Apresentando uma Epístola e um Apóstolo (III)

Cornelius R. StamPaulo, não um dos 12 Apóstolos

     Ora, isto pode parecer uma coisa muito pequena, mas na realidade é muito importante, porque Paulo não era um dos 12 apóstolos como muitas pessoas parecem pensar, e como tantos pregadores ainda pensam. O seu apostolado era absolutamente separado e distinto do dos doze. Isso não significa que ele não tivesse tido nada a ver alguma vez com os doze, todavia significa que ele foi levantado mais tarde como apóstolo diferente com uma mensagem diferente  que substituiu a deles.

     Como se lembrará, eles foram enviados a pregar o Evangelho do reino, e o nosso Senhor prometeu-lhes doze tronos nesse reino:

     "E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que Me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da Sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos d’Israel" (Mat. 19:28).

     Sob a chamada Grande Comissão, sob a sua grande comissão, os doze foram enviados a fazer discípulos de todas as nações, começando por Jerusalém:

     "… ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra" (Atos 1: 8).

     E lembrar-se-á como Pedro em Pentecostes declarou que Deus havia levantado o Senhor Jesus para Se assentar no trono de David. Eis as palavras que ele disse:

     “Varões irmãos seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura.

     “Sendo pois ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para O assentar sobre o seu trono.

     “Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo: que a Sua alma não foi deixada no Hades, nem a Sua carne viu a corrupção” (Atos 2:29-31).

     Por outras palavras, Pedro diz aqui que, de acordo com a profecia Deus ressuscitou a Cristo para Ele Se assentar no trono de David. Pedro, depois, chamou o povo a arrepender-se para que Cristo voltasse, ou seja, se arrependesse de O ter crucificado a fim de que Ele voltasse e os tempos de refrigério há muito prometidos ainda viessem. Eis Pedro, não Paulo, mas Pedro, a falar à casa de Israel:

     "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor.

     “E envie Ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado.

     “O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os Seus santos profetas, desde o princípio" (Atos 3:19-21).


Um apóstolo pela vontade de Deus

     Mas, como sabe, a nação favorecida não se arrependeu e Cristo não voltou – de facto, ainda não voltou. E os maravilhosos tempos de refrigério não vieram, e ainda não vieram. Ora, como poderiam estes doze apóstolos ir e fazer discípulos de outras nações quando a sua própria nação ainda não tinha recebido o Messias? De acordo com a profecia, Cristo irá reinar, não em Washington, Londres ou Paris, mas em Jerusalém. Por isso, quando Jerusalém e a nação escolhida não receberam Cristo, Deus interrompeu o programa profético e enviou um apóstolo diferente para inaugurar dispensação diferente. Deus não foi apanhado de surpresa. De modo nenhum. Ele sabia tudo acerca disto.

     De facto, Ele tinha em mente, o tempo todo, um outro programa chamado "o Mistério", e Ele diz que este mistério "desde tempos eternos esteve oculto." Foi planeado e projetado por Deus "antes dos tempos dos séculos," mas não foi "manifestado" ao apóstolo Paulo e por seu intermédio, senão "agora". Então, quando Jerusalém e a nação escolhida não receberam Cristo, Deus interrompeu o programa profético e enviou um apóstolo diferente, o Apóstolo Paulo, para inaugurar "a dispensação da graça de Deus", sob a qual vivemos agora. E isso explica porque, no grande concílio de Jerusalém realizado 18 anos depois de Pentecostes, os apóstolos concordaram com Paulo e Barnabé num acordo público solene, oficial, que, a partir de então, Paulo, e não eles, seria o Apóstolo das nações:

     "E conhecendo Tiago, Cefas [Pedro] e João, que eram considerados como as colunas, a graça que se me havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão" (Gal. 2: 9).

     Portanto, aqui, os líderes dos doze, e os anciãos em Jerusalém entre os crentes lá, concordaram realmente, publicamente e oficialmente que não eles, mas Paulo deveria agora ser o Apóstolo para todas as nações. É por isso que em Colossenses 1:1 e em outros lugares, Paulo chama-se "APÓSTOLO DE JESUS CRISTO, PELA VONTADE DE DEUS".

- Cornelius R. Stam
(Continua) 

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