Um Cristão pode suicidar-se?
Alguém escreveu nos seguintes termos: “... porque alguém se diz de CRISTO se suicida? é de DEUS? ou foi da vontade de DEUS que o fizesse? confuso estou ainda”.
Sei que o assunto não é fácil, mas apresento aqui alguns factos para reflexão sobre a questão do suicídio.
O suicídio é homicídio – homicídio sobre si mesmo.
Abimeleque, Saul e o seu armeiro, Aquitofel, Zinri e Judas Iscariotes são os 6 exemplos bíblicos que cometeram suicídio. Todos estes são considerados descrentes, havendo quem tenha dúvidas sobre o caso de Saul (o que de si já não indicia ser boa referência) e havendo a terrível carga do “filho da perdição” se ter suicidado. Ou seja, não lemos na Bíblia claramente de nenhum crente se ter suicidado, ainda que leiamos de alguns crentes a quem essa tentação tivesse batido à sua porta.
Alguns têm usado tais casos para defender o suicídio, mas sentir-se-ão confortados com estes exemplos … de perdidos, … ou na melhor da hipóteses de casos duvidosos?
Sansão não pode ser considerado suicídio, pois lemos claramente que o seu ato e intenção foi de guerra, visando matar os Filisteus, ainda que tal ato lhe tivesse custado a vida. Repetimos: ele quis matar os Filisteus e é mais tarde distinguido no galarim da fé em Hebreus 11.
Mais factos:
Deus definiu a santidade da vida humana e exige que ela seja respeitada (Génesis 9:6). Paulo impediu o suicídio do carcereiro, dizendo-lhe que faria mal cometer tal ato (Atos 16:28). Sejamos claros: o suicídio nunca é da vontade de Deus, e a Bíblia ordena-nos para não cometermos homicídio, que inclui o matarmo-nos a nós mesmos (ver Êxodo 20:13).
Mais factos ainda: a nossa sociedade tem vindo a ser dominada pelo pensamento humanista e o humanismo é a ideia de que o próprio ser humano pode tomar as suas decisões, até mesmo decisões de vida ou morte, sem ter de consultar ou de se submeter a Deus. Ele pode até crer vagamente em Deus, mas obedece principalmente aos seus desejos e vontades humanas. A justificação que muitos procuram para o suicídio inspira-se neste pensamento humanista que também está na base da justificação do aborto e eutanásia.
O suicídio é uma decisão que, depois de cumprida, não deixa espaço algum para o regresso e o arrependimento. É importante lembrar que, por maiores que sejam os problemas pessoais, por maior que seja o sofrimento físico, enquanto a pessoa está viva ela pode clamar a Deus e receber uma resposta. Deus promete que quando O invocamos com sinceridade e persistência, Ele responde-nos e está connosco nas horas de aflição (cf. Salmo 91.15). Além disso o Senhor promete estar sempre connosco e nunca nos deixar ou abandonar (Heb. 13:5). É melhor entregarmo-nos a Ele em fé, do que entregarmo-nos a ideias tenebrosas de suicídio.
A solução para o sofrimento nesta vida não é fugir ou procurar escapar da dor, mas encarar os problemas com fé em Deus. Jó sofreu terrivelmente, mas não retirou de si a própria vida. Num momento de depressão, Elias até pediu que Deus o tomasse, mas não ousou tirar a própria vida (1 Reis 19:4). Paulo sofreu com o seu espinho na carne, mas não tentou escapar pelo suicídio (2 Coríntios 12:7-10).
O suicídio normalmente é uma tentativa de fugir de problemas, em vez de se procurar a ajuda de Deus. Pedro e Judas negaram Jesus na mesma noite. Judas, filho da perdição, fugiu e suicidou-se (Mateus 27:5), enquanto Pedro, crente sincero, se humilhou diante do Senhor e se tornou útil no reino de Deus durante o resto da sua vida (Mateus 26:75; João 21:15-19).
Mais para considerar: o suicídio não ajuda as pessoas que ficam para trás. Quando alguém se suicida para fugir de problemas, outras pessoas têm de solucioná-los depois. Quando alguém se suicida para "poupar" os outros (como alguns fazem quando sofrem de doenças terminais), acaba por negar a oportunidade de os outros crescerem em amor e serviço. Pior ainda, deixa familiares e amigos com sentimentos de remorso e culpa.
Na vida enfrentamos grandes desafios, mas o suicídio não é a resposta para um servo de Deus.
Também temos consciência da existência de profundos transtornos emocionais ou desequilíbrios bioquímicos associado a um profundo estado de depressão. Nunca devemos julgar as pessoas que optaram pelo suicídio, pois não sabemos tudo sobre elas. Só Deus sabe. A perfeita justiça de Deus leva em consideração o impacto que a nossa mente perturbada tenha eventualmente sobre nós; Ele compreende-nos melhor que do que qualquer ser. Por isso o juiz é Ele e não nós.
De algo devemos ter absoluta certeza: Jesus é que será o justo juiz (João 5:22) e ninguém será condenado injustamente. “Deus é justo juiz…” Salmo 7:11, “Ele vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com equidade” Salmo 98:8-9.
Mais alguns factos para serem considerados: De acordo com a Bíblia, o suicídio não é o que determina se uma pessoa ganha ou não acesso ao céu. Se um descrente cometer suicídio, ele não fez nada mais do que “acelerar” a sua jornada para o lago de fogo. Entretanto, no fim de contas, a pessoa que cometeu suicídio estará no inferno por ter rejeitado a salvação através de Cristo, não por ter cometido suicídio.
O que a Bíblia diz sobre um Cristão que comete suicídio? A Bíblia ensina que podemos ter a garantia da vida eterna a partir do momento em que verdadeiramente crermos em Cristo (João 3:16). Segundo a Bíblia, os Cristãos podem saber que possuem a vida eterna sem qualquer dúvida (1 João 5:13). Nada pode separar um Cristão do amor de Deus (Romanos 8:38-39). Se nenhuma "criatura" pode separar um Cristão do amor de Deus, e até mesmo um Cristão que comete suicídio é uma "coisa criada", então nem mesmo o suicídio pode separar um cristão do amor de Deus. Jesus morreu por todos os nossos pecados e se um Cristão verdadeiro, em um momento complicado que só Deus entenderá, cometer suicídio, esse pecado ainda seria coberto pelo sangue de Cristo.
O suicídio ainda é um grave pecado contra Deus. Segundo a Bíblia, o suicídio é assassinato; é sempre errado. Deve-se ter sérias dúvidas sobre a autenticidade da fé de qualquer pessoa que afirmava ser um Cristão, mas mesmo assim cometeu suicídio. Não há nenhuma circunstância que possa justificar que alguém, especialmente um Cristão, tire a sua vida própria. Os cristãos são chamados a viver as suas vidas para Deus e a decisão de quando morrer pertence a Deus e somente a Ele.
- C. M. O.



