15-05-10 - Supremo Tribunal Americano fica sem nenhum protestante entre os seus membros
WASHINGTON, EUA — Pela primeira vez desde a sua criação pelos fundadores da nação americana, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos, maior instância judicial do país, não contará com nenhum protestante entre seus nove magistrados, com mandato vitalício.Se o nome de Elena Kagan, uma judia, escolhido na segunda-feira pelo presidente Barack Obama, for confirmado pelo Senado, ela se somará a outros dois magistrados judeus e seis católicos. Uma situação que poderia fazer revirar na tumba os puritanos peregrinos do Mayflower, considerados os fundadores da América anglófona em 1620.
Mas para Frances Kissling, pesquisadora do Centro de bioética da Universidade da Pensilvânia, a evolução da composição do Supremo Tribunal é um reflexo natural da mudança demográfica da sociedade americana.
"A maioria dos nossos presidentes, dos nossos juízes, dos que decidem, foram protestantes, mas isso muda e agora temos um presidente com raízes cristãs e muçulmanas, e um Supremo Tribunal composto por seis católicos e agora três judeus", disse à AFP. "
Não faz tanto tempo, uma situação parecida era impensável.
Judeus e católicos lutaram contra a discriminação nos Estados Unidos, que impunha cotas para limitar o seu número em alguns empregos jurídicos e nas universidades. "Antes da década de 1970, não conseguiam ir muito longe na profissão jurídica para não figurarem entre os potenciais candidatos ao Supremo Tribunal ", observou Kissling.
Foi preciso esperar até 1961 e John Kennedy para que um católico chegasse à Casa Branca.
Segundo uma pesquisa publicada em 2008 pelo instituto de estudos Pew Research, 51% dos americanos são protestantes; muito menos do que na década de 1960, quando representavam dois terços da população.
Os católicos representam pouco menos de um quarto dos americanos e os judeus, apenas 2%.




