Seja Alegre IX

w_wiersbe_warren.jpg     3. Tenho-vos nas minhas orações (1:9-11)

     Paulo encontrava alegria nas recordações dos amigos de Filipos, e no seu crescente amor por eles. Encontrava igualmente alegria ao recordá-los perante o trono da graça em oração. O sumo-sacerdote do Velho Testamento usava uma veste especial, o éfode, sobre o coração. Nele estavam doze pedras com os nomes das doze tribos de Israel gravados nelas, uma jóia para cada tribo (Ex. 28:15-29). Ele transportava o povo sobre o coração em amor e Paulo agia do mesmo modo. Talvez seja junto ao trono da graça, ao orarmos uns com os outros e uns pelos outros, que poderemos experimentar a comunhão e a alegria cristãs de um modo mais profundo
.


     Aqui temos uma oração por maturidade e Paulo começa com amor. Afinal de contas, se o nosso amor cristão é aquilo que deve ser, tudo o mais se seguirá. Ele roga a Deus que os crentes possam experimentar um amor abundante e com capacidade para discernir. O amor cristão não é cego! O coração e a mente trabalham juntos, de modo que experimentamos amor com discernimento e discernimento com amor. Paulo quer que os seus amigos cresçam em ciência e em todo o conhecimento, na capacidade de «discernir as coisas que diferem». A capacidade de discernir é um sinal de maturidade. Quando um bebé aprende a falar, pode chamar a todos os quadrúpedes um «ão-ão», mas depois a criança vem a descobrir que há gatos, cães, ratos brancos, vacas e outros animais de quatro patas. Para um bebé, um automóvel é exactamente igual a outro, mas já não se verifica o mesmo com um adolescente que tem a mania de carros! Ele é capaz de apontar as diferenças entre os modelos antes que os pais consigam indicar as marcas dos carros! Um dos sinais seguros de maturidade é o amor com discernimento.

     Paulo ora também para que eles possam ter um carácter cristão amadurecido, «sinceros e sem escândalo algum.» A palavra grega traduzida por sincero pode ter vários sentidos. Alguns traduzem-na por «provado pela luz do sol». O cristão sincero não teme" ficar diante da luz! Um indivíduo disse a Carlos Spurgeon, o grande pregador britânico, que desejava escrever a sua biografia. Spurgeon respondeu: «Pode escrever a minha vida nas nuvens! Não tenho nada a esconder!»

     Sincero pode também significar «agitar numa peneira», dando a ideia dum processo de joeiramento que remove todas as impurezas. Nos dois casos, a verdade é a mesma; Paulo ora para que os seus amigos possuam o tipo de carácter que possa ser aprovado no teste. (A palavra sincero vem duma palavra latina que significa «não adulterado, puro, sem mistura»).

     Paulo ora no sentido de que eles revelem maturidade no amor e carácter cristão, «sem escândalo algum até ao dia de Jesus Cristo» (v. 10). Isso significa que as suas vidas não deviam fazer tropeçar outros e que eles estariam prontos para comparecer perante o tribunal de Cristo quando Ele voltar (II Cor. 5:10 e I João 2:28). Eis dois testes bons para seguirmos à medida que exercitamos o discernimento espiritual: (l) Será que isto vai escandalizar os outros ? (2) Ficaria eu envergonhado se Jesus voltasse?

     O apóstolo ora também para que eles revelem um serviço Cristão amadurecido. Ele quer vê-los cheios e frutíferos (v. 11). Não está meramente interessado em «actividades na igreja», mas no fruto espiritual que brota quando estamos em comunhão com Cristo. «Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós se não estiverdes em mim» (João 15:4). Há muitos cristãos que tentam «produzir resultado» pêlos seus próprios esforços, em vez de permanecerem em Cristo e deixarem que a Sua vida produza o fruto.

     Qual é o «fruto» que Deus quer ver nas nossas vidas? Certamente que é o fruto do Espírito (Gál. 5:22-23), um carácter cristão que glorifique a | Deus. Paulo compara o ganhar almas perdidas para Cristo com o produzir fruto, (Rom. 1:13) e menciona também «santidade» como um fruto espiritual (Rom. 6:22). O apóstolo exorta-nos a frutificarmos em «toda a boa obra» (Col. l: 10), e o autor de Hebreus recorda-nos que o nosso louvor é o «fruto dos lábios» (13:15). A árvore de fruto não faz grande alarde quando frutifica; deixa simplesmente que a vida que existe em si opere de modo natural. O fruto é o resultado. «Quem está em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer» (João 15:5).

     A diferença entre fruto espiritual e «actividade religiosa» humana, é que o fruto redunda em glória para Jesus Cristo. Sempre que fazemos alguma coisa na nossa própria força, temos a tendência para nos orgulharmos dela. O fruto realmente espiritual é tão belo e maravilhoso que nenhum homem pode ter a pretensão de o ter produzido; a glória tem de ir só para Deus.

     E nisto que consiste a verdadeira comunhão cristã — um possuir em comum que meu coração.., tenho-vos nas minhas orações.» É esta a comunhão, que produz alegria, e é a mente integral que produz este tipo de comunhão.

     Jerry tinha de ir para a cidade de Nova Iorque a fim de ser submetido a uma operação delicada, e nem queria pensar nisso. «Por que é que não poderei fazê-la aqui?» — perguntou ele ao médico. «Eu não conheço ninguém nessa cidade grande e inóspita!» Mas quando ele e sua esposa chegaram ao hospital, encontrava-se já lá um pastor à sua espera e que os convidou para ficarem em sua casa até ao internamento. A operação foi séria e a permanência no hospital foi longa e difícil; mas a comunhão do pastor e esposa levaram uma nova alegria àquele casal aflito. Eles vieram a reconhecer que as circunstâncias não precisam de nos roubar a alegria. Basta para tal que nós deixemos que essas mesmas circunstâncias fortaleçam a comunhão do Evangelho.

     Vamos pôr este ensino em prática!

     Durante esta semana, deixemos que as circunstâncias nos levem para mais perto dos nossos amigos cristãos. Se possuímos uma mente integral — vivendo para Cristo e para o Evangelho — descobriremos então que as dificuldades e os problemas contribuirão para fortalecer a comunhão do Evangelho e que essa comunhão aumentará grandemente a nossa alegria. Em 1966, eu fui vítima dum grave acidente de viação. Um motorista bateu-me a uma velocidade de cerca de 150 km à hora. No entanto, a comunhão extraordinária que disso resultou valeu por todas as dores e dificuldades. As minhas circunstâncias só concorreram para me aproximar do povo de Deus!

     «Porque para mim, o viver é Cristo e o morrer é ganho» (1:21). Ou, como diz um coro infantil:

«Jesus, os outros e tu!
Que bela forma de escrever ALEGRIA!»*

* Em inglês: «Jesus and Others and You! What a wonderful way to spell JOY!»  

Warren W. Wiersbe

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