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11-06-2026 - Americanos saldam dívidas de Cristãos presos a trabalho escravo há décadas no Paquistão

Aaron Hutchings abraça idosa recém libertada. Foto Aaron Hutchings 

 

     Famílias cristãs são mantidas em trabalho forçado em olarias paquistanesas, presas a um sistema de escravidão moderna sustentado por dívidas.

     Dois Cristãos dos EUA viajaram ao Paquistão para ajudar famílias presas a um sistema de trabalho forçado em olarias, onde dívidas podem aprisionar gerações inteiras.

     A iniciativa resultou na libertação de famílias inteiras que viviam em condições comparadas à escravidão moderna.

     Aaron Hutchings, morador do estado de Idaho (EUA), visitou uma fábrica de tijolos no Paquistão em janeiro deste ano.

     Segundo relatou à Fox News Digital, ele ficou chocado ao encontrar crianças a trabalhar sob o sol intenso para ajudar a saldar débitos acumulados pelas suas famílias ao longo de décadas.

     Poucas horas após chegar ao local, Hutchings saldou as dívidas de duas famílias cristãs e ajudou-as a deixar a olaria, quebrando a “maldição que eles têm há centenas de anos.”

     Sobre o êxito na ajuda a esses escravos, Hutchings declarou que “a mão de Deus estava nisso”.

 

Presos a um ciclo de dívidas

     Segundo Emma Hall, pesquisadora especializada em perseguição religiosa da organização Open Doors [Postas Abertas] Reino Unido e Irlanda, até um milhão de cristãos no Paquistão podem estar submetidos a trabalho escravo ou servidão.

     Esse número representaria cerca de 30% da comunidade cristã do país, estimada em 3,3 milhões de pessoas no censo de 2023, o que corresponde a 1,37% da população paquistanesa.

     Segundo ela, muitas famílias recorrem a empréstimos para custear despesas médicas, alimentação ou emergências. No entanto, os sistemas de pagamento são estruturados de forma que a dívida se torne praticamente impossível de ser saldada, perpetuando a dependência dos trabalhadores em relação aos proprietários das olarias.

 

‘Nunca vi tanta falta de esperança’

     Outro americano comprometido com esta causa, Emmanuel Hernandez, afirmou ter conhecido a realidade dos Cristãos paquistaneses durante uma viagem ao país.

     O primeiro contacto com trabalhadores submetidos à servidão por dívida marcou-o profundamente.

 

família de tijoleiros conversa com o americano Aaron Hutchings

Uma família de tijoleiros conversa com o americano Aaron Hutchings instantes antes de saber que será libertada das dívidas. (Foto: Aaron Hutchings)

     “Nunca na minha vida vi tanta falta de esperança”, disse ele à Fox News Digital. “Naquele momento, assumi o compromisso de resgatar uma família por ano pelo resto da minha vida.”

     Em janeiro de 2025, Hernandez fundou a organização sem fins lucrativos Project Jubilee.

     Ele afirma que foi “pela graça de Deus” que as doações recebidas até agora permitiram libertar 300 paquistaneses da escravidão.

     Embora o Project Jubilee resgate qualquer pessoa presa em servidão, independentemente de raça ou religião, Hernandez afirma que “98% daqueles que conseguimos libertar são Cristãos, e isso porque, no país, eles acabam por ser tratados como cidadãos de segunda classe”.

 

Romper o ciclo

     Hernandez explica que o custo médio para ajudar uma família é de cerca de US$ 8.500, porque o Project Jubilee entende que a libertação do trabalho escravo exige muito mais do que simplesmente saldar dívidas – é preciso oferecer condições reais para que essas pessoas rompam o ciclo de servidão.

     “O nosso objetivo é que eles tenham sucesso na vida e garantam que nunca mais voltem”, explicou.

     Para isso, Hernandez e a sua equipa contratam advogados para cuidar da documentação e oferecem a cada família dois meses de aluguer e alimentação. Também ligam-nas a um ministro local, financiam a ida das crianças à escola e compram um tuk tuk – mototáxi que pode ser usado como fonte de rendimento.

     Ele afirma que, na maioria das vezes, os donos das fábricas aceitam a libertação após o pagamento das dívidas, ainda que a contragosto. Em outros casos, porém, impõem limites ao número de famílias que podem ser resgatadas por mês ou avisam que o grupo “não deve voltar”.

 

Unidos pela mesma causa

     Hutchings encontrou o perfil de Hernandez online no fim de 2025 e enviou uma mensagem pedindo para se juntar ao trabalho. Aposentado da área de TI, ele descreve-se como “um tipo comum que queria ajudar as pessoas”.

     Depois de uma breve conversa por telefone, Hernandez convidou Hutchings para acompanhá‑lo numa viagem ao Paquistão em janeiro – convite que ele aceitou.

     Durante a visita, Hutchings libertou duas famílias e contou que “acabou por ficar viciado” na experiência.

     Ele admite que o processo é profundamente emocional: “Isso muda o futuro de uma família inteira por gerações”, afirmou.

 

Liberdade

     Hutchings contou que é especialmente marcante ver como a liberdade transforma a vida das crianças.

     “Podemos perguntar: ‘O que queres ser quando cresceres?’”, disse ele. “Muitas vezes, elas nunca pensaram nisso. Estão acostumadas a imaginar que serão operárias de tijolos por toda a vida, como seus pais.”

     Hutchings criou a sua própria organização sem fins lucrativos, a Intentional Faith Foundation, que hoje utiliza para arrecadar doações de pessoas interessadas em ajudar a libertar mais pessoas da escravidão.

     Poucos meses após a primeira viagem, Hutchings voltou ao Paquistão em maio para libertar mais dez famílias. Depois que o vídeo da visita viralizou, ele contou que a sua organização recebeu doações suficientes para resgatar mais uma família da escravidão.

 

Fiscalização fraca

     Hall explica que a prática da escravidão sob garantia foi oficialmente proibida no Paquistão em 1992, mas “a fiscalização continua fraca”. A discriminação, porém, vai além do ambiente de trabalho.

     Em 2025, a Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional registrou “ataques recentes e crescentes contra minorias religiosas” no país, incluindo a comunidade cristã.

 

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Nascidas em trabalho por dívida no Paquistão, crianças precisam virar tijolos sob o sol escaldante nos arredores de Lahore. (Foto: Aaron Hutchings)

     Durante a visita mais recente, Hutchings soube que encontrar moradia era um grande desafio, já que muitos proprietários se recusavam a alugar a Cristãos.

     Com o apoio de um grupo cristão paquistanês que acompanhava as famílias, foi possível garantir casas e empregos para os pais, além de um professor para as crianças – a maioria delas ainda analfabeta.

 

Direitos humanos

     Em um relatório de 2023, a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Paquistão apresentou uma série de recomendações para aliviar o sofrimento causado pelo trabalho em servidão, que ainda afeta cerca de três milhões de paquistaneses.

     Na introdução do documento, a presidente do órgão declarou: “É profundamente revoltante que, no século XXI, a escravidão persista na forma de trabalho forçado.”

     Entre as recomendações, estão a proibição do trabalho infantil nas olarias, o apoio para que os trabalhadores tenham acesso à Justiça e a criação de sindicatos para fortalecer a representação coletiva.

     O relatório também sugere registar todos os fornos de tijolos, ampliar o uso de máquinas automatizadas e incentivar compradores a adquirir produtos de fornos “que ofereçam um ambiente de trabalho seguro e digno”.

     Representantes do governo paquistanês não responderam às perguntas da Fox News Digital sobre a aplicação das leis contra o trabalho forçado nem sobre o tratamento dado aos ristãos no país.

     Tanto Hutchings quanto Hernandez afirmam não ter enfrentado qualquer tipo de complicação com o governo paquistanês enquanto trabalhavam para libertar trabalhadores de olarias.

     Para Hutchings, a experiência foi transformadora. “Olhando para trás, é difícil acreditar que tudo isso tenha sido aleatório. Creio que a mão de Deus esteve presente desde o início. E, embora façamos tudo isso para demonstrar o amor de Jesus por essas pessoas, acabamos por receber mais do que damos”, afirmou.

FOX News

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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