Jónatas e nós - 1 Samuel 18:1-4



Certamente é aquela completa ocupação com o nosso adorável Senhor, na qual a própria pessoa e circunstâncias desaparecem de vista, quando a alma se derrama em adoração e sincera devoção.
A adoração ascende acima do gozo de pecados perdoados e de gratidão por bênçãos e misericórdias, e centraliza os pensamentos e afeições numa Pessoa – não sobre bênçãos, mas sobre o Abençoador.

Existem muitas pessoas que não têm remorsos. Outras, fiéis, piedosas, sem vacilar no seu amor e lealdade a Cristo, que demonstram a beleza do seu andar e o consequente poder das suas palavras e que apresentam uma vida de devoção sem desvios. Depois, há outras entre nós que poderiam cantar o velho hino: "Ó, os anos gastos no pecado, se fosse possível recuperá-los Eu os entregaria ao meu Salvador, e me curvaria à Sua vontade".
Muitos começaram com zelo. Quais soldados, manejando bem uma espada, enfrentariam um exército para o Senhor Jesus. Entrariam animados na batalha, e se distinguiriam no combate para Deus e o Seu Evangelho. Depois algo aconteceu. Talvez uma queda trágica. Talvez uma desintegração lenta, permitindo um crescente desânimo para as coisas de Deus. Talvez aumento de excursões para as coisas do mundo, ou submetendo-se às exigências impiedosas dos negócios.

"Porque é que alguns cristãos, apesar de ouvirem mil sermões não avançam na vida espiritual?
"Porque negligenciam a sua obrigação, o seu quarto fechado, o a sós com Deus ... eles não meditam no que ouviram. Eles "gostam" do trigo, mas não de moê-lo. Eles teriam milho, mas não vão ao campo colhê-lo. O fruto está pendurado, mas eles não lhe estendem a mão. A água flui a seus pés, mas eles não se inclnam para beber ... Eles reclamam porque outros não fazem isso por eles ... Livra-nos de tal loucura, Senhor!"
- Charles H. Spurgeon

Algo de semelhante se passa entre Cristo e nós. Quanto mais nos libertamos de “nós mesmos” e deixamos que seja Ele quem nos dirige, tanto mais verdadeiramente nos tornamos nós mesmos. Se foi Ele quem nos criou a todos! Inventou – tal como um escritor inventa as personagens de uma novela – cada um desses diversíssimos “homens novos” que nós estamos destinados a ser. Neste sentido, os nossos verdadeiros “eus” estão todos à nossa espera n'Ele. De nada nos adianta procurarmos ser “nós mesmos” sem Ele.
Quanto mais eu resistir a Cristo, quanto mais tentar viver por conta própria, mais me verei dominado pela minha hereditariedade, pela minha educação, pelas minhas circunstâncias e pelos meus desejos naturais. Aquilo a que tão orgulhosamente chamo “eu” torna-se simplesmente o ponto de encontro de uma cadeia de acontecimentos que não pus em movimento e que não sou capaz de deter. Aquilo a que chamo “as minhas intenções” reduz-se simplesmente aos desejos do meu organismo físico, aos pensamentos que me foram soprados por outros homens ou mesmo às sugestões dos demónios.
No meu estado natural, não sou nem metade da pessoa que imagino ser; praticamente tudo aquilo a que dou o nome de “eu” pode encontrar uma explicação muito fácil. É somente quando me volto para Cristo, quando me entrego à Sua personalidade, que começo a ter personalidade própria.
QUINTA DO CONDE
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