Seja Alegre XIII

w_wiersbe_warren.jpg     3. A Crise de Paulo (1:20-26)

     Por causa das suas prisões, Cristo tornava-se conhecido (v. 13), e por causa dos seus críticos, Cristo era pregado (v. 18). Mas por causa da crise de Paulo, Cristo era engrandecido (v. 20)! Era possível que Paulo fosse considerado como traidor a Roma e depois executado. O seu julgamento preliminar havia-lhe sido, aparentemente, favorável, todavia o veredicto final ainda estava para vir. Mas o corpo de Paulo não lhe pertencia e o seu único desejo (porque ele possuía uma mente integral) era engrandecer Cristo no seu corpo
.

     Será que Cristo precisa de ser engrandecido? Afinal de contas, como é que um mero ser humano poderá engrandecer o Filho de Deus? Bem, as estrelas são muito maiores do que o telescópio e, contudo, este torna-as grandes e trá-las para mais perto. O corpo do crente deve ser um telescópio que traz Jesus Cristo para junto das pessoas. Para o indivíduo em geral, Cristo é uma figura confusa na história e que viveu há séculos. Mas quando um não-salvo observa a maneira como um crente atravessa um período de crise, ele pode ver Jesus engrandecido e trazido para mais perto dele. Para o cristão que possui uma mente simples, Cristo está connosco aqui e agora.

     O telescópio traz para perto de nós as coisas distantes, e o microscópio faz com que as coisas pequenas pareçam grandes. Para o não-crente, Jesus não é muito grande. Outras pessoas e outras coisas são muito mais importantes. Mas quando o incrédulo observa a maneira como o cristão atravessa uma experiência de crise, ele deve poder ver como Jesus é, de facto, enorme. O corpo do crente é uma «lente» que faz com que um «Cristo pequeno» pareça muito grande, e um «Cristo distante» se veja muito mais perto.

     "Paulo não temia a vida nem a morte! De qualquer modo, o seu desejo era engrandecer Cristo com o seu corpo. Não admira que ele sentisse alegria!

     Paulo confessa que está perante uma decisão difícil. Precisava de permanecer vivo para benefício dos crentes de Filipos, mas partir e estar com Cristo seria muito melhor. E o apóstolo chegou à conclusão de que Cristo queria que ele ficasse, não só para «maior proveito do Evangelho» (v. 12), mas também para proveito «vosso e gozo da fé» (v. 25). Ele queria vê-los a contribuir para o «avanço pioneiro» para novas áreas de crescimento espiritual. (A propósito, Paulo admoestou Timóteo, o jovem pastor, para que se certificasse se estava realmente a avançar para novos territórios espirituais na sua própria vida e ministério. Ver I Timóteo 4:15, onde a palavra «aproveitamento» expressa a ideia de «avanço pioneiro»).

     Que homem formidável é Paulo! Está pronto a adiar a sua ida para o céu a fim de ajudar os cristãos a crescer, e está pronto a ir para o inferno para poder ganhar os perdidos para Cristo! (Rom. 9:1-3).

     É claro que a morte não o amedrontava de modo nenhum. Ela significava simplesmente «partir». Esta palavra era usada pelos soldados; queria dizer «desmontar a tenda e seguir.» Que quadro extraordinário da morte do cristão! A «tenda» em que vivemos é desmontada na morte e o espírito vai estar com Cristo no céu. (Ler II Cor. 5:1-8). Os marinheiros usavam também este termo; para eles tinha o sentido de «desprender o barco e começar a viagem.» Lord Tennison usou esta figura da morte no seu famoso poema «Atravessando a Barreira».

     Mas partida era também um termo político; descrevia a libertação dum prisioneiro.—O povo de Deus está em cadeias por causa das limitações do corpo e das tentações da carne, mas a morte irá libertá-lo. Ou então, a libertação verificar-se-á na ocasião da segunda vinda de Cristo (Rom. 8:18-23), se esta tiver lugar antes. Finalmente, partida era um termo usado pelos agricultores; queria dizer «por o jugo aos bois». Paulo tinha tomado sobre si o jugo de Cristo, que é fácil de carregar (Mat. 11:28-30), mas quantos fardos ele não carregou no seu ministério! (Se precisar de refrescar a memória, leia em II Cor. 11:22-12:10). Partir e estar com Cristo significaria pôr de lado os fardos, ver completada a sua obra terrena.

     Seja como for, nada poderá roubar a alegria duma pessoa que possui uma mente integral! «Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é ganho» (v. 21). Maltbie Babcock, que escreveu «This is My Father's World» (Este é o Mundo do Meu Pai) disse: «Vida é aquilo para que vivemos.» Quando vou com minha esposa às compras, tenho sempre medo de entrar na secção de tecidos, mas muitas vezes vejo-me obrigado a ir lá porque ela gosta de apreciar os diversos padrões. Se ao dirigir-me para essa secção deparo com o sector dos livros, fico logo entusiasmado. Aquilo que nos excita e «desperta» é o que constitui realmente «vida» para nós. No caso de Paulo, Cristo entusiasmava-o e tornava a sua vida digna de ser vivida.

     O versículo 21 torna-se um texto valioso para as nossas vidas. «Porque para mim o viver é .......... e o morrer é ..........» Preencha o leitor mesmo os espaços em branco.

     «Para mim o viver é o dinheiro e o morrer é deixá-lo todo para trás».

     «Para mim o viver é a fama  e o morrer é ser esquecido».

     «Para mim o viver é o poder e o morrer é perdê-lo todo».

     Não, temos de fazer eco das convicções de Paulo se realmente queremos ter alegria apesar das circunstâncias, e se queremos participar no avanço do Evangelho. «Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é ganho!»     

Warren W. Wiersbe

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