Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVII – Atos 27:1-44 (9)

Acts dispensationally considered

 

DESEMBARQUE EM SEGURANÇA

 

     “Refeitos com a comida, aliviaram o navio, lançando o trigo ao mar.

     “E, sendo já dia, não reconheceram a terra; enxergaram, porém, uma enseada que tinha praia e consultaram-se sobre se deveriam encalhar nela o navio.

     “Levantando as âncoras, deixaram-no ir ao mar, largando também as amarras do leme; e, alçando a vela maior ao vento, dirigiram-se para a praia.

     “Dando, porém, num lugar de dois mares, encalharam ali o navio; e, fixa a proa, ficou imóvel, mas a popa abria-se com a força das ondas.

     “Então, a ideia dos soldados foi que matassem os presos para que nenhum fugisse, escapando a nado.

     “Mas o centurião, querendo salvar a Paulo, lhes estorvou este intento; e mandou que os que pudessem nadar se lançassem primeiro ao mar e se salvassem em terra;

     “E os demais, uns em tábuas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu que todos chegaram à terra, a salvo.”

- Atos 27:38-44.

     Graças à confiança e liderança do apóstolo, sob Deus, a tenebrosidade desta última madrugada, a mais crítica de todas, encontra mais coordenados os esforços dos que estavam a bordo.

     As poucas horas antes de poderem ver terra deveriam ser usadas o melhor possível na preparação do navio para um possível desembarque rápido.

     Quando “refeitos, ou saciados”,[1] e ficaram fortalecidos, começaram a aliviar o navio lançando ao mar a carga de cereais, ou o que quer que restasse. Eles têm que fazer o navio flutuar o mais acima possível, pois quanto menor fosse o calado do navio para mais próximo de terra este poderia ser levado, caso fosse possível encalhá-lo.

     Nada é dito sobre a comida trazida para provisão e, ainda não tendo sido capazes de determinar se estavam ou não perto de terra habitada, é duvidoso que eles a tenham eliminado. Talvez o navio pudesse ser encalhado e estas provisões serem recuperadas para seu sustento.

     A luz do amanhecer finalmente revelou terra, mas ninguém a bordo a reconheceu. No entanto, eles viram através da chuva (Cf. 28:2) “uma baía,[2] que tinha praia” (Ver. 39). Aqui, esperava-se, o navio poderia ser encalhado e os planos foram feitos em conformidade.

     Aqui, a versão que estamos a usar não dá a imagem verdadeira, ao contrário de outras. Primeiro, o original não diz que as âncoras foram “levantadas”, mas “cortadas” ou “retiradas”, “desprendidas”. O que teria sido conseguido levantando quatro âncoras pesadas quando o navio iria encalhar e elas o haviam aliviado para esse propósito? Segundo, a palavra “eles mesmos” na Authorized Version, em inglês, (no versículo 40) é fornecida pelos tradutores e erroneamente. Terceiro, o Grego indica que eles fizeram três coisas simultaneamente.

     Uma melhor tradução do versículo 40, portanto, seria: “E, cortando as âncoras, eles deixaram-nas no mar. Ao mesmo tempo, tendo soltado as amarras do leme e içado a vela principal ao vento, eles fizeram-se à praia”.

     De facto, para evitar um desastre numa situação deste tipo, eles devem ter feito estas três coisas quase simultaneamente.

     A maioria dos comentaristas parece achar que era um “traquete”, e não a “vela principal” que tinha sido içada ao vento neste momento. Nós, no entanto, questionamos isso pelas seguintes razões: Primeiro, há pouca ou nenhuma prova de que a palavra artemon deva ou possa significar um traquete. Em segundo lugar, não há indicação, e pouca probabilidade, de que o navio tivesse um mastro principal (veja as notas em P 83). Terceiro, sabemos que a vela principal foi amainada (Ver. 17) e que esta foi então usada como uma vela de tempestade, ou que uma pequena vela de tempestade foi ajustada. Finalmente, era naturalmente seu propósito dirigir o navio o mais longe possível. Parece, portanto, que uma vela maior proporcionaria a força necessária para realizar isso.

     Mesmo assim, eles não conseguiram alcançar o seu objetivo, pois, indo em direção à costa, encalharam num baixio formado por duas correntes opostas (Ver. 41, “num lugar de dois mares”).

     Aqui, pela primeira vez, a palavra usual para navio (ploin) dá lugar a outra (naus). A plataforma não era mais um navio, mas uma mera casca ou carcaça flutuante. Assim, com a proa presa na lama, a popa do que havia sido um grande navio de mar começou imediatamente a desfazer-se sob o violento bater das vagas.

     Agora decisões rápidas têm que ser tomadas, especialmente no que diz respeito aos prisioneiros. A severidade da disciplina militar Romana fez com que os soldados insistissem na sua execução imediata, pois, se algum deles escapasse, isso custaria aos soldados as suas vidas. Estes soldados estavam tão dispostos a sacrificar a vida dos outros para salvar as suas quanto os marinheiros haviam estado na noite anterior! (Ver. 30).

     Um desses prisioneiros, no entanto, já havia sido notavelmente usado para salvar as vidas deles todos e Júlio, o centurião, era demasiado justo, ou tinha Paulo em muita consideração, para permitir a sua execução. A palavra “querendo”, no versículo 43, indica muito mais do que aquiescência. Ele quis salvar Paulo e, assim, impediu os soldados de realizar o seu plano. E portanto, novamente, Paulo torna-se, indiretamente, no libertador dos outros para que todos pudessem ser levados para a terra.

     Mas em tudo isto não houve pânico. O centurião emitiu ordens para todos os que pudessem nadar se lançassem primeiro à água (Ver. 43). Estes poderiam depois estar em posição de ajudar os restantes a chegar a terra. Esta pode bem ter sido a sugestão de Paulo, pois ele já havia experimentado três naufrágios (2 Coríntios 11:25). Aqueles que não sabiam nadar foram então instruídos a alcançar terra o melhor que pudessem, em pranchas e “coisas do navio” (não necessariamente pedaços quebrados) do navio.

     “E ASSIM ACONTECEU QUE TODOS CHEGARAM À TERRA, A SALVO.” (Ver. 44).

“A calma, a brisa, o vendaval, o temporal,

O oceano e terra,

Tudo, tudo é Teu, e está seguro;

A concha da Tua mão encerra.”

- Edward A. Dayman.

     As medidas tomadas abaixo do sotavento de Clauda, ​​o impedimento da conspiração dos marinheiros, a ajuda e inspiração da “refeição na tempestade”, as medidas finais tomadas para encalhar o navio, a determinação do centurião em salvar Paulo - tudo isto tinham sido partes do edificado propósito gracioso de Deus, que agora tinha sido completa e maravilhosamente cumprido.

 

[1] O termo Grego descreve uma refeição completa e saudável (se simples).

[2] “Enseada” é errado. A palavra kolpos é traduzida por “regaço” em Lucas 6:38, mas era também o termo náutico para baía.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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