Cristo e a mulher adúltera (João 8:1-11) é um texto inspirado

 

JOÃO 8

 

 

     A passagem em apreço tem sido tema de controvérsia. A sua autenticidade tem sido questionada por homens infiéis. João 7:53 a 8:11 (inclusive) tem sido deixado de fora de muitas versões da Bíblia, especialmente modernas (mais uma razão para se estar de pé atrás com as Bíblias ditas de modernas), com o falso argumento de que este texto não aparece em vários dos mais importantes antigos manuscritos. Estas versões modernas costumam ter uma nota de rodapé a dizer isso mesmo. Pessoalmente não temos a menor dúvida, de que este texto faz parte da Palavra de Deus  inspirada, e isso pelas seguintes razões:

     Primeiro, se esta passagem fosse espúria, então a leitura passaria diretamente de João 7:52 para 8:12. Tente fazer isso e observe o resultado; e depois leia tudo com a passagem toda incluída. O que lhe parece ser mais natural e lógico?

     Em segundo lugar, se omitirmos os primeiros onze versículos de João 8 e começarmos o capítulo com o versículo 12, várias questões surgirão inevitavelmente e serão muito difíceis de responder de forma satisfatória. 

     Por exemplo: “Falou-lhes, pois, Jesus, outra vez, dizendo:” (ver. 12) - quando? Na segunda parte de João 7 não há uma resposta satisfatória que possa ser encontrada. Porém coloquemos João 8:1-11 em no seu devido lugar, e a resposta é patente. "Falou-lhes, pois, Jesus, outra vez, dizendo" (versículo 12) - a quem? Volte para a segunda metade de João 7 e veja que não há resposta. Mas vê a resposta em João 8:2 tornando tudo simples e claro. Mais, no versículo 13 lemos: "Disseram-lhe, pois, os fariseus” - isto foi no templo (versículo 20). Mas como é que os fariseus chegaram lá? João 7:45 mostra-os em outro lugar. Porém coloquemos João 8:1-11 e esta dificuldade desaparece, pois João 8:2 mostra que isso foi no dia seguinte.

     Em terceiro lugar, o conteúdo de João 8:1-11 está totalmente de acordo com o plano evidente desta seção do Evangelho. O método seguido nestes capítulos é muito significativo. Em cada caso, encontramos nos registos do Espírito Santo algum incidente marcante na vida de nosso Senhor, que serve para apresentar e ilustrar o ensino que o segue. No capítulo 5, Cristo vivifica o homem impotente, e faz desse milagre o texto do sermão que Ele pregou imediatamente depois.

     Em João 6, ele alimenta a multidão faminta e logo depois faz os dois discursos concernentes a Si mesmo como o pão da vida. Em João 7, a recusa de Cristo em subir à festa para manifestar pública e abertamente a Sua glória, é o pano de fundo para a maravilhosa palavra da futura manifestação do Espírito Santo por meio dos crentes - emitindo deles como “rios de água viva”. E o mesmo princípio pode ser observado aqui em João 8. Em João 8:12 Cristo declara: “Eu sou a luz do mundo”, e os primeiros onze versículos fornecem-nos uma ilustração impressionante e demonstração solene do poder dessa “luz”. Assim, pode ser visto que está ali um elo indissolúvel entre o incidente registado em João 8:1-11 e o ensino de nosso Senhor imediatamente seguinte.

     Finalmente, ao examinarmos esses onze versículos e estudarmos o seu conteúdo, procurando sondar as suas profundezas maravilhosas, é evidente, acreditamos, que nenhuma pena não inspirada desenhou o quadro neles descrito. A evidência interna, então, e as indicações espirituais (apreendidas e apreciadas apenas por aqueles que entram nos pensamentos de Deus) são muito mais importantes do que as considerações externas. Aquele que é conduzido e ensinado pelo Espírito de Deus não precisa de perder tempo valioso examinando manuscritos antigos com o propósito de descobrir se esta porção da Bíblia é realmente uma parte da própria Palavra de Deus.

     A nossa passagem enfatiza mais uma vez a condição abjeta de Israel. O Espírito Santo chama a nossa atenção repetidas vezes para o estado horrível em que Israel estava durante os dias do ministério terreno de Cristo. No capítulo 1, vemos a ignorância dos Judeus quanto à identidade do precursor do Senhor (João 1:14), e cegos para o Presença Divina no seu meio (João 1:26). No capítulo 2, vemos ilustrado o estado triste da nação, e é mostrado como a nação profanou a Casa do Pai. No capítulo 3, vemos um membro do Sinédrio morto em delitos e pecados, em necessidade de novo nascimento (João 3:7), e os judeus discutindo com os discípulos de João sobre a purificação (João 3:25). No capítulo 4, descobrimos a indiferença insensível de Israel para com seus vizinhos gentios - “os Judeus não se comunicam com os Samaritanos” (João 4:9). No capítulo 5, temos um retrato do povo de Deus da aliança na grande multidão de gente impotente, paralisada,“cega, ressicada e manca”. No capítulo 6 eles são representados como famintos, mas sem apetite pelo Pão da vida. No capítulo 7, os líderes da nação enviam oficiais para prender Cristo. E agora no capítulo 8, Israel é considerada a esposa infiel de Jeová - “adúltera”.

     “Jesus foi para o Monte das Oliveiras” (João 8:1). Isso aponta um contraste do versículo final do capítulo anterior. Ali nós lemos que todo homem foi cada um para sua própria casa. Aqui é-nos dito: "Jesus foi para o Monte das Oliveiras."

     Acreditamos que este contraste transmite um pensamento duplo, em harmonia com o caráter peculiar deste quarto Evangelho. Ao longo de João duas coisas sobre Cristo tornou-se proeminente: a Sua glória essencial e a Sua humilhação voluntária.

     Aqui, o Espírito Santo apresenta-O a nós como o eterno Filho de Deus, mas também como o Filho que desceu do Céu, feito carne. Assim, somos dados a ver, por um lado, a Sua singularidade, a Sua excelência incomparável; e por outro, a profundidade de vergonha a que Ele desceu. Frequentemente, as duas coisas são colocados quase lado a lado. Assim, no capítulo 4, lemos sobre Ele, “cansado do caminho” (versículo 6); e depois, nos versículos que se seguem, as Suas glórias divinas brilham. Outros exemplos ocorrerão ao leitor. Então aqui na passagem diante de nós. “Jesus foi para o monte das Oliveiras” (seguindo-se a João 7:53) sugere a elevação de Cristo.

     Mas, sem dúvida, também fala da humilhação do Salvador. As raposas tinham covis, e os pássaros do céu tinham ninhos, mas o Filho do homem não tinha onde reclinar a Sua cabeça (Mateus 8:20): portanto, quando "cada um ia para sua casa”, “Jesus foi para o Monte das Oliveiras”, pois Ele “não possuía” nenhuma “casa” aqui.

     Aquele que era rico por amor de nós Se tornou pobre.

     “E, pela de manhã cedo, tornou para o templo” (João 8:2). Não há nada de supérfluo nas Escrituras. Cada uma destas cenas foi desenhada pelo Artista Celestial, para que possamos ter plena certeza de que cada linha, não importa quão pequena, tem significado e valor. Se mantivermos firmemente diante de nós o tema deste quadro seremos os mais capazes de apreciar as suas cores variadas. O tema do nosso capítulo é o resplendor da Luz da vida. Quão apropriado então é esta palavra de abertura: o início da "manhã" é a hora que introduz a luz do dia! "E, pela manhã cedo, tornou para o templo”.

- A. W. Pink

NOTA:

Há muito que publicámos aqui artigos sobre os manuscritos ditos mais antigos e fiéis, que realmente são espúrios, e onde assentam muitas das traduções modernas da Bíblia que não são dignas de confiança, sendo mesmo perigosas pela sua infidelidade. Para quem quiser aprofundar este tema remetemos a seguir as ligações para esses artigos.

Bíblia e "bíblias" ...

Bíblia Brasileira - Por Stuart McNair

Ainda sobre as versões da Bíblia

Sermões e Estudos

Fernando Quental
A diferença Divina

Tema abordado por Fernando Quental em 24 de janeiro de 2021

Carlos Oliveira
Uma mensagem imoral - Parte II

Tema abordado por Carlos Oliveira em 22 de janeiro de 2021

Alberto Veríssimo
Escolhas e Decisões

Tema abordado por Alberto Veríssimo em 17 de janeiro de 2021

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 3:17 em 20 de janeiro de 2021

 
ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário