BATISMO NA ÁGUA

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     Embora seja raramente reconhecido, há um número de diferentes tipos de batismos nas Escrituras. Nem todos os batismos têm a ver com água. Por exemplo, falando do êxodo de Israel do Egito, Paulo escreve:

     “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem; e todos passaram pelo mar, E TODOS FORAM BATIZADOS EM MOISÉS, NA NUVEM E NO MAR” (1 Coríntios 10:1,2).

    Este obviamente não é um “batismo na água”, pois Israel atravessou o Mar Vermelho em “terra seca” (Êxodo 14:22). Faraó e o seu exército, é claro, é que foram mergulhados na água quando esta desabou sobre eles em juízo. Todavia são os Israelitas que são ditos terem sido batizados. Para Israel, tratou-se de um batismo seco!

     Isto ajuda a esclarecer o verdadeiro significado da palavra batismo. A palavra em si é simplesmente uma forma aportuguesada da palavra Grega, baptizo. Infelizmente, por muito tempo, os léxicos influenciados pelas denominações definiram baptizo como “mergulhar”. Que esta não pode ser uma definição adequada vê-se facilmente nas Escrituras.

     Em Mateus 3:11, João Batista disse: “Ele [Cristo] vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. “Mergulharia” Ele as pessoas no Espírito Santo e no fogo? Em Lucas 12:50, Cristo chamou à Sua morte de batismo. Teria Ele sido “mergulhado” na morte? Em 1 Coríntios 12:13 [RA], lemos: “... todos nós fomos batizados em um corpo ...”. Os crentes terão sido “mergulhados” em um corpo? A resposta a estas perguntas é claramente não. Trata-se de uma definição totalmente inadequada.

     É desta definição errónea que evoluiu a ideia do batismo como um sepultamento com Cristo na água. Porém, o facto é que Cristo não foi sepultado na água. Ninguém sepulta as pessoas na água, exceto talvez como recurso quando no mar.

     Em geral o uso bíblico a palavra batismo sugere identificação completa se associada a um elemento, a uma pessoa ou a um grupo. É por isso que Paulo disse em Romanos 6:3: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte?” Por outras palavras, a única maneira de alguém se tornar um com Cristo é identificar-se com Ele na Sua morte pela fé.

     Quanto ao batismo na água, é imperativo ter uma compreensão, apenas do que ele sugere ou simboliza. Felizmente, não é difícil determinar o significado apropriado associado ao batismo nas Escrituras. Ele é usado repetidamente para representar uma purificação cerimonial.[1] Apesar de não sepultarmos na água, certamente que nos lavamos ou purificamos na água e esse é claramente o significado associado ao batismo na água nas Escrituras.

     Quando Pedro disse em Atos 2:38, “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado”, ele quis dizer “arrependei-vos, e cada um de vós seja sepultado”? Claro que não! Ele quis dizer arrependei-vos e cada um de vós seja purificado. O batismo na água simboliza purificação - não sepultamento - e foi por esta razão que surgiu a questão sobre a purificação em João 3:23-25,​​ relativamente ao batismo de João.

     Mais uma passagem: Em Atos 22:16, Ananias declarou a Saulo: “... Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados ...”. Note: "Lava" não soletra nem significa “sepulta”.

     Nunca nas Escrituras o batismo na água se refere a sepultamento, mas sempre a purificação. Para entendermos a razão disso, precisamos entender o lugar do batismo na água no programa de Deus para a nação de Israel.

     Primeiro, devemos reconhecer que o batismo na água não é simplesmente uma chamada “ordenança do Novo Testamento”. É, de facto, uma prática firmemente enraizada nas Escrituras do Antigo Testamento e no programa de Deus para a nação de Israel.

     Em João 1:25, perguntaram a João Batista: “Porque batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?” Obviamente, estes inquiridores não foram surpreendidos com a prática do batismo na água que João realizava como se fosse algo novo para eles. Bem pelo contrário, eles esperavam a prática do batismo na água em relação à vinda do Messias. De onde poderia vir essa espera, senão das profecias encontradas nas Escrituras do Antigo Testamento?

     E lembre-se: a economia Mosaica ainda estava em vigor durante os ministérios tanto de João como de Cristo. Hebreus 9:17 declara: "Porque um testamento tem força ONDE houve morte." Assim, o novo concerto não poderia substituir o antigo senão depois da morte de Cristo. Isso significa que os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João são, na realidade, “livros do Velho Testamento” até aos últimos capítulos!

     O batismo de João não era algo novo - antes, era uma cerimónia totalmente entendida por aqueles a quem ele ministrava.

     O batismo na água não começou com João Batista. Quando nos voltamos para as Escrituras a fim de traçarmos o seu desenvolvimento aprendemos de imediato que o batismo na água é um cerimonial de purificação que pertence ao reino prometido à nação de Israel.

 

UM REINO DE SACERDOTES

     Em Êxodo 19:5,6 – na própria dádiva do Concerto Mosaico – o propósito de Deus ao dar nascimento à nação de Israel é claramente revelado:

     “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o Meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é Minha.

     “E VÓS ME SEREIS REINO SACERDOTAL E POVO SANTO. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.”

     O propósito declarado de Deus a respeito da nação de Israel é que esta será um reino de sacerdotes e uma nação santa, através da qual as nações Gentílicas podem chegar-se a Deus. É a isto que Isaías se refere quando escreveu:

     “MAS VÓS SEREIS CHAMADOS SACERDOTES DO SENHOR, E VOS CHAMARÃO MINISTROS DE NOSSO DEUS ...” (Isa. 61:6).

     Em última análise, isso cumprir-se-á, naturalmente, durante o reino regido por Cristo, quando Israel estiver a habitar na sua terra e as nações encontrarem salvação e bênção por meio da instrumentalidade desta nação.

     Tudo isto aguarda a redenção de Israel. O princípio da lei “se obedeceres ... então sereis”, assegurava que "o conhecimento do pecado" seria abundante. Por causa do seu fracasso, a nação de Israel depressa se viu na necessidade de um Redentor. Assim, apesar da esperança de Israel olhar para o prometido reino vindouro, a necessidade de purificação da nação tinha que ser encarada primeiro.

     Com isto em mente, é importante lembrar que, de todas as pessoas ou coisas que deveriam ser batizadas, era o sacerdote que estava em primeiro lugar. Êxodo 29 estabelece o procedimento para a admissão ao ofício sacerdotal. Dois passos muito importantes na consagração ao sacerdócio são incluídos:

     O primeiro passo é a purificaçãouma lavagem com água:

     “Então, farás chegar Arão e seus filhos à porta da tenda da congregação e OS LAVARÁS COM ÁGUA” (Êxo. 29:4).

     O segundo passo é a unção com azeite.

     “E TOMARÁS O AZEITE DA UNÇÃO E O DERRAMARÁS SOBRE A SUA CABEÇA; ASSIM, O UNGIRÁS” (Êxo. 29:7).

     Assim como os filhos de Arão eram os sacerdotes através dos quais o povo de Israel podia se aproximar de Deus, a nação de Israel um dia será um reino de sacerdotes e uma nação santa através da qual os Gentios se aproximarão de Deus (Gén. 12:1- 3; 22:17,18, Isaías 60:1-3, Zac. 8:20-23). É à luz disto que João Batista aparece em cena a pregar “a todo o povo de Israel o [seu] batismo do arrependimento” (Atos 13:24).

     Por outras palavras, o “batismo de arrependimento para a remissão de pecados” (Marcos 1: 4) de João foi um meio de arrependimento e preparação nacional para Israel ser o reino de sacerdotes que Deus ordenara à nação favorecida que fosse. Mateus 3:1,2 é aqui importante:

     “E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia

     “E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.”

     E como é que eles se preparavam para o reino vindouro? Continue a ler:

     “Então, ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judeia, e toda a província adjacente ao Jordão;

     “E ERAM POR ELE BATIZADOS NO RIO JORDÃO, CONFESSANDO OS SEUS PECADOS.

     O batismo de João era o meio de se “fugir da ira futura”. E não é deixada nenhuma dúvida quanto ao que envolverá esta “ira futura”:

     “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento

     “E não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.

     “E também, agora, ESTÁ POSTO O MACHADO À RAIZ DAS ÁRVORES; TODA ÁRVORE, POIS, QUE NÃO PRODUZ BOM FRUTO É CORTADA E LANÇADA NO FOGO.

     “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as Suas sandálias; ELE VOS BATIZARÁ COM O ESPÍRITO SANTO E COM FOGO.

     “Em Sua mão tem a pá, e [ELE] LIMPARÁ A SUA EIRA, E RECOLHERÁ NO CELEIRO O SEU TRIGO, E QUEIMARÁ A PALHA COM FOGO QUE NUNCA SE APAGARÁ” (Vs. 8-12).

     Note a escolha colocada a Israel: havia um julgamento futuro e se eles quisessem ser o “trigo” que é levado com segurança para o celeiro e não o “joio” que seria queimado com o fogo do juízo, eles teriam que se identificar como o remanescente crente através do batismo de arrependimento para a remissão de pecados.

 

O PEQUENO REBANHO

    O batismo na água de João tornou-se num fator divisor em Israel. Lucas 7:29,30 diz-nos,

     “E todo o povo que o ouviu e os publicanos, TENDO SIDO BATIZADOS COM O BATISMO DE JOÃO, JUSTIFICARAM A DEUS.

     “Mas os fariseus e os doutores da lei REJEITARAM O CONSELHO DE DEUS CONTRA SI MESMOS, NÃO TENDO SIDO BATIZADOS POR ELE.”

     Esta, é claramente a razão por que o batismo na água estava associado à salvação e à remissão de pecados. A salvação era pela fé, mas a única maneira pela qual eles podiam expressar a sua fé era fazendo o que Deus exigia - preparando-se para funcionar como “um sacerdócio real”. Primeiro tem que vir a purificação; depois o serviço. Ezequiel 36:25 promete a Israel:

     “Então, ESPALHAREI ÁGUA PURA SOBRE VÓS, E FICAREIS PURIFICADOS; DE TODAS AS VOSSAS IMUNDÍCIAS E DE TODOS OS VOSSOS ÍDOLOS VOS PURIFICAREI.”

     A “aspersão de água pura” era o necessário primeiro passo de fé na formação do núcleo do futuro reino, o grupo de crentes Judeus a que o nosso Senhor denominou de o Seu “pequeno rebanho”.

     “NÃO TEMAS, Ó PEQUENO REBANHO, PORQUE A VOSSO PAI AGRADOU DAR-VOS O REINO” (Lucas 12:32).

     O passo seguinte na preparação deste remanescente crente era o batismo com o Espírito de Mateus 3:1. Esse batismo correspondia ao segundo rito da consagração ao sacerdócio - a unção. O batismo com o Espírito proporcionaria o poder necessário para o futuro serviço da nação.

     Isto explica por que razão o ministério de pós-ressurreição do nosso Senhor liga tão intimamente juntas estas duas coisas - o batismo de arrependimento e a unção do Espírito Santo. Por exemplo:

     “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

     “QUEM CRER E FOR BATIZADO SERÁ SALVO; mas quem não crer será condenado.

     “E ESTES SINAIS SEGUIRÃO AOS QUE CREREM: em meu nome, expulsarão demónios; falarão novas línguas” (Marcos 16:15-17;Cf. Lucas 24:47; Atos 1:4-8, etc.).

     Após a vinda do Espírito Santo em Pentecostes, o apelo de Pedro a Israel é claramente um desenvolvimento adicional à chamada de João ao arrependimento:

     “E disse-lhes Pedro: ARREPENDEI-VOS, E CADA UM DE VÓS SEJA BATIZADO EM NOME DE JESUS CRISTO PARA PERDÃO DOS PECADOS, E RECEBEREIS O DOM DO ESPÍRITO SANTO” (Atos 2:38).

     A ordem aqui é clara: primeiro a lavagem“arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado” – e depois a unção“recebereis o dom do Espírito Santo”.

     Aqueles que pensam que o papel do batismo na água mudou, de alguma forma, em Pentecostes devem notar que os batismos pré e pós-ressurreição eram idênticos. “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado... para a remissão de pecados" é exatamente o que João proclamou em Marcos 1:4. Nada mudou. Certamente tinha simplesmente havido o desenvolvimento histórico da crucificação e ressurreição de Cristo, a que se seguiu o derramamento do Espírito. O reino não era mais simplesmente proclamado “próximo” como foi com João; agora chegara o momento de o oferecer a Israel.

     E mesmo depois de Pentecostes, aqueles que se recusaram a ser batizados permaneceram condenados diante de Deus, como os que estavam em Lucas 7:30, pois Pedro continua declarando,

     “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar.

     “E com muitas outras palavras isto testificava e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa” (Atos 2:39,40).

     Esta questão básica de reunir o remanescente crente de Israel - o "pequeno rebanho" de Lucas 12:32 - atravessa os ministérios de João, de nosso Senhor e dos Doze na primeira parte dos Atos. Este "pequeno rebanho" representava o núcleo da autoridade governamental no futuro reino. Os que em Israel se recusassem a arrepender e a serem batizados - a identificar-se como os que tinham mudado de pensar sobre Cristo como sendo o seu Messias através do batismo de arrependimento para a remissão de pecados - seriam “exterminado[s] dentre o povo” (Atos 3:23).

     É a este pequeno rebanho de crentes Judeus que Pedro escreve mais tarde:

     “MAS VÓS SOIS A GERAÇÃO ELEITA, O SACERDÓCIO REAL, A NAÇÃO SANTA, O POVO ADQUIRIDO, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9).

     Assim, dizemos de novo: nas Escrituras, o batismo na água é uma cerimónia de purificação que pertencia ao reino prometido à nação de Israel.

 

O BATISMO GENTÍLICO

     Se o batismo na água está assim associado à purificação da nação de Israel para o seu ministério no reino, onde é que se enquadra o batismo dos Gentios sob a comissão de Mateus 28:19?

     Até aqui, o batismo na água prova mais uma vez simbolizar a purificação - e uma vez mais claramente associado ao reino de Israel.

     Lembre-se de que os sacerdotes não eram os únicos a serem batizados. Relativamente à purificação dos leprosos, Levítico 14:9 instrui:

     “...e LAVARÁ A SUA CARNE COM ÁGUA, E SERÁ LIMPO”.

     As “nações” de Mateus 28:19 são, naturalmente, consideradas “imundas ou impuras” por Israel e, portanto, têm que ser batizadas - serem purificadas - a fim de obterem acesso ao reino de Israel e aceitação no favor de Deus.

     Tanto Israel como os Gentios necessitavam de reconhecer a sua necessidade de purificação. Os primeiros, a fim de serem dignos de ministrar as coisas de Deus, os últimos para serem os recipientes dessas coisas.

 

E QUANTO A NÓS?

     O facto de o batismo na água pertencer ao programa do reino de Israel demonstra porque ele não tem lugar algum no programa de Deus hoje. Tratava-se de uma lavagem cerimonial que vigorou até a nação de Israel e o seu programa serem postos de lado.

     Com “a queda de Israel” Deus levantou o apóstolo Paulo e através dele enviou "salvação aos Gentios". Após o levantamento de Paulo, a prática do batismo na água passou claramente por uma mudança. A primeira indicação real disso no registo das Escrituras encontra-se na experiência de Pedro na casa de Cornélio em Atos 10.

     Quando o Senhor começou a preparar Pedro para reconhecer a mudança no programa ocorrido em meados dos Atos, (por exemplo, Atos 10: 28), Ele também o preparou para a mudança no batismo. Quando Pedro se dirigiu aos que estavam reunidos na casa de Cornélio, ele recebeu um choque:

     “A Este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que n’Ele creem receberão o perdão dos pecados pelo Seu nome.

     “E, DIZENDO PEDRO AINDA ESTAS PALAVRAS, CAIU O ESPÍRITO SANTO SOBRE TODOS OS QUE OUVIAM A PALAVRA.

     “E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os Gentios” (Atos 10:43-45).

     Este foi um significativo desvio do programa sob o qual Pedro tinha estado a operar! Tudo o que os Gentios tinham que fazer para receber o Espírito Santo era crer, em nítido contraste com o anterior requisito do prévio batismo de arrependimento (Atos 2:38). Pedro então batiza-os apressadamente, perguntando: “Pode alguém, porventura, recusar a água, para que não sejam batizados estes ...?” (Veja Atos 10: 45-48).

     É claro que o batismo na água não estava a funcionar da mesma forma que funcionava antes com Israel. A própria atitude de Paulo em relação ao batismo reflete essa mudança:

     “Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio;

     “Para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome.

     “E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro.

     “Porque CRISTO ENVIOU-ME NÃO PARA BATIZAR, MAS PARA EVANGELIZAR [ou, PREGAR O EVANGELHO] …” (1 Cor. 1:14-17).

     Certamente que se Paulo estivesse a operar sob a comissão dada aos outros Apóstolos, ele nunca poderia ter dito isto! Quando Deus interrompeu o programa profético de Israel e introduziu “o mistério”[2], pela própria natureza das coisas, Ele interrompeu o batismo de Israel. Assim como Israel diminuiu (Rom. 11:12) ao longo do último período dos Atos, assim também o batismo na água diminuiu gradualmente de importância e um novo batismo entrou em em cena para tomar o seu lugar.

     Hoje não há nação sacerdotal ou uma classe exaltada acima das outras. Deus agora está a reconciliar tanto Judeus como Gentios em um só corpo, simplesmente através da fé na obra consumada do Senhor Jesus Cristo no Calvário (Efésios 2:13-18).

     Quando o crente confia em Cristo como seu Salvador, nesse momento ele é batizado em um só corpo pelo Espírito (I Cor. 12:13) e assim “batizado em Cristo” (Gálatas 3:27). Aqui não há espaço para uma cerimónia de água. Nenhum ritual ou cerimónia levado a cabo pelo homem pode colocar o crente “em Cristo”. Não, o “um só batismo” do “um só corpo” é efetuado pelo "um só Espírito" - não por pregador ou sacerdote.

     O mecanismo da verdade posicional - de estar em Cristo "- é este batismo do Espírito. A nossa posição em Cristo por virtude deste batismo realizado pelo Espírito é tão completamente adequada que nos é dito:

     “E ESTAIS PERFEITOS N’ELE ...” (Col. 2:10).

     “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais, em Cristo” (Efésios 1: 3).

     À luz de tal perfeição em Cristo, proporcionada até mesmo ao crente mais simples no exato momento da salvação, perguntamos: O que poderia ser realizado pelo batismo na água que Cristo e a Sua obra consumada no Calvário já não realizaram?

     Se esta questão for encarada com honestidade, será de imediato evidente que não somente o batismo na água não tem lugar no programa de Deus hoje, como a sua prática repercute e lesa a obra gloriosa, toda-suficiente e consumada do nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Col. 2:20).

     Agradecemos a Deus o facto de por um só Espírito todos nós termos sido batizados em um só corpo. Deus nos livre de acrescentarmos algo a este “um só batismo” que nos une a Cristo e ao Seu povo e nos torna perfeitos n’Ele.

 _________________________

[1] Distorções denominacionais que leem água em passagens como Romanos 6:3, Gálatas 3:27, Colossenses 2:12 - que falam da nossa identificação com Cristo – têm roubado à palavra o seu significado.

[2] “Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me [Paulo] foi dada; como me foi este mistério manifestado pela revelação …” (Efésios 3:2,3).

- Richard Jordan

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