07-11-2026 - Aumenta entre os jovens o uso de inteligência artificial para lidar com a solidão

Génesis 2 revela que carregamos uma solidão em forma humana: “Não é bom que o homem esteja só” (v. 18). Entre todas as vezes em que Deus qualifica a criação como “boa” nos primeiros capítulos da Bíblia, esta é a única passagem em que Ele afirma que algo não é bom — a nossa solidão. Já se disse que temos um vazio em forma de Deus; as Escrituras também apontam para um vazio que só a presença humana preenche.
Recentemente, o Hopelab e o Centro de Prosperidade Digital de Harvard divulgaram um estudo que analisou 30 entrevistas com adolescentes e jovens adultos sobre as razões que os levam a recorrer a ferramentas de inteligência artificial, em vez de pessoas, para apoio emocional. Dois motivos se destacam: disponibilidade e rapidez.
Uma jovem participante, acordada às 4 da manhã, perguntou a um chatbot como lidar com seu stress. O programa sugeriu um exercício sensorial, a técnica de aterramento cinco-quatro-três-dois-um: nomear cinco coisas que se pode ver, quatro que se pode tocar, três que se pode ouvir, duas que se pode cheirar e uma que se pode sentir o gosto, conduzindo a atenção por cada sentido.
Funcionou para ela. E, se precisasse perguntar novamente, a ferramenta de IA estaria disponível 24 horas por dia — melhor que humanos que estavam dormindo? Talvez.
O impacto da solidão e a busca por ajuda virtual
Outros estudos reforçam essa tendência. Um levantamento da Rand mostrou que 19,2% dos americanos entre 12 e 21 anos recorreram a chatbots quando estavam tristes, irritados ou stressados — número praticamente igual aos 19,8% que buscaram profissionais de saúde mental. No relatório da Common Sense Media de 2026, constatou-se que a vulnerabilidade emocional leva jovens solitários a procurar chatbots como suporte.
Uma pesquisa com mais de 2.300 jovens feita pelo The Rithm Project revelou que 61% dos adolescentes afirmam que os seus pais raramente, ou nunca, conversam com eles sobre inteligência artificial. Quando conversam, o tema quase sempre é sobre trapaças (71%) e não sobre saúde emocional (27%).
Além disso, um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) apontou que a relação entre solidão e uso de redes sociais é muitas vezes cíclica: quanto mais solitárias as pessoas se sentem, mais tempo passam nessas plataformas, onde se comparam a outros e sentem medo de estar perdendo algo, o que aumenta a solidão e, consequentemente, o uso dessas redes.
Essa dinâmica enquadra-se no que se chama de “uso problemático da tecnologia” — um padrão caraterizado por comportamentos viciantes e compulsivos que resultam em consequências físicas e psicossociais negativas. A solidão é tanto causa quanto efeito desse uso problemático da Internet.
Parece que quanto mais usamos ferramentas de IA generativa, mais nos sentimos sozinhos. Usar um chatbot é atraente, mas é como beber água do mar: parece saciar a sede, mas no final só a aumenta.
Escolhendo a transformação real em vez da conformidade artificial
Será que continuaremos conformados à IA, deixando que ela “te molde à sua própria forma”, como J. B. Phillips parafraseou Romanos 12:2? O Senhor Jesus oferece-nos um caminho melhor, e precisamos escolhê-lo. Podemos ser transformados pela renovação da nossa mente, pois Deus deu ao nosso cérebro neuroplasticidade: aquilo em que focamos altera a sua estrutura. O que dispara conjuntamente, liga-se juntamente.
As nossas tentativas ineficazes de preencher os vazios em forma de Deus e de humanos geralmente estão ligadas ao prazer e ao poder. O cientista e teólogo do século XVII Blaise Pascal comentou que “a única causa da infelicidade do homem é que ele não sabe ficar quieto no seu quarto”.
Ele observou que as pessoas buscam distrações, e os mais prósperos são os melhores em preencher as suas vidas com atividades que desviam a atenção, como caça, festas, jogos online e seguidores bajuladores (Pascal não disse exatamente assim, apenas atulizámos um pouco).
Essas distrações desviam a nossa atenção da nossa condição humana de pecado, o que também significa perder a oportunidade de sermos perdoados e renovados por Aquele que nos ama “com amor eterno” (Jeremias 31:3). Hoje, temos ferramentas de IA generativa que são especialistas em bajulação e extremamente eficazes em capturar a nossa atenção, mas precisamos de relacionamentos reais, não artificiais. Como corpo de Cristo, precisamos de ser “Jesus com pele” para os outros.
O poder da presença física
Uma vez, um conhecido de outro país ligou-me e disse: “Quero dormir, mas estou ansioso e com medo. Você pode vir aqui?” Fui até o apartamento dele. Conversámos, e ele pediu: “Fique comigo até eu adormecer” — o que fiz, talvez até às 4 da manhã. (Se isso parece simples, asseguro que não foi.) No dia seguinte, ele disse estar melhor e mais calmo. Meses depois, voltou para casa e perdemos o contacto. Anos depois, ele escreveu-me dizendo que a minha presença foi o conforto que ele precisava: um “ponto de viragem” no seu tempo nos EUA.
Há poder na presença física de outro ser humano. Um jovem adulto no relatório de Harvard resumiu bem: “O ChatGPT é muito melhor em ser minucioso, mas as pessoas ganham à IA no calor emocional, honestidade e proximidade. Porque às vezes não se trata de resolver problemas, mas de estar perto de alguém por meia hora.”
- in Comunhão
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