Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVII – Atos 27:1-44 (6)

Acts dispensationally considered

 

UMA TEMPESTADE NADA PEQUENA

 

     Como a violenta tempestade continuou ininterruptamente durante a primeira noite e os passageiros e a tripulação ficaram “agitados [pela] veemente tempestade”, tornou-se necessário aliviar o navio. Na verdade, a palavra original está no tempo imperfeito e indica que eles continuavam a aliviá-la (lançando ao mar o que poderia ter sido esquecido) uma provável indicação de que o vazamento já havia começado.

     Porém as coisas tornar-se-iam ainda piores. A imagem é de crescente pânico. “Ao terceiro dia”, diz Lucas, “nós mesmos, com nossas próprias mãos, lançámos ao mar a armação[1] do navio” (Ver. 19). Foram todos postos a trabalhar. Tudo o que não era necessário para a sobrevivência tem que ser lançado ao mar; camas, bagagens, baús, cabos e velas inclusive, sem dúvida, e talvez até parte da carga. Evidentemente, o navio estava a meter mais água. Além disso, eles não tinham bússolas naqueles dias, e sem sol ou estrelas para fazer cálculos, eles ainda estavam noutra grande desvantagem. E isso continuou dia após dia, noite após noite.

     O navio agora reduzido a uma carcaça perfurada, maltratada, desmantelada, a imaginação falha-nos quando tentamos retratar o estado físico e mental das almas sem Deus e sem esperança a bordo. Não havia alívio do violento vendaval, das batidas do mar, da chuva torrencial, dos jatos resultantes. Nenhum fogo poderia ser aceso, nenhum cozinhar poderia ser efetuado, ninguém poderia relaxar, até que os desgraçados cansados ​​e famintos começaram a desesperar. Lucas fecha esta parte do seu registo inspirado com as palavras:

     “E, não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos” (Ver. 20).

 

UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA

 

     “Havendo já muito que se não comia, então, Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse: Fora, na verdade, razoável, ó varões, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta perdição.

     “Mas, agora, vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio.

     “Porque, esta mesma noite, o anjo de Deus, de quem eu sou e a Quem sirvo, esteve comigo,

     “Dizendo: Paulo, não temas! Importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo.

     “Portanto, ó varões, tende bom ânimo! Porque creio em Deus que há de acontecer assim como a mim me foi dito.

     “É, contudo, necessário irmos dar numa ilha.”

- Atos 27:21-26.

 

     Foi nessa situação de profundo desespero que Paulo foi usado por Deus para oferecer esperança e segurança, por meio de uma declaração que, ao mesmo tempo, ensina uma valiosa lição espiritual e dispensacional à Igreja.

     “E havendo já muito que não se comia” – todos -  o apóstolo pôs-se “em pé no meio deles” para dirigir-se a todos os que estavam a bordo. Enquanto eles, sem dúvida (exceto os companheiros de Paulo) estariam a clamar aos seus deuses pagãos (como em Jonas 1:5) Paulo estava em comunhão com Deus e recebeu mais garantias da sua chegada segura a Roma – e também dos que viajavam com ele.

     “Ó varões”, ele exclamou acima do barulho da tempestade: “Fora, na verdade, razoável, ó varões, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta perdição” (Ver. 21).

     Antes de tudo, não foi assim que Paulo constrangeu o piloto e a sua tripulação, o dono do navio, e Júlio, o centurião, mas as circunstâncias atuais exigiam tais medidas para que agora todos pudessem dar ouvidos às suas palavras.

     Quão semelhante é a situação na Igreja hoje! É porque os crentes, e especialmente os seus líderes, ignoraram as instruções dadas por Deus a Paulo que a Igreja é “levada em roda por todo o vento de doutrina” sofrendo tanto dano e perda. E mais uma vez, quando a dispensação da graça parece estar a chegar ao fim, é Paulo quem exclama: “Fora, na verdade, razoável, ... ter-me ouvido a mim”.[2]

     E agora o apóstolo exorta os seus ouvintes a terem bom ânimo, assegurando-lhes que não haverá perda de vida entre eles, mas apenas do navio. Isto pode certamente ser dito da Igreja que é o Corpo de Cristo. Nenhum dos seus membros se perderá, embora a organização sofra um fracasso lamentável.

     Mas como é que Paulo recebeu essa garantia? Ouça o que ele diz quando se ergueu no meio da tempestade violenta:

     “Porque, esta mesma noite, o anjo de Deus, [Lit., “um anjo de Deus] de quem eu sou e a Quem sirvo,[3] esteve comigo,

     “Dizendo: Paulo, não temas! Importa que sejas apresentado a César, e eis que DEUS TE DEU TODOS QUANTOS NAVEGAM CONTIGO” (Vers. 23,24).

     Uma vez mais, há uma notável analogia espiritual e dispensacional. Na presente dispensação, todos aqueles que navegam com Paulo, e somente esses, estão salvos e seguros. Pregadores mal ensinados podem misturar lei e graça, profecia e mistério, o reino e o Corpo, mas os seus ouvintes são salvos somente quando ouvem e recebem a revelação Paulina referente à obra consumada de Cristo e à salvação pela graça apenas por meio da fé. De facto, os ouvintes, por associação errônea, podem ler estas verdades em passagens que na verdade não as ensinam, porém permanece o facto de que elas são salvas através destas verdades da revelação gloriosa confiada a Paulo. Certo é que eles não são salvos por trazerem sacrifícios, como foi Abel (Génesis 4:4,5), nem pelos esforços para guardar a lei (segundo Êxodo 19:5 e Levítico 18:5) nem pelo arrependimento e batismo na água (de acordo com Marcos 1:4 e Atos 2:38), mas apenas pela “pregação da cruz” e “o Evangelho da graça de Deus”.

     Esta cena em Atos encerra com uma demonstração de fé muito notável: um homem de pé sobre um convés destruído por tempestades, clamando sobre o rugido de um mar furioso a mais de duzentos e setenta homens famintos e desfalecidos:

     “PORTANTO, Ó VARÕES, TENDE BOM ÂNIMO! PORQUE CREIO EM DEUS QUE HÁ DE ACONTECER ASSIM COMO A MIM ME FOI DITO” (Ver. 25).

     Sem dúvida, a predição de que eles iriam “dar numa ilha” foi feita para que eles pudessem ter a certeza de que a sua libertação não havia sido por acaso.

 


[1] A palavra Grega para “armação” aqui é evidentemente usada num sentido mais amplo do que a inclusão apenas do cordame e aparelhagem.

[2] Observe a analogia com Eutico, que adormeceu sob o ensinamento de Paulo, caiu da sua posição no “terceiro andar” e foi restaurado por meio da instrumentalidade de Paulo (At 20:6-12; veja Vol. III, pp. 217-227 do exemplar original).

[3] Cf. 1 Reis 17:1: “Vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou”.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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