19-02-13 - James Dobson Retrata um triste futuro para as famílias

James Dobson, fundador do ministério Focus on the Family (Foco na Família), ganhou um novo título: romancista.
Em trabalho com o coautor Kurt Bruner, um pastor texano, lançou o romance “Fatherless” (Sem-Pai), o primeiro de uma trilogia antiutópica que projeta um futuro em que os idosos superam em número os jovens, avançando a guerra cultural para novas dimensões.
Dobson, 76, respondeu via e-mail a perguntas enviadas pelo Religion News Service sobre seu novo projeto.
Algumas das respostas foram editadas por questões de tamanho e clareza.
Porque é que o senhor se aventurou na ficção depois de escrever por tanto tempo sobre a vida dos pais na vida real?
Este é meu primeiro romance, mas não a minha primeira investida na ficção. Sempre acreditei no poder das narrativas para influenciar o pensamento e moldar a imaginação do espírito. Embora com foco na família, desafiei uma equipe a criar uma radionovela chamada “Adventures in Odyssey” (“Aventuras em Odisseia”). O meu coautor, Kurt Bruner, liderou a equipa por muitos anos. Estamos muito empolgados com o potencial desta nova trilogia para abranger temas sobre os quais tenho escrito, falado e transmitido há décadas.
Com um enredo que inclui pais de mais de duas crianças sendo referidos como “procriadores” (breeders), “Fatherless” descreve os seus piores pesadelos?
Na verdade, o termo já está a ser utilizado em alguns círculos para depreciar os que consideram filhos uma bênção em vez de um fardo. Como dissemos no prefácio, um lar feliz é a maior expressão da imagem de Deus na terra. O casamento e a paternidade ecoam o céu, e é algo que o inferno não suporta. Em 1977, fundei o que se tornou um ministério mundial dedicado à preservação do lar. Esse esforço colocou-me num combate cultural contínuo, involuntariamente confrontando forças mais sombrias do que eu imaginava. Não tenho a intenção de compreender o que acontece no mundo espiritual. Mas sei que todos nós vivemos no que C. S. Lewis chamou de “território ocupado pelo inimigo”.
O seu livro antevê um futuro em que os mais velhos são incentivados a terminar as próprias vidas para ajudar os familiares mais jovens a pagarem a faculdade. O senhor teme que o país esteja a seguir nessa direção?
Esses romances não anteveem o futuro, mas simplesmente projetam a trajetória das atuais tendências demográficas. A estória acontece no ano de 2042, quando a pirâmide económica se reverte, com poucos jovens a carregarem o fardo de uma população cada vez mais velha. As tendências já estão a criar manchetes pelo mundo. O Japão, por exemplo, possui a média de idade mais velha do planeta. No ano passado eles venderam mais fraldas geriátricas do que infantis, e a tendência chega rapidamente a todas as nações desenvolvidas do mundo, incluindo os Estados Unidos. Há poucas semanas o ministro da fazenda do governo recém-eleito disse que os idosos precisam de “morrer logo”, pois eles não têm condições de sustentar a rede de segurança social. Pavoroso? Pode crer.
Em geral, o senhor considera a premissa do livro forçada?
Nem um pouco. Os melhores demógrafos dizem que é inevitável, uma vez que não podemos voltar no tempo e ter mais filhos.
Quais são os problemas da vida real hoje em dia que o fizeram escrever essa fantasia do futuro?
A única ameaça ao futuro, para começar, é a tendência que vai contra a formação de novas famílias. Os casamentos diminuíram drasticamente. Pela primeira vez na história, há mais mulheres solteiras que casadas. Criar filhos hoje em dia é considerado um fardo inconveniente em vez de uma das maiores chamadas da vida. Pela primeira vez na história, há menos lares com filhos do que sem. O instinto humano mais básico, o de formar famílias, está em grande declínio. E as implicações dessa realidade, como retratamos nesses romances, são chocantes. Por isso escolhemos a crise demográfica que se aproxima como pano de fundo das estórias.
Quanto o senhor escreveu em comparação com o coautor Kurt Bruner? Como dividiram as tarefas da redação?
Nós os dois apreciamos o processo de colaboração. Kurt e eu encontramo-nos no começo de cada projeto (parte da trilogia) para fazer um brainstorming dos personagens, da continuidade do enredo, etc. Kurt então ficou por conta do trabalho pesado, de garantir a fluidez da estória, enquanto eu me certifiquei que os rumos e os cenários tinham veracidade académica, médica e sociológica.
Já faz três anos que o senhor deixou o ministério da Focus on the Family na rádio. O senhor sente falta?
Não tenho tido tempo. No dia em que deixei o Focus on the Family, comecei um novo programa de rádio chamado “Dr. James Dobson Family Talk” (“Conversas Familiares do Dr. Dobson”), escutado em mais de 1.100 estações. Continuo a apreciar a oportunidade de me ligar aos ouvintes.
“Fatherless” é a primeira de uma série de três partes. O senhor pode dar-nos alguma dica do que vem pela frente?
O primeiro livro, “Fatherless”, é lançado neste mês. O segundo, “Childless” (“Sem-Filhos”), está programado para sair em outubro. A terceira parte, “Godless” (Sem-Deus), sairá no início de 2014. Cada narrativa constrói o tema anterior com uma mistura divertida de intrigas políticas, guerra espiritual, especulação futurista e uma conjectura fundamentada sobre o tipo de mundo com o qual nossos filhos irão lidar.




