Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLIX – Atos 28:17-31 (4)

Acts dispensationally considered

 

DURANTE O ADIAMENTO

 

     Já vimos que durante aquele atraso, ou pelo menos dois anos, o apóstolo exerceu um ministério ativo e vigoroso, recebendo visitas e pregando e ensinando sem restrições. Este ministério estava a dar frutos abundantes.

     Imagine os sentimentos dos soldados da Guarda Pretoriana[1] como, um após o outro, eles se encontrariam no meio de reuniões de crentes, com Paulo a presidir! Conybeare and Howson's Life and Epistles of Saint Paul [A Vida e Epístolas de S. Paulo de Conybeare e Howson] contém os seguintes parágrafos sobre o ministério de Paulo neste período:

     “... Mas nada nela [sua Epístola aos Filipenses] é mais sugestivo do que a alusão de São Paulo aos guardas pretorianos, e aos convertidos que ele ganhou na casa de Nero. Ele diz-nos (como acabámos de ler) que durante os quartos[2] de serviço da Guarda Pretoriana ele foi conhecido como prisioneiro da causa de Cristo, e envia uma saudação especial à Igreja de Filipos dos cristãos na Casa Imperial. Estas notícias trazem perante nós muito vividamente os contrastes morais que cercavam o Apóstolo. O soldado a quem ele estava acorrentado no momento pode ter estado na guarda pessoal de Nero ontem, o seu companheiro que em seguida o renderia na guarda do prisioneiro poderia ter sido um dos executores de Octavia, e poderia ter levado a sua cabeça para Poppaea semanas antes, tais eram os empregos comuns dos ferozes e sanguinários veteranos presentes diariamente, como lobos no meio de ovelhas, nas reuniões da irmandade Cristã. Totalmente endurecidos por uma vida de crueldade, os seus corações certamente devem ter sido tocados pelo caráter do seu prisioneiro, estando, como estavam, em contacto tão próximo a ele. Eles devem ter ficado pelo menos surpresos ao ver um homem, em tais circunstâncias tão totalmente descuidado de interesses egoístas e dedicando-se a uma energia tão inexplicável ao ensino dos outros. Estranhamente, para os ouvidos deles, recém-saídos da brutalidade de um quartel Romano, deve ter sido o som da exortação Cristã, das orações e dos hinos; ainda mais estranho, talvez, o terno amor que ligava os conversos ao ensinador e uns aos outros, que se revelava em todos os olhares e tons.

     “Mas se os agentes da tirania de Nero parecem fora de lugar em tal cena, ainda mais repugnante para os adoradores reunidos devem ter sido os instrumentos dos seus prazeres, os ministros da sua luxúria. No entanto, alguns entre estes, os servos depravados do palácio, foram redimidos da sua degradação pelo Espírito de Cristo, que lhes falou através das palavras de Paulo. Quão profunda era a sua degradação sabemos de registos autênticos. Nós não somos deixados a conjecturar sobre os serviços exigidos aos assistentes de Nero. Os historiadores antigos poluíram as suas páginas com detalhes da infâmia que nenhum escritor da língua Cristã pode ousar repetir. Assim, a própria imensidão da melhoria moral operada, opera para disfarçar a sua própria extensão, e esconde de olhos inexperientes o abismo que separa o paganismo do Cristianismo. Basta dizer que os cortesãos de Nero eram os espectadores, e os membros da sua família os instrumentos de vícios tão monstruosos e antinaturais que eles chocavam até os homens daquela geração, mergulhados em todas as espécies de obscenidade. Mas devemo-nos lembrar que muitos dos que participavam de tais abominações eram agentes involuntários, forçados pela compulsão da escravidão a cumprir as ordens de seu amo. E a própria profundidade da vileza em que eram mergulhados deve ter estimulado em alguns deles uma repulsa e revolta indignada contra o vício. Sob tais sentimentos, se a curiosidade os levasse a visitar a prisão do Apóstolo, eles estavam bem qualificados para apreciar a pureza da sua atmosfera moral. E foi aí que alguns desses escravos infelizes tiveram pela primeira vez a liberdade espiritual e ficaram preparados para enfrentar com paciente heroísmo as torturas sob as quais eles cedo ficaram destinados a expirar nos jardins do Vaticano.” (Pv. 795.796).

     E assim Paulo tornou-se amplamente conhecido, entre os guardas de César, da sua “casa” e em outros lugares, como um prisioneiro da causa de Cristo (Fil. 1:13; 4:22).

     Mas, além de todo este ministério ativo em Roma, o apóstolo ainda tinha “o cuidado de todas as igrejas” (2 Cor. 11:28) mantendo contacto, através de representantes, não somente com aquelas igrejas que ele fundou, mas também com alguns que surgiram indiretamente através dos seus grupos de crentes que ele nunca tinha visto.

     Foi durante esse aprisionamento que ele enviou Tíquico e Onésimo de Roma com as cartas a Colossos e Filémon e a carta aos Efésios (Veja Col. 4:7-9; Filé. 10-15). Depois que Tíquico e Onésimo partiram, parece que Paulo foi animado com a chegada de Epafrodito com uma contribuição dos seus amados amigos em Filipos. A Epístola aos Filipenses foi, em parte, um reconhecimento dessa oferta.

 

[1] Guarda pessoal de Nero.

[2] Períodos de 4 horas [Nota do tradutor].

 

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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