Escolasticismo – ou formação teológica em seminários e escolas bíblicas

 

Filosofia Escolástica - Toda Matéria

 

     O apóstolo João disse aos crentes que eles não precisavam do tipo de ensinadores escolásticos1. O escolasticismo sem espiritualidade bíblica pode ser uma maldição (1Cor. 1:19-21, 26-29; Col. 2:8; 1Tim. 6:20-21). 

     Alguns, inebriados com o escolasticismo chegam a torcer as Escrituras. Nós não precisamos do tipo de escolasticismo que torce e distorce as Escrituras até, como disse Spurgeon, já não haver mais suficiência para fazer sopa destinada a um gafanhoto doente. Dispensamos os "especialistas", por exemplo, que nos dizem que a Bíblia contém a palavra de Deus ou que se torna Palavra de Deus na experiência pessoal, mas que não é a Palavra de Deus. 

      Não devemos seguir cegamente um homem só porque ele tem a reputação de ser um escolástico. Ele pode começar bem, escrevendo livros defendendo a inspiração verbal e plenária das Escrituras. No entanto, para ser aceite pelos intelectuais, ele pode começar a fazer concessões e falar em tom de dúvida e de negação. Todos os homens e todos os seus ensinamentos devem ser constantemente testados pelas sagradas Escrituras.

     Aqueles que querem ser escolásticos enfrentam o perigo do orgulho de posição. William Kelly escreve: “Não há homens menos confiáveis do que os meros escolásticos, porque, sendo escolásticos, eles são naturalmente propensos a se orgulhar do seu escolasticismo; e tudo aquilo de que nos orgulhamos é exatamente aquilo em que Deus nos humilhará. Eis o erro que os Cristãos costumam cometer. Eles supervalorizam frequentemente o conhecimento de um pouco de Grego ou menos de Hebraico. Confie no facto de que conhecer bem a Bíblia na sua língua nativa (Português no nosso caso) é muito melhor do que conhecer um pouco de Grego ou Hebraico; e eu raramente descobri que conhecer um pouco dessas línguas tenha qualquer outro efeito ordinário do que proporcionar uma boa dose de presunção. Isso permite que as pessoas falem sobre pontos complicados, especialmente aos que não os entendem; e não acho que seja lucrativo para qualquer das partes”.2

     Em outro lugar ele diz: “A suposição de que, porque um homem é um escolástico profundo, é um expositor seguro das Escrituras, é um grave erro.”3 Vance Havner escreveu: “O conhecimento da cabeça é útil, mas a menos que seja santificado pelo Espírito Santo, pode ser a coisa mais perigosa do mundo.”4

     Quando é que os defensores de seminários e escolas bíblicas aprenderão que a piedade profunda, combinada com a capacidade divina de ensinar a Palavra de forma transformadora, é mais importante do que os diplomas emitidos por uma agência humana certificadora?

     Quando aprenderemos que Deus, tipicamente, desvaloriza as grandes pessoas do mundo e usa ninguéns? “Sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias” (Lucas 3:2).  

     Havner disse, "A mão de Deus troca muitas vezes os sábios, poderosos e nobres por um Moody ou um Billy Sunday. . . que não tinham instrução teológica”.5

     O Dr. Jowett disse de Moody: “A sua excelência estava num vaso de barro e muitos doutorados em teologia interrogavam-se sobre esta estranha associação. Havia milhares de oradores mais eloquentes do que Moody, mas o tesouro não residia neles em glória avassaladora. Moody pode ter sido ignorante, sem instrução e sem jeito para falar em público, mas quando ele falava, o poder de um mundo invisível parecia cair sobre a audiência.6

     Richard Foster escreveu de forma similar: “Ao longo do Livro de Atos, vemos repetidamente o choque entre autoridades sem poder e o poder sem autoridade. A autoridade de Pedro, João e os outros era chocante para todos, porque eles não tinham credenciais de autoridade humana. Eles não tinham graduação, nem títulos que os distinguissem, nem homologação humana. Porém, como a sua capacidade (poder) vinha de Deus, a autorização humana era irrelevante”.7

     T. Robertson acrescenta o seu testemunho: “Não nos devemos esquecer que Jesus escolheu os Seus apóstolos dos pescadores e artesãos não-escolarizados da Galiléia, exceto Judas, o Judeu. Este passou pelos seminários teológicos rabínicos, onde o impulso religioso havia morrido e o pensamento se tinha cristalizado".8

     Pouco antes da sua morte, A. W. Tozer escreveu sobre a ameaça feita ao mundo cristão por homens que se apresentam como escolásticos: “No mundo ocidental, o inimigo renegou a violência. Não chega mais a nós com espada ou pau, mas vem sorrindo, trazendo presentes. Ergue os olhos para o Céu e jura que também acredita na fé dos nossos pais, porém o seu verdadeiro propósito é destruir essa fé, ou pelo menos modificá-la de tal forma que não seja mais o sobrenatural que foi antes. Vem em nome da filosofia, da psicologia ou da antropologia, e com uma doce racionalidade impele-nos a repensar a nossa posição histórica e a sermos menos rígidos, mais tolerantes e mais amplamente condescendentes".9

     Os verdadeiros escolásticos não se gloriam nas suas realizações nem chamam a atenção para seus graus académicos. Em vez disso, colocam todas essas coisas com adoração aos pés do Salvador. E reconhecem alegremente, como os santos piedosos sempre fizeram, que eles não são nada, além de servos de Jesus Cristo que têm sempre muito para aprender.

     Notemos o que disse o Apóstolo Paulo, porventura, o maior escolástico cristão de todos os tempos:“A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder”(1 Cor. 2:4).

- William MacDonald

(Tradução e adaptação de C.M.O.)

1 Escolástica, também chamada de Filosofia Escolástica, é um método ocidental de pensamento que concilia a fé Cristã com pensamos racionais (Nota do Tradutor).

2 Daniel’s Seventy Weeks, Denver: Wilson Foundation, n.d., p. 13.

3 Isaiah, Oak Park, IL.: Bible Truth Publishers, 1978, p. 210.

4 Hearts Aflame, Westwood, N.J.: Fleming H. Revell Co., 1952, p. 69.

5 Lord of What’s Left, Grand Rapids: Baker Book House, 1982, p. 19.

6 Quoted in Herald of His Coming, Feb. 1989, p.1.

Money, Sex and Power, San Francisco: Harper and Row, 1985, pp. 215-216.

8 The Glory of the Ministry, N.Y.: Fleming H.Revell Co., 1911, p. 153.

9 Quoted in MASTERPIECE Magazine, Nov./Dec. 1990, p. 23./Dec. 1990, p. 23.

 

 

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