O proveito ou utilidade dos dons espirituais

Entendendo bem os dons do Espírito Santo à luz da Palavra bem menajeda

 

 

NOTA: não deixes de ler e estudar bem este assunto em que há tanta ignorância na Cristandade.

 

“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (1 Cor. 12.1).

     Muitos Cristãos estão duvidosos sobre a definição precisa de um dom espiritual. Um dom espiritual é um talento ou capacidade especial que é dado aos homens, separado e distinto de qualquer talento ou capacidade natural que eles possuam. Ou seja, embora às vezes digamos que alguém tem “dom para a música”, não é isso que a Bíblia quer dizer quando fala em “dons espirituais”.

     Para definir “dons espirituais”, precisamos empregar “a lei da primeira menção”, o princípio de estudo da Bíblia que afirma que a primeira ocorrência bíblica de uma palavra, frase ou ideia geralmente define a palavra, frase ou ideia e estabelece o tom do seu uso nas Escrituras. O primeiro dom espiritual dado foi o dom de "línguas", definido para nós em Atos 2 como a capacidade de falar instantânea e fluentemente num idioma conhecido e identificável que não fosse a língua nativa (Atos 2: 4-11). Assim, enquanto “um músico talentoso” tem que trabalhar muito para desenvolver o seu dom, um dom espiritual é um dom sobrenatural do Espírito Santo que não requer tal desenvolvimento. É a convicção deste escritor que todos os dons espirituais cessaram com a conclusão da Palavra de Deus, exatamente como Paulo previu que aconteceria (1 Cor. 13:8-10).

     Paulo começa a sua discussão sobre dons espirituais com uma observação aparentemente não relacionada:

 

"Vós sabeis que éreis Gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados" (1 Cor. 12:2).

     Paulo lembra aqui aos Coríntios que eles costumavam ser adoradores de ídolos, que os Gentios tinham uma propensão natural para se deixarem levar pela idolatria. Apesar de à superfície isto parecer não ter nada a ver com o assunto em questão, Paulo observou que os Coríntios haviam feito dos seus dons espirituais um deus, e ele está a destacar que eles agora estavam a ficar "fascinados" com os seus dons como costumavam ficar com os seus ídolos. O aviso de Paulo sobre isso é intemporal, pois quem pode negar que ainda hoje ainda há uma tendência entre pelo menos alguns dos nossos amigos Pentecostais para ficarem fascinados e empolgados pelo que consideram os seus dons espirituais.

     Porém, antes de julgarmos os Coríntios ou os nossos irmãos Pentecostais com demasiada severidade, devemo-nos lembrar que Paulo também nos adverte sobre “a avareza, que é idolatria” (Colossenses 3:5). Não é inconcebível que os crentes que sabem melhor do que se deixar fascinar por quaisquer dons espirituais inferidos possam, em vez disso, ser encontrados a prestar adoração semelhante ao “todo-poderoso dólar” e a todas as coisas materiais que ele pode comprar. Que cada um de nós examine o seu coração para ver se vive na “casa de vidro” da avareza ou cobiça antes de pensar em atirar pedras aos Pentecostais devido à sua adoração idólatra dos dons espirituais imaginados.

 

“Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema; e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo” (1 Cor. 12: 3).

     Esta também é uma afirmação intrigante à luz do contexto. Porque é que os Coríntios precisavam que lhes fosse dito de que nenhum homem que falasse pelo Espírito diria que o Senhor Jesus é anátema ou O amaldiçoaria? Nós cremos que foi por causa da forma convincente com que estava a ser amaldiçoado. Cremos que Ele estava a ser amaldiçoado nas  línguas.

     Satanás é o grande imitador de Deus, imitando o Todo-Poderoso de todas as formas. Quando Deus teve profetas, Satanás teve “falsos profetas” (2 Pedro 2: 1). Quando Deus teve apóstolos, Satanás teve “falsos apóstolos” (2 Cor. 11:13). Quando o Espírito de Deus habitou os homens e os fez falar em línguas, Satanás aparentemente se opôs, enchendo os homens de espíritos malignos que também falavam em línguas. Esses demoníacos falavam fluente e convincentemente em línguas estrangeiras, mas Paulo aqui lembra aos Coríntios que o conteúdo das suas declarações os identificaria como homens que estavam a falar por um espírito que não o Espírito de Deus.

     Não queremos sugerir a partir daqui que o dom moderno das línguas é satânico; de facto, cremos muito pelo contrário. Visto que nesta dispensação Deus “cessou” de dar o dom de línguas, Satanás não está mais a tentar falsificar esse dom. Como hoje em dia nenhum homem tem a milagrosa capacidade dada por Deus para falar numa língua estrangeira, Satanás não está a capacitar ninguém para fazer o mesmo. Acreditamos que a tagarelice que hoje passa pelo dom de línguas nada mais é do que o produto emocional da carne religiosa dos homens.

 

“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (1 Cor. 12:4-6).

     Notou que Paulo aqui menciona cada membro da Trindade? Ele diz que os dons espirituais pertencem ao Espírito, são administrados pelo Senhor Jesus, mas é Deus Pai que opera nos que recebem os dons. O ponto de Paulo aqui era tentar impressionar os Coríntios como os membros da Trindade operaram conjuntamente em gloriosa harmonia ao dar os dons. Isso contrastava totalmente com a forma discordante com que os Coríntios tinham recebido os dons! Havia tudo menos harmonia no modo egoísta com que eles estavam a gloriar-se nos seus dons ou a invejar os dons dos outros. Assim, o pecado estava a tomar os dons que foram projetados por Deus para os aproximar e a usá-los para os afastar.

     É sempre este o efeito do pecado em tudo o que Deus dá para nos aproximar. O casamento, por exemplo, está certamente concebido por Deus para aproximar duas pessoas, mas todo o ministro que tem feito algum aconselhamento sabe como o pecado pode fazer com que o casamento afaste duas pessoas. O governo humano também está concebido por Deus para reunir as pessoas, mas quem pode argumentar que algumas das guerras mais sangrentas que já se travaram foram as guerras civis ou revolucionárias que colocaram irmão contra irmão. Finalmente, a igreja local está certamente concebida por Deus para aproximar os crentes, mas temos que admitir tristemente que algumas das mais amargas animosidades encontradas em toda a parte estão presentes em muitas divisões da igreja. A solução é que os crentes manifestem uns aos outros a graça incondicional e a aceitação que Deus nos estende a nós (Efé.  4:32; Col. 3:13).

 

“A cada um, porém, é dada a manifestação do espírito para proveito” (1 Cor. 12:7 TB). “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil” (1 Cor. 12:7 RC).

     Os dons do Espírito foram dados para seu “proveito”, espiritualmente. Mas não se deve presumir que, quando Deus fez cessar os dons espirituais, ele deixou o Corpo de Cristo sem um recurso para nosso proveito espiritual contínuo. Em 2 Timóteo 3:16, Paulo nos diz que “toda a Escritura (...) é proveitosa”. O “proveito” proporcionado aos Coríntios pelos seus dons espirituais é agora proporcionado aos crentes pela Palavra de Deus. É por isso que a cessação dos dons espirituais coincidiu com a conclusão da perfeita Palavra de Deus.

     Nós vemos uma ilustração vívida disso no milagre da “coluna” que levou Israel através do deserto até à terra prometida. A coluna foi mencionada pela última vez quando eles acamparam tendo Canaã à vista. Depois de os conduzir pelo deserto, parecia que o objetivo da coluna havia expirado e, portanto, foi obviamente retirada. No entanto, pode realmente ser dito que o povo de Israel não precisava mais da orientação de Deus individualmente e como nação? Certamente que não! É por isso que a coluna não foi simplesmente retirada, mas substituída de forma simbólica e literal pela Palavra de Deus. A coluna foi vista pela última vez “sobre a porta da tenda” (Deu. 31:15). Nove versículos depois, Moisés “terminou” o Livro da Lei e colocou-o dentro do tabernáculo na arca da aliança (Deu. 31: 24-26). A partir de então, o povo de Israel não seguiu mais a coluna sobrenatural, mas seguiu a arca que continha a Palavra de Deus através de Moisés. Para onde quer que a arca se movesse, o povo deveria segui-la (Josué 3: 3,6,8,14-17). Este foi o modo simbólico de Deus ensinar-lhes que eles não seriam mais guiados por uma manifestação sobrenatural, mas pela Palavra de Deus escrita.

     E assim é com os dons espirituais. Quando Deus retirou os dons espirituais, Ele não nos deixou sem meio de proveito espiritual. Ele substituiu os dons espirituais pelas epístolas de Paulo, a Palavra de Deus para nós hoje. Nos escritos de Paulo, encontramos tudo o que precisamos para direção e "proveito" relativamente a nós na dispensação da Graça.

 

“Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência” (1 Cor. 12:8).

     Alguns em Corinto receberam um dom sobrenatural de sabedoria, semelhante ao dado a Salomão, mas pouca evidência precisa ser apresentada para provar que hoje nenhum homem tem um dom sobrenatural de sabedoria! Mas se os crentes hoje em busca de sabedoria não se podem voltar para um homem dotado com o dom de sabedoria, para onde eles se podem voltar? Para a Palavra de Deus! Paulo diz que “falamos a sabedoria de Deus oculta em mistério” (1 Cor. 2:7) e orou para que Deus nos desse “em Seu conhecimento o espírito de sabedoria e revelação” (Efé. 1:17).

     Este “espírito de sabedoria” é-nos dado para não nos incharmos com o conhecimento, mas para que possamos fazer algo com ele. Deus deu a homens selecionados em Israel “o espírito de sabedoria” (Êxo. 28:3) para ajudá-los a conceber as vestes de Arão e edificar o tabernáculo que deveria ser a morada de Deus (Êxo. 31:3 e seguintes). Da mesma forma, Deus dá-nos o espírito de sabedoria, não para nos inchar de orgulho, mas para edificarmos o Corpo de Cristo, a atual morada de Deus (1 Cor. 3:17; 1 Tim. 3:15).

     Temos que fazer aqui uma pausa no nosso exame destes dons individuais para reconhecer que há uma ordem na lista de dons como um todo. Paulo começa com o dom espiritual que é de maior estima aos olhos de Deus e termina com o dom que Ele menos considera. Ou seja, ele começa com o dom da sabedoria e termina com o dom de línguas (v. 10). Mas quando Paulo dedica um capítulo inteiro ao mau uso das línguas em Corinto (cap. 14), não é difícil concluir que os coríntios haviam revertido essa ordem ordenada por Deus e estimado o dom de línguas acima de todos os outros.

     Aliás, isto ajuda-nos a entender a declaração peculiar de Paulo em 1 Coríntios 6:4, onde ele diz aos Coríntios que, em vez de se levarem uns aos outros a tribunal, deveriam  pôr “na cadeira” para julgar “os que são de menos estima na igreja”. Longe de os instruir a permitir que homens de pouca argúcia ou não espirituais resolvessem as suas importantes disputas, Paulo está a lembrá-los que eles tinham homens com o dom da sabedoria no meio deles, que poderiam ser chamados a resolver as suas divergências legais. Sabemos disso porque Paulo prossegue, dizendo:

     “Para vos envergonhar o digo: Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?” (1 Cor. 6:5).

     Era uma “vergonha” os homens com o dom da sabedoria serem considerados os “de menos estima” entre eles, mas era um facto. Da mesma forma, é uma pena que hoje o dom de imitação de línguas seja mais estimado do que o conhecimento da “sabedoria de Deus oculta em mistério” (1 Cor. 2:7), mas isso também é um facto triste.

     O dom seguinte na lista de Paulo é o dom de “conhecimento, ou ciência” (1 Cor. 12:8) e fala de conhecimento da Palavra de Deus. Felizmente, embora o dom do conhecimento tenha sido retirado, o conhecimento da Palavra de Deus ainda está disponível para o povo de Deus através do estudo diligente das Escrituras. No entanto, se de facto esta lista é dada em ordem de prioridade, deve-se salientar que o conhecimento aqui ocupa o segundo lugar para se ter sabedoria aos olhos de Deus. Muitos Cristãos acham que o conhecimento da Palavra de Deus é o pináculo ao qual devemos aspirar, mas na mente de Deus a sabedoria, a aplicação do conhecimento da Bíblia, é “a coisa principal” (Pro. 4:7).

 

“E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar” (1 Cor. 12:9).

     O dom da fé que move montanhas, de que Paulo fala aqui e em 1 Coríntios 13:2, lembra-nos o tipo de fé que move montanhas, que o Senhor disse que era necessário para expulsar demónios (Mat. 17:18-20). A possessão demoníaca ainda era um problema na época da escrita de 1 Coríntios (cf. At. 19:15,16), e assim o dom da fé permitia que os coríntios expulsassem demónios e servissem ao Senhor de outras maneiras que eram específicas para aqueles dias e tempo no programa de Deus. Embora hoje não esteja disponível para os homens o dom sobrenatural da fé, Paulo diz que “a fé vem pelo ouvir e ouvir pela Palavra” (Rom. 10:17 TB). Na medida em que estudamos a Palavra de Deus e cremos nela, nessa medida poderemos servir a Deus da forma que é específica para nossos dias e tempo no programa de Deus, como proclamar a Sua Palavra pela fé (2 Cor. 4:13 ) e usar “o escudo da fé” para apagar “todos os dardos inflamados do maligno” (Efé. 6:16).

     O dom de “curar” permitia que o homem curasse “todos” os que estavam doentes (Atos 5:16). Quando os chamados “curadores/curandeiros” de hoje não conseguem demonstrar esse mesmo domínio completo sobre a doença, eles forçam-nos a concluir que não têm o dom de cura dado por Deus.

     Todavia, há um ministério de cura em que o nosso Senhor estava envolvido e no qual os crentes hoje podem participar alegremente. Lemos que o Senhor foi enviado para “curar os quebrantados do coração” (Lucas 4:18), e este é um ministério a que todo o crente deve aspirar. Este escritor recentemente participou no funeral de um Cristão que tirou a própria vida. Percebemos que alguns dos seus enlutados acreditavam no antigo mito de que os suicidas não podem ir para o Céu e, portanto, naturalmente ficaram com o coração partido pela perda do seu ente querido às suas próprias mãos. Foi nosso privilégio curar os quebrantados do coração naquele dia com o são ensino da segurança eterna do crente (Rom. 8:35-39; 2 Tim. 2:13).

 

“E a outro, a operação de maravilhas [ou, milagres]; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.” (1 Cor. 12:10).

     Um “milagre” nas Escrituras é uma “maravilha” ou um “sinal” (Atos 2:22), e os sinais miraculosos pertenciam a Israel (Sal. 74:9). Deus ensinou Israel a "pedir" sinais (1 Coríntios 1:22) e, em seguida, deu-lhes bastantes sinais que cobriram os muitos séculos em que Ele os tratou como nação. Agora que Deus colocou Israel como nação de parte, o dom de milagres foi removido.

     Para o leitor que lamenta a perda do dom de milagres, ou maravilhas, vejamos algumas das maneiras diferentes pelas quais Paulo usa a palavra Grega dunamis, aqui traduzida como "milagres, ou maravilhas". Esta palavra é traduzida por “poder” quando Paulo declara que “o Evangelho de Cristo” é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16). Portanto, os crentes de hoje ainda podem realizar o maior milagre de todos quando apresentam um pecador perdido ao Salvador. Dunamis também é traduzido por "poder" quando Paulo orou para que os Romanos abundassem “em esperança, pela virtude [ou, poder] do Espírito Santo" (Rom. 15:13). Quando um crente hoje consegue abundar em esperança, cheio “de todo o gozo e paz”, apesar das muitas adversidades esmagadoras e angústias da vida, isso é um milagre! Por fim, Paulo fala-nos de como os Macedónios contribuíram financeiramente para a obra do Senhor “acima do seu poder” (2 Cor. 8: 3). Isto levanta a questão, se eles deram acima do seu poder, que poder os impulsionou para dar tão maravilhosa e inexplicavelmente? Reconhecemos que somente o poder miraculoso de Deus pode fazer com que os crentes deem “riquezas da ... generosidade” de “profunda pobreza". Como se pode ver, o poder de fazer milagres de Deus hoje está centrado no coração e na mente do crente no Senhor Jesus Cristo, quando ele implementa a Palavra de Deus na própria estrutura dos detalhes da sua vida.

     “Profecia” é a capacidade de falar por Deus com autoridade, e muitas vezes envolve predizer o futuro, um dom que passou com a conclusão das Escrituras. Hoje Deus só fala através da Sua Palavra, e nós podemos falar por Ele e profetizar eventos futuros somente quando ensinamos a Sua Palavra. Mas apesar de o dom da profecia já ter passado, ainda há várias prenúncios, ou previsões, que podemos fazer com base nos princípios da Palavra de Deus. Por exemplo, ainda podemos prever as atividades do adversário, com base no seu modus operandi (ou, modo de atuar), o seu método de atuação, como revelam as Escrituras. Podemos predizer que Ele continuará a fazer com que o crente questione a Palavra de Deus, como fez com Eva (Génesis 3: 1). Ele até tentou essa tática com o próprio Senhor. Quando, no batismo de nosso Senhor, o Seu Pai declarou: “Este é o meu Filho amado” (Mateus 3:17), Satanás imediatamente procurou fazer com que Ele duvidasse da Palavra de Deus, dizendo: “Se Tu és o Filho de Deus ...” (Mateus. 4:3,6). E, portanto, um homem não precisa de ser profeta para prever que o nosso adversário continuará a empregar o método de ataque testado e factual que ele utiliza há seis mil anos, e que se deve estar de pré-aviso quanto a isto, e vigilante e precavido.

     Quando Paulo descreve “o dom de discernir espíritos”, ele usa uma palavra Grega que também é usada em 1 Coríntios 14:29, onde ele instrui os profetas, dizendo-lhes, “julguem”, ou seja, discernirem se eles estavam a falar pelo Espírito Santo ou por algum outro espírito. Nem todos os falsos profetas andavam a chamar ao Senhor Jesus de maldito, ou anátema, e o dom do discernimento era vital para se detetar os falsos profetas mais subtis. Mas, mais uma vez, não obstante o dom do discernimento ter passado, o crente hoje está completamente equipado com a Palavra de Deus para discernir o espírito por detrás de todo aquele que afirma falar por Deus.

     Em seguida, vem o dom de línguas. Hoje, os crentes não têm o poder miraculoso de falar nas diferentes línguas de “gente de outras línguas” (1 Coríntios 14:21), pois o dom de línguas foi removido. Mas, para quem suspira pelo poder de falar em línguas, convidamo-lo a considerar que ainda é possível falar claramente com homens de todas as línguas. É-nos dito que há certas línguas universais que transcendem todas as línguas humanas, como a música e a matemática, cujas notas e números são iguais em todas as culturas. De maneira semelhante, quando um filho de Deus manifesta atos de bondade, amor ou perdão, o nosso significado é prontamente compreendido por homens de todas as línguas, e nós devemos estar ansiosos por ser “ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador” em todas estas coisas (Tito 2:10).

     Da mesma forma, apesar do dom da “interpretação das línguas” ter desaparecido há muito tempo, com um pouco de prática, podemos aprender a interpretar o significado das palavras dos outros. Todos os pais sabem que quando uma criança diz: “Eu odeio a matemática”, o que ela está realmente a dizer é: “Eu não entendo a matemática”. Oh, que nós possamos aprender que, quando alguém na igreja nos diz algo que magoa, talvez tudo o que a pessoa esteja a dizer seja: “Hoje, não me estou sentir bem”. Se pudéssemos aprender a interpretar veríamos tais inconveniências e irreverências como expressões talvez de “Estou a passar por um momento difícil no momento”. Quando uma vez um homem na nossa assembleia expressou perplexidade com o que ele considerava a beligerância de outro, eu soube a causa. Como pastor, eu sabia que a esposa do homem estava a divorciar-se dele, e isso talvez o tenha impelido a falar para aquele querido santo de uma maneira descontrolada, que incendiou o conflito. Podemos não ter o dom da interpretação de línguas, mas podemos e devemos aprender a ouvir as palavras das outras pessoas com entendimento, “suportando-nos uns aos outros em amor” (Efé. 4:2).

     Paulo conclui a sua lista de dons espirituais com a adição de mais alguns no final de 1 Coríntios 12. Desses, concluiremos esta mensagem com o dom de “socorros, ou ajudar” (v. 28). Pouco antes do naufrágio de Paulo em Atos 27, os marinheiros "usaram de todos os meios [ou, ajudas, KJV] para cingir o navio" (v. 17). Dizem-nos que esta é uma referência a como marinheiros antigos em mares ameaçadores corriam para a proa do navio e abaixavam cordas ou correntes em torno do navio frágil e as apertavam com força para impedir que aquele se quebrasse no mar revolto. É nosso privilégio bendito como membros do Corpo de Cristo agir de maneira semelhante quando os nossos irmãos em Cristo lutam nas tempestades da vida. Que todo o santo maduro esteja disposto a correr para o lado do seu irmão em dificuldades e apoiá-lo com a força da Palavra de Deus bem manejada, partilhando com ele a compaixão que nós mesmos recebemos do Senhor (2 Cor. 1:4) .

     Sim, os dons espirituais cessaram, mas é uma verdade bendita o facto de Deus os ter substituído pela Sua Palavra, equipando-nos com tudo o que precisamos para funcionar plenamente como homens e mulheres de Deus na dispensação da graça. Quão maravilhoso é saber que o proveito dos dons espirituais ainda está disponível para o crente que estuda mostrando-se aprovado perante Deus, ao manejar bem a Palavra da verdade.

- Por Ricky Kurth
 (Uma mensagem dada em 20 de junho de 2005)

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