelho.

E também aqui há que continuar a ter muito cuidado, pois existe um falso evangelho que é humanista, pois coloca o ser humano no centro da mensagem e Deus ao seu serviço. O Evangelho não nos coloca acima de Deus para Lhe darmos ordens. Nos cultos de muitas igrejas professas nos nossos dias, é a isto que, infelizmente, se assiste! 90% do chamado movimento gospel é antropocêntrico, visando agradar o homem. O homem é o centro. Os cânticos é sobre “eu”, “me”, “mim”, “a mim”, “para mim”. As mensagens são antropocêntricas – “10 passos para a felicidade”, “10 passos para a prosperidade”, “10 passos para a saúde”, etc., etc., etc.. Os cultos viraram cultos à personalidade, ao homem, quando aprendemos nas Escrituras que o culto é Teocêntrico, Cristocêntrico, visando focar e adorar exclusivamente o Senhor.

“A verdade do Evangelho” (Gál. 2:5,14; Col. 1:5) é o único paradigma não humanista existente. Todos os outros sistemas e valores de crenças visam a exaltação do indivíduo, apresentando-o bom, tendo méritos, e capaz de construir o seu próprio presente e futuro.

“A verdade do Evangelho” coloca o único Deus verdadeiro no centro da mensagem. Foi Ele que criou tudo, não nós. Ele criou-nos para O adorarmos, não para fazermos o que queremos. Ele exige obediência à Sua verdade como uma expressão do nosso amor e confiança n’Ele, porque Ele sabe que nós tendemos a fazer as coisas a nosso modo e isso afasta-nos d’Ele para a morte. Foi de Deus a iniciativa de enviar Jesus Cristo para tornar possível que voltemos para Si a fim de vivermos como Ele planeou desde o início. Ele fê-lo apesar de não sermos dignos de tal. Ele amou-nos antes de nós O amarmos. Ele promete libertar-nos do pecado, da dor e da morte, além de estar sempre connosco. É Ele que nos salva, não nós a nós mesmos.

O Manifesto Humanista II é muito específico em vários pontos importantes. Por exemplo, considere o comentário humanista sobre religião:

“No entanto, acreditamos que as religiões tradicionais, dogmáticas ou autoritárias que colocam a revelação, Deus, ritual ou credo nas necessidades e experiências humanas causam danos à espécie humana. Qualquer relatório da natureza deve passar nos exames da evidência científica; em nosso cálculo, nos dogmas e mitos da religião tradicional não ... encontramos evidências suficientes para a crença na existência de um ser sobrenatural; é ilógico ou irrelevante para a questão da sobrevivência e realização da raça humana ... As promessas de salvação ou o medo da condenação eterna são tanto ilusórias quanto prejudiciais. Tais coisas distraem os seres humanos dos assuntos atuais, da autorrealização e da retificação das injustiças sociais. A ciência moderna desacredita tais conceitos históricos como ... a "alma separável". Em vez disso, a ciência afirma que a espécie humana é um surgimento de esforços evolutivos. Até onde sabemos, toda a personalidade é uma função do organismo biológico que negocia em um contexto social e cultural. Não há provas credíveis de que a vida sobreviva à morte do corpo” (1973, pp. 15-17).

 

Considere agora os seus comentários sobre "liberdade sexual":

“Na área da sexualidade, acreditamos que as atitudes intolerantes, muitas vezes cultivadas pelas religiões ortodoxas e pelas culturas puritanas, reprimem demasiada conduta sexual. Os direitos de controlo de natalidade, aborto e divórcio devem ser reconhecidos. Apesar de não aprovarmos as formas de exploração sexual abusivas e depreciativas, não queremos proibir, como norma ou sanção, o comportamento sexual entre adultos que agem livremente. As muitas variedades de exploração sexual não devem ser consideradas ‘malignas’ em si mesmas. … uma sociedade civilizada deve ser tolerante. … os indivíduos devem ter permissão para expressar as suas tendências sexuais e exercer o seu modo de vida como desejarem …” (1973, p.18-19, ênfase no original).

Em suma, são estes os princípios do Humanismo. As atividades sexuais entre "adultos que agem livremente" são aceitáveis, não importa quem esteja envolvido. Isso soa como propaganda: "o vício é bom", certo? O aborto, a eutanásia, a homossexualidade, a pedofilia e até mesmo o que alguns chamam de "tabu supremo" - incesto - são aceitáveis de acordo com o Humanismo. Como um autor colocou: "Embora a humanidade não tenha emergido das feras, o Humanismo está certamente reduzido ao seu nível" (Jones, 1981, 98: 309).

Muitas pessoas simplesmente não estão conscientes de que o Humanismo defende tais coisas. Além disso, muitos não estão cientes de que o Humanismo tem os seus próprios sistemas de cosmologia, soteriologia, ética e até escatologia - que permanecem em oposição direta à Bíblia.

 

Então, qual deve ser a resposta cristã a tais ensinamentos?

Porque encontramos o mundo na situação em que se encontra hoje? Tim LaHaye, no seu livro, The Battle for the Mind (A Batalha Pela Mente) escreveu: "A nossa sociedade está num estado de decadência moral, não porque a maioria dos americanos adorem degeneração, mas porque a influência humanista tem sido maior na nossa cultura do que a influência da igreja" (1980, p.189).

A Bíblia diz para sermos “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Fil. 2:15).

O povo de Deus deve lutar pelo que está certo e opor-se ao que está errado. Fazendo isso, damos um bom exemplo a todos os que nos rodeiam. Temos que nos opor ao Humanismo porque os seus ensinos são contrários aos ensinamentos da Palavra de Deus. Devemos entender e ajudar os outros a entender a loucura da "sabedoria" humana como é a do humanismo.

“Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” (1 Coríntios 1:19-21).

A sabedoria humana leva-nos para longe de Deus. A sabedoria humana está em guerra contra Deus (Romanos 8: 7), sendo loucura aos olhos de Deus (1 Coríntios 3: 19,20). O crente deve rejeitar o humanismo e ajudar outros a fazer o mesmo.

Prega-lhes o Evangelho, “pois é o poder [dinamite] de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16).

 

- C.M.O.

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