História do Cristianismo - Portugal

     No tempo da Reforma, Portugal rejeitou o Evangelho, preferindo a Inquisição romana, e pagou caro por ter assim seguido o exemplo da Espanha. Alianças entre as famílias reais influíram nesta decisão. O último rei morreu sem família, e Felipe II da Espanha, sendo herdeiro do trono, entrou em Portugal como rei (1580). A religião católica ficou ainda mais arraigada no pais. A Inquisição, durante, os dois séculos de seu exercício em Portugal, queimou cerca de 1500 pessoas e condenou 25.000 a diversas penas, além daquelas que morreram nos cárceres. No ano 1739 António da Silva foi queimado, sendo acusado de ter praticado «judaísmo».

     Devido ao facto de Felipe estar em guerra perpétua com a Holanda, e começar outra guerra com a Inglaterra, Portugal viu-se obrigado a fechar os seus portos ao comércio com estas nações, as mais comerciais da Europa, e isto ocasionou muita privação e miséria. Felipe deixou como herança para o seu sucessor, a guerra com a Holanda, e este país aproveitou a oportunidade para invadir o Brasil, tomando Pernambuco e estabelecendo ali uma colónia holandesa.

     No ano de 1640 os portugueses revoltaram-se contra o jugo espanhol, e proclamaram rei o Duque de Bragança (D. João IV). Este novo soberano mostrou energia e prudência, e os holandeses foram obrigados a sair do Brasil. Embora os holandeses fossem calvinistas, não parecem ter evangelizado os brasileiros.

     No ano de 1693 as minas de ouro foram descobertas em Minas Gerais, e o metal foi exportado para Portugal, tendo o rei D. João V desperdiçado-o em edifícios religiosos e de luxo. A coroa de Portugal nunca havia sido tão rica como durante os primeiros 50 anos do século XVIII, mas o reino não prosperou. Muito dinheiro foi emprestado ao Papa e desperdiçado entre os padres e as ordens religiosas. Felizmente o governo do Marquês de Pombal (1750-1777) produziu um avivamento na indústria, no comércio, na educação, e em todos os aspectos da vida. Depois do terramoto que destruiu Lisboa, a capital, em 1755, foi edificada uma cidade melhor. A inquisição foi suprimida, e os jesuítas foram expulsos do país. É pena que este grande estadista não fosse amigo do Evangelho, e não substituísse pelas Escrituras as abominações religiosas.

     Quando o rei (D. José I) morreu e reinava a sua filha D. Maria I, os jesuítas voltaram, e, a rainha, que era fanática religiosa, enlouqueceu, e a decadência de Portugal continuou. Eis o que escreveu um historiador contemporâneo: «A igreja em Portugal é como um deserto árido. Não tenho ouvido ou lido de qualquer esforço feito durante séculos para introduzir um raio de verdade evangélica entre eles (os portugueses). As Escrituras são um livro selado, escondido e interdito. A superstição sombria abre as suas asas: a ignorância,  a idolatria, a imoralidade e a crueldade pairam sobre eles. Nenhum espírito reformador ousa murmurar uma dúvida acerca dos dogmas absurdos, ou fazer uma sugestão para reformar os piores abusos sacerdotais. Provavelmente Portugal e as suas colónias serão os derradeiros entre as nações a serem salvos da ignorância, e libertados do jugo do papado ...... Havendo contribuído tanto quanto qualquer outra corte para expulsar os jesuítas e extinguir esta ordem, Portugal não tem subido acima dos seus velhos preconceitos de submissão à imposição sacerdotal. É espantoso ver com que profundo ódio e aborrecimento eles nos olham, a nós, como herejes, embora seus aliados.»

     Veio a liberdade mais tarde, quando Portugal obteve uma constituição mais liberal, e vieram ainda mais tarde diversos missionários pregarem em Portugal. Então a luz começou a dissipar as trevas, não só em Portugal, mas também na sua antiga e principal colónia, agora independente: o Brasil. No princípio, a luz veio de outras terras, mas agora estes países estão a ser evangelizados pelos seus próprios filhos. Há um facto impressionante em relação à evangelização dos países que falam a língua portuguesa: é que Deus preparou o instrumento principal, a chave de ouro para abrir a porta de ferro que conduz à liberdade espiritual, com dois séculos de antecedência, quando pôs no coração de João Ferreira de Almeida o plano de traduzir a Bíblia para a língua portuguesa. O Novo Testamento foi completado em Batávia, capital de Java (Indonésia), uma  colónia holandesa nas índias Orientais, onde este servo de Deus residia. A primeira edição foi impressa em 1681. O Velho Testamento foi completado e impresso no século seguinte. O tradutor era português nato, mas o seu nome não está escrito em qualquer rol de honra na sua pátria e parece ser um nome desconhecido pela maioria de seus patrícios, e dos brasileiros, mas é um nome querido (e deve sê-lo) de todos os amantes da Palavra de Deus, que falam a língua portuguesa. Durante sua vida ele recebeu mais maldição do que louvor por ter preparado a boa semente que futuramente iria produzir bom fruto. Depois de quase três séculos as terras onde se fala a língua portuguesa estão brancas para a ceifa.   

- A. E. Knight e W. Anglin

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