08-08-13 - Igreja na China: Samuel Lam promovido à glória
Todos os domingos, após o culto, ele convidava visitantes estrangeiros para a sua sala e, sem dar muita atenção às perguntas que ouvia, começava a contar-lhes a história da sua vida, a qual ele resumia como um "princípio sagrado".Samuel Lam (ou: Lin Xingian, em chinês) nasceu nma área montanhosa, com vista para Macau. Cresceu sob ensinamentos Cristãos; o seu pai pastoreava uma pequena Igreja Batista. Lam foi preso durante umas das primeiras ondas de perseguição religiosa na China de Mao Tsé Tung e permaneceu detido de 1955 a 1957. As autoridades chinesas sentenciaram a sua segunda prisão em 1958. Ele passou 20 anos em campos de trabalho forçado, onde serviu, principalmente, em minas de carvão. Apesar das punições, Lam continuou a ensinar a Palavra de Deus.
A principal razão pela qual Lam foi alvo de hostilidades do governo foi a sua recusa em unir a igreja ilegal, que comandava, ao Movimento Patriótico das Três Autonomias ligado à Igreja Protestante liderada pelo Estado. O governo usou esse movimento para proibir os líderes Cristãos de pregar sobre a segunda vinda de Cristo e barrar o ensino de valores bíblicos aos menores de 18 anos. A China fez a Igreja evoluir em torno do nome do Estado, não de Deus.
Em 1979, Lam reiniciou a igreja em 35 Da Ma Zhan, cidade situada em Guangzhou. A congregação cresceu rapidamente, por isso, a igreja moveu-se para um prédio maior, na mesma cidade. Hoje em dia, a igreja urbana fundada por Lam ainda não está registada, mas é tolerada pelas autoridades. A igreja tem cerca de quatro mil participantes nos cultos semanais. Os cultos são celebrados em quatro horários distintos.
O ministério de Lam foi um desafio para o governo, os participantes da sua igreja, com igualmente para outros Cristãos dentro e fora da China. Ele ensinou que os Cristãos devem obedecer ao governo, a menos que os líderes se posicionem em oposição direta a Deus através da aplicação da lei. Ele costumava dizer que "As leis de Deus são mais importantes que as leis dos homens".
O sofrimento desempenhou um papel de extrema importância em muitos sermões do pastor Lam. Ele é famoso por repetir: "Quanto maior a perseguição, maior o crescimento". Essa frase não tinha apenas a ver com o número de Cristãos, mas também com o crescimento espiritual da Igreja. "Eu posso entender as vitórias e as derrotas que acumulamos em determinado trabalho. Deus ensinou-me que resmungando não resolverei nada. Não falando contra Deus ou contra aqueles que me perseguiram. A minha querida esposa morreu enquanto eu estava na prisão. Eu não tive permissão para estar no seu funeral. Foi como uma flecha do Todo-Poderoso, até que eu entendi: Deus permite a dor, a perda, a tortura, mas devemos crescer através de tudo isso", disse Lam certa ocasião.
O pastor sempre foi cauteloso sobre o governo. Mesmo sendo ilegal, a sua congregação não foi invadida nos últimos anos. Ele alertou sempre: "Devemos estar preparados para sofrer. Devemos estar preparados para o facto de que podemos ser presos. Antes de ser enviado para a prisão, eu já havia preparado uma mala com algumas roupas, sapatos e uma escova de dentes. Quando eu tivesse que ir para a esquadra da polícia, eu poderia simplesmente pegar nela e sair. Eu estava pronto. As pessoas ainda estão a ser presas. Não sabemos o que vai acontecer amanhã. Hoje, as autoridades não estão a incomodar-nos. Mas amanhã as coisas podem ser diferentes. Oro para que recebamos força para nos mantermos firmes até ao fim."
Nas décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000, Lam provou ser um parceiro confiável para a Portas Abertas. Através dos seus contactos na China, mais de 200 mil exemplares de literatura Cristã foram entregues aos Cristãos chineses.
A morte de Samuel Lam deixa um espaço vago na Igreja chinesa. Juntamente com outros heróis da fé, como Wang Mindao e Allen Yuan, ele simbolizava a fé corajosa de uma Igreja que cresceu a uma velocidade sem precedentes na história mundial. Com certeza, muito tempo depois da sua morte continuará a ser dito em muitas igrejas que a perseguição só tem um resultado: crescimento.




