13-10-2026 - Moçambique: radicais muçulmanos atacam Cristãos e igrejas

Bandeira do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) - History/Universal Images Group/Getty Images
Novos ataques atribuídos a militantes islâmicos no norte de Moçambique deixaram pelo menos nove mortos e provocaram a destruição de edifícios de igrejas e residências na província de Cabo Delgado. Organizações cristãs e grupos humanitários afirmam que a violência voltou a se intensificar nos últimos meses, especialmente em áreas rurais.
Os ataques mais recentes ocorreram no distrito de Ancuabe, região que vem sofrendo ofensivas frequentes desde o início da insurgência islâmica no país. Segundo a Barnabas Aid, cinco Cristãos foram mortos na aldeia de Namecala em 9 de maio, durante uma ação reivindicada pelo grupo conhecido como Estado Islâmico de Moçambique.
A entidade informou que os militantes incendiaram as instalações de uma igreja e mais de 160 casas durante o ataque. Em outro episódio, dois Cristãos foram capturados e decapitados nas proximidades de Namecala no dia 8 de maio. Um terceiro Cristão também foi morto perto da aldeia de Nanoni. Outras comunidades da região relataram incêndios em casas e templos cristãos.
A violência ocorre no meio do avanço da insurgência islâmica iniciada em 2017 em Cabo Delgado. O grupo armado, conhecido localmente como al-Shabaab, não possui ligação com a organização extremista somali de mesmo nome, mas posteriormente declarou lealdade ao Estado Islâmico e passou a atuar sob a designação de Estado Islâmico Moçambique.
Relatórios recentes apontam que militantes têm usado mensagens de propaganda contra Cristãos que se recusam a abandonar a fé ou se submeter ao controle extremista. Organizações religiosas afirmam que comunidades cristãs passaram a ser alvo frequente de ataques, especialmente em áreas mais isoladas.
Desde o início da insurgência, milhares de pessoas morreram e mais de 1 milhão foram deslocadas. Militantes realizaram ataques contra aldeias, igrejas, escolas e prédios públicos, além de casos de sequestros e decapitações.
Analistas afirmam que fatores como pobreza, desemprego juvenil, fragilidade estatal e disputas em torno das riquezas minerais e do gás natural contribuíram para o avanço da violência em Cabo Delgado, uma das regiões mais pobres de Moçambique.
Entre 2020 e 2021, os ataques se intensificaram com a ocupação temporária de cidades estratégicas, incluindo Palma, próxima a grandes projetos internacionais de gás natural. A escalada da violência levou empresas estrangeiras a suspender operações e motivou uma resposta militar com apoio de tropas de Ruanda e de países da África Austral.
Embora parte das cidades tenha sido retomada pelas forças militares, os ataques continuam em comunidades rurais.
- in Christian Daily
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