16-03-10 - Suicídio é a causa de morte não-natural mais comum em Portugal
Os óbitos por lesões autoprovocadas intencionalmente ultrapassaram as mortes na estrada. Porém, há falhas nos registos destes números - o que significa que são superiores aos registados. Em 2008 registaram-se 1035 suicídios em Portugal, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). No mesmo ano, o Ministério da Administração Interna refere que terão ocorrido 776 mortes na estrada, na sequência de acidentes de viação. O suicídio consolida-se, desta forma, como a principal causa de morte não-natural. O fenómeno verifica-se desde há poucos anos e justifica-se com o aumento do número de óbitos por lesões autoprovocadas intencionalmente, mas, sobretudo, com uma diminuição nos números oficiais das vítimas mortais em acidentes de viação. No entanto, os especialistas alertam que podem existir falhas importantes no registo destes números.
Estes são os números crus. Mas os vários especialistas contactados pelo PÚBLICO referem que, dificilmente, estes serão os números reais. Segundo argumentam os profissionais de saúde mental, faltará contabilizar alguns dos registo efectuados pelo INE ao abrigo da "mortalidade por sintomas, sinais, achados anormais e causas mal definidas". É que, explicam, algumas das mortes de causa indeterminada poderão ser atribuídas a suicídio. Segundo o INE, mais uma vez, a taxa deste tipo de mortalidade sem uma causa definida em 2008 ascende aos 64,5 por cem mil habitantes, enquanto, no mesmo exercício estatístico, os suicídios se ficam pelos 7,9 por 100 mil habitantes.
Por outro lado, o registo das vítimas mortais em acidentes de viação também poderá estar aquém do que realmente se passa nas estradas do país. É que apenas este ano começou a contar para as estatísticas o número de vítimas com ferimentos graves que acabam por morrer no hospital nos 30 dias seguintes ao acidente de viação. É a chamada contagem "de mortos a 30 dias" adoptada internacionalmente. Até agora, oficialmente, as autoridades portuguesas contabilizavam apenas os mortos no local do acidente ou a caminho do hospital. Para obter um total mais fidedigno e próximo da União Europeia, onde já se registam os "mortos a 30 dias", as autoridades acabam por aumentar o valor em 14 por cento.
A taxa oficial de suicídio em Portugal está dentro da média europeia. Nos anos 90 notou-se um decréscimo do número de suicídios, que chegaram aos 519 em 2000 (o mais baixo valor registado desde 1960). Hoje, são o dobro. Segundo os dados oficiais, há países europeus com taxas bastante mais elevadas, como é o caso, por exemplo, dos países de Leste ou a Alemanha. No Sul da Europa, Portugal surge nos países com mais alta taxa, em grande parte devido ao elevado número de suicídios de idosos, a sul do Tejo. Os homens suicidam-se mais do que as mulheres e se o género feminino opta por intoxicação medicamentosa, o masculino parece preferir métodos mais violentos como o enforcamento, as armas de fogo ou, sobretudo nas zonas rurais, o envenenamento com pesticidas. Mas será na adolescência que se registam mais tentativas de suicídio.
Bíblia tem a solução para os que são tentados a suicidarem-se:
Jesus disse: "Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei ... e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11:28,29).




