Desafio: Evangelizar cultura pós-Cristã
O desânimo tem sido uma tremenda arma eficaz que o diabo tem utilizado para neutralizar os crentes.
O estado de alerta vermelho espiritual está activado.
O que está a acontecer (aconteceu mesmo!) é muito grave; não é um pesadelo, mas uma triste realidade. A influência do Cristianismo na nossa geração faliu, e muitos ainda não tomaram consciência disso, pois continuam a viver como se nada de estranho houvesse.
Os pensadores e filósofos da actualidade dizem termos entrado numa nova era, a que chamam de cultura pós-Cristã. Nos círculos culturais a cultura contemporânea está a ser apelida de pós-Cristã.
Não será isto grave? Tomemos bem consciência de que é extremamente grave. Estamos perante uma autêntica certidão de óbito passada ao Cristianismo.
Eduardo Lourenço, recentemente transformado quase estrela intelectual em Portugal, tornado uma moda, chamado “psicanalista da cultura portuguesa, o nosso Sócrates Português, o ideólogo oficial do regime pós-25 de Abril”, não é um crente, mas um pensador agnóstico. Ele fala da “cultura contemporânea (quer ela seja a portuguesa, europeia ou mundial), uma visão do que é e do que deveria ser a cultura na era pós-moderna, ou,” como ele diz preferir chamar-lhe, “na era pós-Cristã”. E fala depois “desta nossa cultura pós-Cristã”. São estes fazedores de opinião muito apreciados que vão marcando vincadamente o pensamento hodierno das massas.
A Cultura Pós-Cristã tem contado com a incansável colaboração dos meios de comunicação social para propagá-la e referendá-la e, com a complacência do sistema educativo, cujos valores tendem a acomodar-se à mentalidade vigente.
Não é tanto a emergência deste mal, em si, que nos preocupa, mas a falência da acção e influência Cristã na sociedade - a verdadeira razão da ocorrência.
A “Europa pós-cristã”, como já é denominada por alguns, encontra-se numa conjuntura crucial da sua história. Num passado recente era formada por diferentes tradições Cristãs, antes de ter sido afectada pela secularização. Hoje encontra-se confrontada com a presença crescente de grupos religiosos não-Cristãos, seitas e espiritualidades de diferentes matizes e ambições, que a levou de volta ao paganismo. Há cada vez mais grupos, declarados e assumidamente, neo-pagãos. Há uns anos atrás o estado de alerta amarelo disparou quando muitos se aperceberam que a Inglaterra, que tinha enviado quantidades massivas de missionários para evangelizar as terras pagãs, estava então a precisar que missionários desses países cristianizados viessem evangelizá-la. O problema agravou-se, pois já não é apenas inglês, porém Europeu, e pior ainda, mundial mesmo.
Estamos a assistir a uma enorme descristianização no mundo.
Durante a Idade Média a sociedade era profundamente teocêntrica. Na mentalidade do homem medieval tudo vinha de Deus e para Ele convergia. A Igreja tinha um lugar preponderante na vida social. Os valores a serem seguidos eram claros, embora muitas vezes desobedecidos.
A Idade Moderna veio implantar o humanismo. Deus deixou de ser o centro de tudo. Os valores passaram a ser profundamente antropocêntricos. O homem tornou-se a medida de tudo. Os valores da cultura clássica pagã passaram a vingar, juntamente com a exaltação do papel da razão e da valorização do homem.
A nossa idade contemporânea passou a centrar-se no "ego". Esta centralização no "ego", conduziu ao estabelecimento de uma verdadeira cultura pós-Cristã, cujos valores altamente relativizados perderam objectividade bem como as referências.
As conquistas científicas, tecnológicas e informáticas, satisfazendo o “ego”, conduziram o homem à autonomia de Deus, do Qual se desinteressou.
Esta cultura pós-Cristã caracteriza-se, entre centenas de outras facetas, por uma forte e aberta contestação aos valores Cristãos. Há quarenta anos estes valores eram absolutamente inquestionáveis. Agora assistimos ao fenómeno da relativização dos mesmos.
O fenómeno do secularismo propaga o desinteresse e indiferentismo religioso, e provoca várias formas de ateísmo. O homem, absorto nas suas conquistas técnico-científicas, crê poder prescindir de Deus pensando ser Supra Sumus. Os valores morais perdem consequentemente a sua objectividade e deixam de ter como referencial último o fim supremo, o próprio Deus, passando a vingar o referencial relativo e reduzido do próprio homem.
Hoje, o homem coloca-se em arrogante posição de "senhor" de tudo.
Para este homem "todo poderoso", a fé passou a ser algo perfeitamente dispensável. Agora cabe ao homem estabelecer o certo e o errado. E é assim que se está a criar uma civilização afastada da fé e de Deus.
Tal homem não se sente necessitado da salvação nos moldes propostos por Jesus Cristo, que veio para o pecador, para o doente, para o necessitado. Este homem tende à auto-suficiência, ao ateísmo, à mentalidade individualista e secularizada.
É urgente que nós, como Igreja, respondamos a esta situação que tende ao caos. Somos responsáveis pelo actual estado de coisas, uma vez que perdemos a capacidade de comunicar e consequentemente de reagir, e com urgência. Cabe-nos comprovar com a nossa vida que, ao contrário do que o mundo secularizado pensa, as verdades da Bíblia dão o sentido que lhes falta, a despeito dos louros de todas as suas conquistas. E como ele está sem sentido e propósito!
As pessoas hoje estão cansadas de palavreio. Decepcionados com a incoerência - principalmente dos Cristãos - entre o que se diz crer (fé) e o que se faz (vida), elas ouvem mais as testemunhas do que os mestres bem-falantes.
A unidade entre fé e vida é a arma mais poderosa que como crentes temos para a evangelização da nossa cultura.
Não nos podemos permitir
- Professar crer em Deus e viver como se Ele não existisse;
- Sustentar o primado do espírito e viver como materialistas;
- Afirmar a imortalidade da alma e actuar como se nada se esperasse depois da morte;
- Declarar crer em Jesus, mas de Seus ensinamentos só aceitar o que nos interessa;
em suma,
- Louvar a piedade e não vivê-la.
O Cristão coerente e, portanto vencedor, tem em grande conta o perigo que o pecado é para a sua alma e para todos os homens. Ele escolhe a Deus. Coloca Deus acima de tudo e muito acima de si mesmo. A Ele serve, a Ele obedece, não se importando com o que o mundo diga, pense, julgue, critique. Em Deus está a sua paz.
O Cristão coerente não trai a sua fé. Prefere sofrer a pecar. Prefere ser incompreendido a trair o seu Deus. Prefere perder mordomias e bem-estar a ultrajar a sua fé.
A fidelidade a Deus constitui, de certa forma, o martírio do crente hoje - não o martírio em arenas repletas de leões ou caldeirões de azeite a ferver, como aconteceu com os primeiros Cristãos, mas o martírio ao pé da letra, o ser testemunha de Jesus no meio do mundo secularizado, ateísta, e individualista. Ser mártir hoje, como sempre, é testemunhar de Jesus corajosa, coerente e permanentemente.
Presentemente somos desafiados, como nunca, a evangelizar uma cultura pós-Cristã ou em fase de descristianização, em que Deus ou não existe ou não é mais o fundamento da norma moral.
Quando olhamos a missão grandiosa que temos pela frente sentimo-nos pequeninos e inúteis diante de algo tão complicado, mas devemo-nos lembrar do cidadão que disse o seguinte: “Tenho apenas um balde de água para atirar ao incêndio, mas vou atirá-la com toda a força, pedindo a Deus que a use como fez com os cinco pães e dois peixes”.
Os pensadores e filósofos da actualidade dizem termos entrado numa nova era, a que chamam de cultura pós-Cristã. Nos círculos culturais a cultura contemporânea está a ser apelida de pós-Cristã.
Não será isto grave? Tomemos bem consciência de que é extremamente grave. Estamos perante uma autêntica certidão de óbito passada ao Cristianismo.
Eduardo Lourenço, recentemente transformado quase estrela intelectual em Portugal, tornado uma moda, chamado “psicanalista da cultura portuguesa, o nosso Sócrates Português, o ideólogo oficial do regime pós-25 de Abril”, não é um crente, mas um pensador agnóstico. Ele fala da “cultura contemporânea (quer ela seja a portuguesa, europeia ou mundial), uma visão do que é e do que deveria ser a cultura na era pós-moderna, ou,” como ele diz preferir chamar-lhe, “na era pós-Cristã”. E fala depois “desta nossa cultura pós-Cristã”. São estes fazedores de opinião muito apreciados que vão marcando vincadamente o pensamento hodierno das massas.
A Cultura Pós-Cristã tem contado com a incansável colaboração dos meios de comunicação social para propagá-la e referendá-la e, com a complacência do sistema educativo, cujos valores tendem a acomodar-se à mentalidade vigente.
Não é tanto a emergência deste mal, em si, que nos preocupa, mas a falência da acção e influência Cristã na sociedade - a verdadeira razão da ocorrência.
A “Europa pós-cristã”, como já é denominada por alguns, encontra-se numa conjuntura crucial da sua história. Num passado recente era formada por diferentes tradições Cristãs, antes de ter sido afectada pela secularização. Hoje encontra-se confrontada com a presença crescente de grupos religiosos não-Cristãos, seitas e espiritualidades de diferentes matizes e ambições, que a levou de volta ao paganismo. Há cada vez mais grupos, declarados e assumidamente, neo-pagãos. Há uns anos atrás o estado de alerta amarelo disparou quando muitos se aperceberam que a Inglaterra, que tinha enviado quantidades massivas de missionários para evangelizar as terras pagãs, estava então a precisar que missionários desses países cristianizados viessem evangelizá-la. O problema agravou-se, pois já não é apenas inglês, porém Europeu, e pior ainda, mundial mesmo.
Estamos a assistir a uma enorme descristianização no mundo.
Durante a Idade Média a sociedade era profundamente teocêntrica. Na mentalidade do homem medieval tudo vinha de Deus e para Ele convergia. A Igreja tinha um lugar preponderante na vida social. Os valores a serem seguidos eram claros, embora muitas vezes desobedecidos.
A Idade Moderna veio implantar o humanismo. Deus deixou de ser o centro de tudo. Os valores passaram a ser profundamente antropocêntricos. O homem tornou-se a medida de tudo. Os valores da cultura clássica pagã passaram a vingar, juntamente com a exaltação do papel da razão e da valorização do homem.
A nossa idade contemporânea passou a centrar-se no "ego". Esta centralização no "ego", conduziu ao estabelecimento de uma verdadeira cultura pós-Cristã, cujos valores altamente relativizados perderam objectividade bem como as referências.
As conquistas científicas, tecnológicas e informáticas, satisfazendo o “ego”, conduziram o homem à autonomia de Deus, do Qual se desinteressou.
Esta cultura pós-Cristã caracteriza-se, entre centenas de outras facetas, por uma forte e aberta contestação aos valores Cristãos. Há quarenta anos estes valores eram absolutamente inquestionáveis. Agora assistimos ao fenómeno da relativização dos mesmos.
O fenómeno do secularismo propaga o desinteresse e indiferentismo religioso, e provoca várias formas de ateísmo. O homem, absorto nas suas conquistas técnico-científicas, crê poder prescindir de Deus pensando ser Supra Sumus. Os valores morais perdem consequentemente a sua objectividade e deixam de ter como referencial último o fim supremo, o próprio Deus, passando a vingar o referencial relativo e reduzido do próprio homem.
Hoje, o homem coloca-se em arrogante posição de "senhor" de tudo.
Para este homem "todo poderoso", a fé passou a ser algo perfeitamente dispensável. Agora cabe ao homem estabelecer o certo e o errado. E é assim que se está a criar uma civilização afastada da fé e de Deus.
Tal homem não se sente necessitado da salvação nos moldes propostos por Jesus Cristo, que veio para o pecador, para o doente, para o necessitado. Este homem tende à auto-suficiência, ao ateísmo, à mentalidade individualista e secularizada.
É urgente que nós, como Igreja, respondamos a esta situação que tende ao caos. Somos responsáveis pelo actual estado de coisas, uma vez que perdemos a capacidade de comunicar e consequentemente de reagir, e com urgência. Cabe-nos comprovar com a nossa vida que, ao contrário do que o mundo secularizado pensa, as verdades da Bíblia dão o sentido que lhes falta, a despeito dos louros de todas as suas conquistas. E como ele está sem sentido e propósito!
As pessoas hoje estão cansadas de palavreio. Decepcionados com a incoerência - principalmente dos Cristãos - entre o que se diz crer (fé) e o que se faz (vida), elas ouvem mais as testemunhas do que os mestres bem-falantes.
A unidade entre fé e vida é a arma mais poderosa que como crentes temos para a evangelização da nossa cultura.
Não nos podemos permitir
- Professar crer em Deus e viver como se Ele não existisse;
- Sustentar o primado do espírito e viver como materialistas;
- Afirmar a imortalidade da alma e actuar como se nada se esperasse depois da morte;
- Declarar crer em Jesus, mas de Seus ensinamentos só aceitar o que nos interessa;
em suma,
- Louvar a piedade e não vivê-la.
O Cristão coerente e, portanto vencedor, tem em grande conta o perigo que o pecado é para a sua alma e para todos os homens. Ele escolhe a Deus. Coloca Deus acima de tudo e muito acima de si mesmo. A Ele serve, a Ele obedece, não se importando com o que o mundo diga, pense, julgue, critique. Em Deus está a sua paz.
O Cristão coerente não trai a sua fé. Prefere sofrer a pecar. Prefere ser incompreendido a trair o seu Deus. Prefere perder mordomias e bem-estar a ultrajar a sua fé.
A fidelidade a Deus constitui, de certa forma, o martírio do crente hoje - não o martírio em arenas repletas de leões ou caldeirões de azeite a ferver, como aconteceu com os primeiros Cristãos, mas o martírio ao pé da letra, o ser testemunha de Jesus no meio do mundo secularizado, ateísta, e individualista. Ser mártir hoje, como sempre, é testemunhar de Jesus corajosa, coerente e permanentemente.
Presentemente somos desafiados, como nunca, a evangelizar uma cultura pós-Cristã ou em fase de descristianização, em que Deus ou não existe ou não é mais o fundamento da norma moral.
Quando olhamos a missão grandiosa que temos pela frente sentimo-nos pequeninos e inúteis diante de algo tão complicado, mas devemo-nos lembrar do cidadão que disse o seguinte: “Tenho apenas um balde de água para atirar ao incêndio, mas vou atirá-la com toda a força, pedindo a Deus que a use como fez com os cinco pães e dois peixes”.
- C.M.O.



