1 Tessalonicenses 1:5-10 (3)

crstam.jpgCRER, SERVIR E ESPERAR

     "...dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro.

     "E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura" (I Ts.1:9-10).

     Na passagem acima encontramos novamente as três marcas da verdadeira salvação: fé, esperança e amor. Paulo diz dos Tessalonicenses: "dos ídolos vos convertestes a Deus" (Isto é fé); "para servir o Deus vivo e verdadeiro" (Isto é amor); "E esperar dos céus a seu Filho" (Isto é esperança). Uma linda combinação: crer, servir e esperar!

     Primeiro, os santos de Tessalónica  tinham feito o seguinte: "dos ídolos vos convertestes a Deus". Eles não aceitaram Deus como um de seus deuses, nem mesmo como o maior deles. Eles converteram-se (voltaram-se) a Deus – "o Deus vivo e verdadeiro" – "dos ídolos". Na mesma hora em que se voltaram para Deus deixaram os seus ídolos.

     Compare isto com a igreja professante, hoje. Veja que mistura temos de Cristianismo com idolatria pagã e superstição! Esta condição prevalece desde a época primitiva da história da Igreja.

     Os primeiros crentes foram perseguidos ferozmente pelo mundo pagão à sua volta – e isto, espiritualmente, fez-lhes bem. Fez com que orassem mais e se apoiassem mais em Deus. Deu-lhes uma apreciação mais profunda do que tinham em Cristo. Manteve-os separados do mundo. E as próprias perseguições tornou-os fortes "no Senhor e na força do seu poder" (Ef.6:10) – uma vantagem enorme quando consideramos que a autoconfiança é nada quando comparada com a confiança em Deus.

     Mas subitamente, no quarto século, sob o Imperador Constantino, a perseguição cessou. Com a conversão professa do Imperador a Cristo, o paganismo era apenas tolerado e a lei ordenou a propagação da religião Cristã. Portanto, o Cristianismo, agora popular, prevaleceu em todo lado. Constantino presenteava os crentes com presentes valiosos. Empregava crentes proeminentes no governo, deu aos crentes magníficas basílicas romanas e enormes templos pagãos com amplos recursos financeiros, para serem usados como locais de reuniões. Removeu todas as estátuas de deidades romanas das basílicas e substituiu-as por estátuas de Cristo e Seus apóstolos. De fato, ele favoreceu os crentes em tantas maneiras que tornou-se popular ser crente.

     Mas favorecer meramente o Cristianismo não acabou com a idolatria pagã e superstição. De facto, até hoje o paganismo persiste na "Igreja", especialmente na Igreja Católica Romana. Hoje em dia, o máximo de forma e ritual e o mínimo de realidade espiritual prevalece na Igreja professa; o máximo de superstição cega e o mínimo de fé inteligente, o máximo de opinião humana e o mínimo da verdade de Deus.

     Sob Constantino os crentes foram postos, é lógico, numa posição comprometedora. Eles não podiam falar com a mesma convicção e assim perderam muito da força do Espírito na sua pregação. Eram poucas as excepções que ousavam impor-se pela verdade como representantes de Deus.

     A Lei de Deus é muito explícita em condenar a idolatria de qualquer forma, porém muitos, especialmente da Igreja de Roma, curvam-se diante de imagens – em nome do Cristianismo! Milhões, assim, são impedidos de conhecer Cristo, sendo "levados aos ídolos mudos" (I Co.12:1).

     Deve ser notado, entretanto, que os Tessalonicenses não tinham sido induzidos a voltarem-se dos seus ídolos para Deus. Em vez disso eles converteram-se a Deus (v.9). Paulo veio a eles, não pregando contra a idolatria, mas proclamando o maravilhoso "Evangelho da graça de Deus", e enquanto eles respondiam e se viravam para Deus naturalmente deixavam os seus ídolos.

     Não peça a uma criança para pôr de lado um brinquedo qualquer que ela estime. Mas ofereça-lhe uma coisa melhor! Ofereça um brinquedo novinho e brilhante, tal como um camião ou uma boneca, e ela colocará de lado o primeiro brinquedo sem pensar duas vezes.

     E nós também não estamos, ao pregar aos perdidos, a tentar fazer com que eles deixem o seu estilo de vida. Em vez disso, proclamamos-lhes "o Evangelho da graça de Deus" e a fé em Cristo como Aquele que pagou a condenação dos seus pecados. É assim que os homens são salvos e se viram dos seus ídolos para Deus.

     Depois, conhecendo-O, será natural desejar "servir o Deus vivo e verdadeiro". Paulo ficou muitas vezes cansado e desanimado no seu serviço para Cristo, mas ele não podia parar. O infinito amor de Cristo – por ele e pelo mundo perdido – levou-o para frente tão irresistivelmente como a maré do oceano. Veja as suas próprias palavras sobre o assunto:

     "Porque, se enlouquecemos, é para Deus; e, se conservamos o juízo, é para vós.

     "Porque o amor de Cristo nos constrange (5) ..." (II Co.5:13-14).

     Mas não era o amor de Paulo por Cristo que o constrangia? Ah, amplamente enquanto ele demonstrava o seu amor por Cristo, isto era apenas um mero reflexo do amor de Cristo por ele, e pelo mundo perdido. Portanto ele diz que "o amor de Cristo nos constrange...". E assim nós dizemos que tendo deixado os ídolos é uma coisa natural desejar " servir o Deus vivo e verdadeiro". Como é triste a sorte de milhões de pessoas que "fazem boas obras" para ganhar o favor de Deus! Elas entenderam tudo de trás para frente:

     "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.

     "NÃO VEM DAS OBRAS, para que ninguém se glorie.

     "Porque somos feitura sua, criados em Cristo PARA AS BOAS OBRAS, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" (Ef.2:8-10).

     Finalmente, o Apóstolo indica que, enquanto os crentes de Tessalónica  serviam o "Deus vivo e verdadeiro", eles esperavam que o Seu Filho viesse dos céus (v.10).

     Cronologicamente, esta é a primeira afirmação escrita da caneta de Paulo em relação a vinda iminente de Cristo para os seus, e demonstra o facto de que o arrebatamento da Igreja faz parte da mensagem especial dada (I Co.15:51-52) e proclamada por ele mesmo no início do seu ministério.

     Os profetas de outrora tinham predito a vinda de Cristo para julgar e reinar. A Sua vinda para nós, entretanto, não será associada com juízo, mas com graça. Não estaremos aqui quando a ira de Deus for derramada sobre a terra, porque antes dessa hora nós já teremos sido arrebatados para estarmos com Cristo que "nos livra da ira futura" (v.10). Esta mesma epístola afirma claramente que "nós, os que ficarmos vivos" (isto é, até à vinda do Senhor para nós), juntamente com aqueles que foram ressuscitados da morte, "seremos arrebatados juntamente com eles... a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor (I Ts.4:16-18). Esperança bem-aventurada!

     É por esta "bem-aventurada esperança " que devemos "esperar" (I Ts.1:10) e aguardar (Fp.3:20; Tt.2:13), enquanto continuamos a "servir o Deus vivo e verdadeiro". Que Deus nos mantenha fiéis, servindo e esperando até que o nosso Senhor venha para nós!  
 


5 A mesma palavra original é usada em Lucas 8:45 onde lemos: "Mestre, a multidão te aperta".

Cornelius R. Stam
Comentário Sobre as Epístolas de Paulo aos Tessalonicenses


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