Apresentando uma Epístola e um Apóstolo (I)

Cornelius R. Stam     Um excerto do comentário de Cornelius R. Stam sobre Colossenses, que é agora reimpresso.

Apresentando uma Epístola

     De todas as maravilhosas epístolas de Paulo, talvez as mais maravilhosas de todas sejam as que ele escreveu aos Efésios, aos Filipenses, e aos Colossenses.

     Uma delas, pelo menos, era uma carta circular, mas são estes os nomes que elas têm a si associados.

     Estas três epístolas pertencem conjuntamente a um grupo porque têm todas particularmente a ver com Cristo e a Igreja, que é o Seu Corpo.

     Efésios tem como tema base o "Corpo", e sua relação com a Cabeça, Cristo. Colossenses tem a ver com Cristo, a Cabeça, e a Sua relação com o Corpo. Nenhuma outra epístola está tão “plena de Cristo" como esta carta do Apóstolo Paulo aos Colossenses. Finalmente, Filipenses trata com os membros do Corpo de Cristo na sua relação entre si.

     Colossenses, é claro, foi escrita ou ditada por Paulo. Contudo, na sua introdução ele associa Timóteo com ele, como faz em cinco das suas outras cartas: II Coríntios, Filipenses, I Tessalonicenses, II Tessalonicenses e Filémon. Ele escreve aos Colossenses como "apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus" (1:1).

     Colossenses é outra das suas grandes epístolas doutrinárias.

     Assim, estas três epístolas - Efésios, Filipenses, Colossenses – estão conjuntamente ligadas e o grande tema de Colossenses é Cristo; não como Ele era quando na Terra, mas como Ele é hoje, agora, glorificado no Céu como a Cabeça da Igreja, um corpo espiritual cujos membros se encontram dentro e fora das denominações religiosas, e em todo o mundo.

     Ao lermo-la, depressa se torna evidente que o Apóstolo tinha sido usado apenas indiretamente para fundar esta igreja.

     Ele, pessoalmente, nunca tinha visto os Colossenses (1:4,5; 2:1). Quão tocante é o amor do Apóstolo e preocupação até mesmo pelas almas desconhecidas recentemente ganhas para Cristo! Ele nem sequer tinha visto estes irmãos, mas orava continuamente por eles, e com muitas ações de graças (1:3).

     Paulo nunca estava satisfeito sem estar em cima dos acontecimentos. Em Atos 15:36,41, vemo-lo a viajar de regresso a numerosas cidades, às pequenas igrejas que ele havia fundado “para ver como estão”. As suas epístolas testemunham a sua preocupação genuína e constante por aqueles em relação a quem ele tinha sido usado, direta ou indiretamente, para ganhar para Cristo. Em alguns casos ficou em cena por períodos de tempo consideráveis, para se certificar de que as congregações estavam bem estabelecidas. Ele tinha ficado em Corinto por um ano e meio e em Éfeso por três anos.

     A Epístola aos Colossenses é basicamente sobre o Senhor Jesus Cristo, incluindo o que Cristo fez por nós. Em Colossenses 1:5 ele começa por se referir à "esperança que vos está reservada nos céus", lembrando-lhes como eles tinham ouvido falar sobre essa esperança “pela Palavra da verdade do Evangelho”. Esta esperança é muitíssimo diferente do que Cristo e os doze proclamaram quando o nosso Senhor estava na Terra. A esperança de Israel foi sempre terrena na sua esfera. Daniel profetizou que depois de outros reinos se terem levantado e caído, o "Deus do céu" estabeleceria um reino na Terra que nunca seria destruído (Dn. 2:44). João Batista, nosso Senhor, e os doze proclamaram este "reino do [não no] Céu" (Mat. 3:1,2; 4:17; 10: 5-7).

     O Senhor prometeu aos doze que no Seu retorno à Terra eles assentar-se-iam com Ele “sobre doze tronos, para julgar as doze tribos d’Israel" (Mat. 19:28). Mesmo no Evangelho segundo João, muito do qual tem sido tão grosseiramente mal interpretado, é o estabelecimento do reino de Deus na Terra que está em vista.

     Mesmo no dia de Pentecostes, Pedro não disse aos seus ouvintes: "Creiam no Senhor Jesus Cristo, e Ele levar-vos-á para cima". Pelo contrário, ele disse: "Arrependei-vos, e Deus enviar-vos-á Jesus aqui à Terra" (Atos 3: 19-21).

     Não é antes de chegarmos às epístolas de Paulo que encontramos uma mensagem sobre a salvação pela graça por meio da fé, com base na obra toda suficiente, consumada, de Cristo no Calvário. Não é antes de chegarmos a estas epístolas que aprendemos “da esperança que vos está reservada nos céus” (Colossenses 1: 5) e da nossa posição atual e bênçãos nos lugares celestiais, em Cristo (Ef 1:3; 2:4-7). Esta mensagem é poderosa, e tem trazido muito precioso fruto espiritual, como diz o apóstolo no versículo 6:

     “Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade” (Col. 1:6).

     Esta mensagem será menos eficaz hoje? Terá perdido o seu poder? Será irrelevante para os tempos difíceis em que vivemos? De maneira nenhuma! Há abundante evidência por toda a parte do poder do Evangelho da graça de Deus na vida daqueles que lhe abrem os seus corações. Como gostaríamos de poder induzir alguns pastores, sim, alguns "pastores da graça" – a deixar de pregar sobre todos os tipos de assuntos periféricos, enquanto negligenciam as grandes verdades contidas nesta bendita mensagem de graça que Paulo chama de "o meu Evangelho". Nunca nos esqueçamos que esta mensagem é também a nossa mensagem. Nunca peçamos desculpa por anunciarmos “Jesus Cristo, conforme a revelação do Mistério” - pois este É o nosso Evangelho (Rom. 16:25).

- Cornelius R. Stam
(Continua) 

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