Aos Pais dos meus Netos (4)

Aos pais dos meus netos


ANÁLISE DE FAMÍLIAS DO VELHO TESTAMENTO

Adão

     Comecemos com a história de Adão. Nós conhecemos muito bem o motivo da queda do primogénito de Adão. "Sereis como Deus", o tentador prometeu a Eva; então Eva e seu marido caíram. Qual foi o motivo da sua queda? A desobediência - desobediência à clara Palavra de Deus. Eles desobedeceram conscientemente à Palavra de Deus, a qual eles conheciam e entendiam muito bem. Nós podemos estar certos de que a desobediência a esta Palavra (mesmo que pareça tornar mais fácil o nosso caminho), trará sofrimento; não apenas para nós, mas sofrimento - e talvez até a ruína para os nossos filhos.

     Talvez a DESOBEDIÊNCIA esteja em primeiro lugar, como motivo principal, para a decadência das famílias cristãs.

     Se vocês amam o vosso Mestre, se vocês amam os vossos filhos, gostaria vos pedir encarecidamente que obedeçam integralmente, de todo coração, com amor e sem vacilar à Palavra de Deus. Este é o único caminho seguro neste mundo. Porém, qual foi o motivo da desobediência dos nossos primeiros pais? Eu penso que o primeiro motivo foi a dúvida, que a serpente semeou: "foi assim que Deus disse? ..."

     Que o Senhor nos conceda a Graça, de podermos manter uma confiança inabalável na Sua Palavra, a ponto de que nada possa abalar, nem ao mínimo, a nossa fé, por mais que se tornou 'moda' duvidar da Sua Palavra nos dias atuais.

     Existem determinadas coisas, das quais devemos fugir: "Foge, outrossim, das paixões da mocidade" (2 Tim. 2:22). "Fugi da idolatria" (1 Cor. 10:14). "Fugi da impureza" (1 Cor. 6:18). 'Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas" (1 Tim. 6:11). Pelo que eu saiba, em nenhuma passagem das Escrituras, nos é dito que devemos fugir do diabo; lemos o contrário: "Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tiago 4,7). Eu acredito, que jamais existiu ou existirá uma dúvida na Palavra, cujo autor não tivesse sido o diabo. Resistam-¬lhe, que ele fugirá de vós.

     Nós vemos que foi oferecida uma "isca" especial para fazer Eva desobedecer: "sereis como Deus". O tentador oferece a Eva um lugar superior àquele que Deus lhe havia concedido. Não vemos igualmente por toda parte a mesma tentação para nós, pais? A maioria das pessoas não procuram "melhorar-se socialmente"? A maioria não procura uma melhor situação aqui no mundo? E se não a conseguem para si mesmos, então vão lutar para que ao menos os seus filhos a consigam, não é? É muito triste termos que constatar que: mesmo pais crentes, não estão imunes a esta astúcia do inimigo, pela qual ele procura levar a nossa família à decadência. Nossos pais contentavam-se com uma simples casinha. Nós precisamos de ter uma casa elegante, bonita. Os nossos pais contentavam-se em andar a pé; nós precisamos de um carro. Os nossos pais contentavam-se com rudes capachos; nós precisamos de ter tapetes bonitos e preciosos. Vocês podem dizer: os tempos mudaram. É verdade.

     "Havia gigantes na terra", nos tempos dos nossos antepassados, isto é, nas coisas de Deus; hoje porém, temos homens fracos e sem energia. Adão padecia do mesmo mal. Os nossos jornais trazem caricaturas do mesmo. Quem ainda não ouviu algo semelhante para "não ficar por baixo dos vizinhos"? Talvez apenas sorrimos quando, muito mais, deveria ser uma advertência para nós, pois também nós caímos na tentação de anelarmos colocarmo-nos à altura dos nossos vizinhos e conhecidos. Não toleramos ser considerados "diferentes"; Deus porém, por Sua graça, fez uma diferença: nós somos diferentes. Eu acredito, que o esquecimento dessa diferença, essa ambição dos pais de Caim, de almejar um lugar superior àquele onde Deus os tinha colocado, tenha sido uma das causas da ruína de Caim e também da morte de Abel. O Novo Testamento esclarece-nos um pouco melhor este caso: "E porque o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as do seu irmão justas" (l João 3:12). Ele tinha ciúmes do seu irmão - e "quem pode resistir à inveja?" (Prov. 27:4). A inveja (mal-querência), levou à queda de muitos Santos de Deus. Valeria a pena, pegarem nas vossas Bíblias e uma boa concordância para ver o que o Senhor nos tem a dizer a respeito da inveja e do ciúme. De momento, porém, contentemo-nos com uma passagem: "Pois onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins" (Tiago 3:16). Sim, foi na inveja que se baseou o assassinato cometido por Caim. Também é a inveja que faz-nos procurar uma posição melhor daquela que Deus nos deu. Portanto, meus amados, fiquem atentos para se despojarem da inveja (1ª Pe. 2:1).

     Quando Eva escolheu o fruto proibido, ela não imaginava que fruto amargo estava preparando para si - um fruto, que roubou os seus dois filhos de uma só vez ... Quão despreocupada e levianamente nós consentimos, conscientes, com algum pecado, o qual pode trazer-nos anos de amargura e sofrimento, para nós e os nossos filhos. Estejamos cautelosos!

     Ainda nos é acrescentada uma indicação, que nem tudo na família de Adão era como deveria ser. De Gén. 4:1, pode-se supor que foi Eva quem escolheu o nome de Caim. Isto pode parecer normal em nossos dias, porém tememos, que esteja em contradição com a ordem de Deus. É como um talo de palha, pelo qual se pode perceber a direção na qual o vento soprava na casa de Adão. Vocês estão recordados, que foi Eva, quem provocou a queda de Adão; aparentemente ela continuou na liderança do governo deste lar, daquela primeira família. Quando chegamos a Sete em Gén. 5:3, nós vemos que as coisas mudaram: "Viveu Adão cento e trinta anos e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua Imagem, e lhe chamou de Sete. Agora Adão e Eva haviam aprendido a lição, e nós encontramos Adão em seu devido lugar. E qual era esse lugar para ele e para Eva? Penso que por um lado, 1ª Pe. 3:4-6 nos responde a esta pergunta: “O incorruptível adorno de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus. Pois assim também que a si mesmas se ataviaram outrora as santas mulheres, que esperavam em Deus, estando submissas a seus próprios maridos, como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor. “Quero pois que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não deem ocasião ao adversário de maldizer” (1ª Tim. 5:14).

     A palavra grega que é empregada aqui é bem esclarecedora: é a única passagem no Novo Testamento onde ela aparece, e se fosse traduzida literalmente talvez seria: “sejam donas de casa”. É uma única palavra, um verbo. Já o substantivo, do qual deriva, é usado 12 vezes, todas nos três primeiros Evangelhos, sempre se referindo ao pai; e é traduzido como “senhor da casa”, chefe da casa” (dono da casa), etc. O pensamento do verso de 1 Tim. 5 é maravilhoso. Descreve uma soberania real, a qual não afeta a do chefe da família, muito mais, ambos - marido e esposa – governam juntos no pequeno reino de Deus lhes confiou.

     Talvez já possamos ver um pouco da prática dessa unidade de pensamento quanto ao recém-¬nascido Sete. Embora em Gén. 4:25 até pareça que é Eva quem novamente toma a liderança na escolha do nome da criança, notamos no capo 5:3 que as mesmas palavras também são usadas por Adão.

     O livro de Provérbios até que merece mais do que uma simples menção superficial, pois ali esta doce harmonia entre pai e mãe nos é mostrada, de uma maneira singular, através do facto das catorze vezes em que é mencionada a mãe, 12 vezes refere-se a pai e mãe em conjunto.

     Aparentemente esta tão amável unidade não é bem aquilo o que por muitos anos caracterizou lar de Adão - temos no contraste entre Génesis 4:1 e 5:3 uma instrução muito severa. Eva realmente "governava a casa", porém não vemos considerada por ela a advertência de 1ª Pedro 3, que regulamenta esta soberania da mulher.

     É reconfortante vermos, que finalmente a lição foi assimilada, sendo Sete o fruto e a prova da lição aprendida com muito sacrifício.

     Sete é o primeiro daquela longa lista de nomes, semente da mulher, que culminou com a semente gloriosa que esmagaria a cabeça da serpente.

“AOS PAIS DOS MEUS NETOS”
Cartas de um avô aos pais dos seus netos
G. C. Willis

(Continua)

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