John Bunyan - parte significativa da sua história

OPeregrino

 

     O autor de “O Peregrino” nasceu no ano de 1628, em Elstow, Inglaterra. Ele casou-se no ano de 1649. No seu livro, Grace Abounding (Graça Abundante), ele afirma: "Esta mulher e eu juntámos os trapinhos tão pobres quanto os pobres podem ser, não tendo sequer um prato ou uma colher".

     Bunyan, por realizar várias reuniões consideradas ilegais, por pregar sem licença, foi parar à prisão de Bedford, onde permaneceu doze anos.

     Bunyan só teve uma filha, chamada Mary, que nasceu cega.

      Um compreensivo carcereiro registou uma memorável visita feita a Bunyan pela sua esposa, a filha cega e um menino levado ao colo pela mãe. Depois de umas perguntas afetuosas a respeito da sua filha cega, Bunyan relatou brevemente os incidentes da sua prisão e encerrou a conversa da seguinte maneira:

     "Na manhã seguinte, fomos ao juiz Compton de Elstow, mas ele recusou libertar-me, embora eu não tenha transgredido nenhuma lei; no entanto estou contente porque, se a minha permanência na prisão servir a causa de Deus, eu ficarei aqui até que a minha carne caia dos meus ossos. Que seja como Deus quer”.

     A esposa de Bunyan respondeu simpaticamente: "É verdade, amado, mas ainda faremos o máximo possível; a casa está tão sem graça. A tua pequenina Mary anseia pela tua voz, e os outros dois estão frequentemente a chorar pelo pai. Dói-me o coração vê-los anelar por ti. E alguns, de quem eu pensava o melhor, não querem pagar o que te devem. William Swinton, que ministra na igreja em St. Cuthbert, deve-te a quantia de cinco libras, como sabes; agora ele diz que nem um cêntimo te pagará. Não cedas, John, pois pediremos de porta em porta para que por nossa causa não te rendas, fazendo o que achas estar errado aos olhos de Deus. Eu oro muito para que possamos ver-te novamente à nossa lareira, aguardando-te sempre à janela; mas oro mais para que consigas ficar firme, como David contra o gigante, e que um dia também venças. Não penses em nós, mas sê firme".

     "Ah, eu quero isso", disse Bunyan, que havia aconchegado a menina cega nos seus braços; "Mas o que é que a minha Mary fará se o pai dela tiver que morrer pela verdade?"

     "Avança, pai, porque te amo ainda mais, e oro por aqueles que te querem matar. Se o fizerem eu irei o mais depressa para estar contigo. Mas eu gostaria de ver-te como tu realmente és. Quando sinto a tua respiração quente no meu rosto e descanso nos teus braços, não temo e nada mais quero. Pai, a minha mãe ensinou-me que és servo de Cristo, e tenho orgulho que sejas chamado a sofrer, enquanto os grandes negam o Senhor."

     "A minha menininha ama o meu Senhor?”, perguntou Bunyan, curvando-se com olhos marejados de lágrimas sobre aquele rosto branco e claro radiante de amor.

     "Ah, pai! Eu amei-O um pouco por um longo tempo, mas tenho-O amado, não posso dizer quanto, desde que estes dias sombrios começaram. Quando a minha mãe e eu ficámos sentadas tremendo e imaginando como tu estarias longe de casa nestes momentos de angústia, como eu orei por ti, e senti que o teu Deus era o meu Deus, e eu também O serviria.”

     "Mas não basta, querida, dizeres que amas a Cristo. E os teus pecados?”

     "Oh, Pai, eu confessei-os todos, e arrependi-me deles, e aceitei Jesus como meu Salvador. Eu sinto-me mais certa, cada dia que passa, que Ele perdoou os meus pecados. Não é doce sentir que estamos ligados por um elo que nada pode quebrar?”

     "Ah, é, querida, e no teu amor e amor da tua mãe, sinto-me corajoso e forte. Ajuda-me, não pouco, a erguer-me firme, sem vacilar, durante o julgamento.”

     As frequentes referências à sua esposa e filhos nos escritos de Bunyan revelam o profundo amor que ele nutria pela sua família. É surpreendente que os parágrafos de abertura de “O Peregrino” nos levam a dar de caras com o sr. Sábio (segundo o mundo) que pergunta a Cristão: "Tem mulher e filhos?" A mesma pergunta é repetida no Palácio Belo.

     Conhecer o amor que Bunyan tinha pela sua família torna mais notáveis as suas palavras: "Continuarei na prisão até que cresça musgo nas minhas pálpebras, mas eu não negarei a minha fé em Cristo." Parecem letras de ouro em quadros de prata.

     Enquanto Bunyan estava na prisão, Mary morreu. Fica perpétua, a infâmia do juiz Wingate que não libertou Bunyan para ir ao funeral da sua pequena filha cega. Que fama de juiz bajulador este juiz ganhou no modo como tratou John Bunyan; uma fama realmente não abonatória, que muitos não gostariam de partilhar com ele.

     Foi enquanto esteve deitado na prisão, durante aqueles doze anos, que a ideia de “O Peregrino” chegou à mente imaginativa criadora de Bunyan.

     Ele fala então em mostrar a sua história aos amigos enquanto ainda estava preso, e das suas diferentes reações:

     "Bem, quando eu juntei as pontas, mostrei-lhes para ver se condenariam ou justificariam. E alguns disseram, que vivam; outros, que morram; uns disseram: John, imprime isso; outros disseram que não; alguns disseram que poderia fazer bem, outros disseram que nem por isso. Finalmente, “O Peregrino”, Parte Um, foi levado da prisão para a gráfica e, desde então, tem sido um vendedor de sucesso. Antes da morte de Bunyan, mais de 100.000 exemplares tinham sido publicados apenas na Inglaterra. Quando nos lembramos de como poucas pessoas conseguiam ler na Inglaterra naquela época, no século XVII, ficamos ainda mais impressionados com a tremenda popularidade desta alegoria espiritual.

     Este incidente tocante na vida de John Bunyan foi submetido por Richard Burson, Hutchinson, Kansas, EUA.

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