Ilustrações da Verdade Bíblica (LXVII)

Por H. A. Ironside
Pregos de cobre
“Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia” (Sal. 32:3).
Não há nada que retire tanto a alegria da vida como o pecado não confessado em consciência.
Eu ouvi o saudoso Dr. F. E. Marsh numa ocasião que estava a pregar sobre esta questão e a exortar os seus ouvintes sobre a importância da confissão do pecado e, sempre que possível, sobre a restituição do prejuízo causado aos outros.
No fim um jovem, membro de igreja, veio até ele com um semblante perturbado. "Pastor", explicou, "Colocou-me numa situação triste difícil. Eu prejudiquei alguém e envergonho-me de o confessar ou tentar concertar. Repare, eu sou um construtor de barcos e o homem para quem trabalho é um infiel. Tenho-lhe falado muitas vezes sobre a sua necessidade de Cristo e pedido para vir ouvi-lo pregar, mas ele zomba e ridiculariza tudo. Ora, eu tenho sido culpado de algo que, se eu reconhecer perante ele, irá arruinar o meu testemunho para sempre."
Depois ele prosseguiu contando que há algum tempo atrás ele começou a construir um barco para si mesmo no seu próprio quintal. Nesse trabalho são usados pregos de cobre porque eles não enferrujam na água. Estes pregos são muito caros e o jovem tinha estado a levar para casa grandes quantidades deles para usar no trabalho. Ele sabia que estava a roubar, mas tentou abafar a sua consciência, dizendo que o patrão tinha tantos que ele nunca iria sentir a falta deles e, além disso, ele não estava a pagar-lhe de acordo com o que ele merecia. Porém este sermão tinha-o levado a enfrentar o facto de que ele era simplesmente um ladrão comum, para quem aquelas ações desonestas não tinham desculpa.
"Mas", disse ele, "eu não posso ir ao meu patrão e dizer-lhe o que fiz ou oferecer-me para pagar o que usei e devolver o resto. Se o fizer ele pensará que sou um mero hipócrita. Mas apesar disto aqueles pregos de cobre estão espetados na minha consciência e eu sei que nunca terei paz enquanto eu não resolver este assunto."
A luta prosseguiu durante semanas. Então, uma noite ele foi ter com o Dr. Marsh e exclamou: "Pastor, eu resolvi a questão dos pregos de cobre e a minha consciência está finalmente aliviada."
"O que aconteceu ao confessar ao seu patrão que fez?", perguntou o pastor.
"Oh", respondeu ele: "Ele olhou estranhamente para mim, e depois exclamou: ‘George, eu sempre pensei que eras um mero hipócrita, mas agora começo a sentir que afinal há algo nesse Cristianismo. Uma religião que faça com que um trabalhador desonesto volte e confesse que havia roubado pregos de cobre e se oferece para os pagar, deve valer a pena ter."
O Dr. Marsh perguntou se poderia usar a história, e foi-lhe concedida permissão.
Algum tempo depois, eu contei isto noutra cidade. No dia seguinte uma senhora chegou e disse: "Doutor, eu também tenho tido ‘pregos de cobre’ na minha consciência."
"Porquê? Certamente que não é uma construtora de barcos". "Não, mas sou uma amante de livros e tenho um número elevado de livros roubados de uma amiga minha que ganha muito mais do que eu. Eu decidi ontem à noite que devo livrar-me dos 'pregos de cobre', por isso hoje devolvi-os todos a ela hoje e confessei o meu pecado. Eu não consigo dizer-lhe quanto estou aliviada. Ela perdoou-me, e Deus perdoou-me. Estou tão grata pelos 'pregos de cobre' não estarem mais espetados na minha consciência."
Eu tenho contado esta história muitas vezes e as pessoas têm quase que invariavelmente vindo ter comigo contando dos "pregos de cobre" que de uma forma ou outra elas se livraram. Numa ocasião, eu contei-a num culto realizado na capela de uma escola secundária. No dia seguinte, o diretor veio ter comigo e disse: "Como resultado dessa história dos 'pregos de cobre', muitas canetas roubadas e outras coisas foram, como nunca, devolvidas aos seus legítimos proprietários."
A reforma e a restituição não salvam. Mas onde alguém fica verdadeiramente arrependido e vai a Deus em confissão sincera, quererá fazer o melhor que puder para acertar as coisas com os outros.
- Continua



