Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVII – Atos 27:1-44 (5)

Acts dispensationally considered

 

O GRANDE TUFÃO

 

     “E, soprando o vento sul brandamente, lhes pareceu terem já o que desejavam, e, fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta.

     “Mas, não muito depois, deu nela um pé de vento, chamado Euroaquilão.

     “E, sendo o navio arrebatado e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixamos ir à toa.

     “E, correndo abaixo de uma pequena ilha chamada Cauda, apenas pudemos ganhar o batel.

     “E, levado este para cima, usaram de todos os meios, cingindo o navio; e, temendo darem à costa na Sirte, amainadas as velas, assim foram à toa.

     “Andando nós agitados por uma veemente tempestade, no dia seguinte, aliviaram o navio.

     “E, ao terceiro dia, nós mesmos, com as próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio.

     “E, não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos.”

- Atos 27:13-20.

 

ENGANADOS PELO TEMPO

 

     Ah, aquele vento sul brando! Simplesmente o que eles esperavam!

     Ficavam a apenas trinta e poucos quilómetros do porto de Fénix e, embora o vento sul tornasse ainda mais difícil contornar o Cabo Matala, isso seria uma grande vantagem para o resto do caminho.

     E assim foi que “fazendo-se de vela” (Lit., levantando ferro) eles foram “costeando Creta” (só para tornear o cabo, é claro). Por fim, estavam a caminho, presunçosamente antecipando uma viagem despreocupada pela baía até Fénix, talvez dando uma boa risada ao conselho de Paulo, que poderia tê-los levado a desperdiçar uma oportunidade tão dourada. Tão confiantes estavam naquela brisa quente e macia que até deixaram o batel, ou barco a remos,[1] vir a reboque.

 

UM SÚBITO TEMPORAL

 

     Pouco eles imaginavam, quando o grande navio navegava suavemente na brisa amena, que de repente se encontrariam numa terrível crise.

     As palavras “deu nela um pé de vento”, no versículo 14, dão a impressão de que um vento se levantou contra o navio. Tal é incorreto. As palavras são ebalen kar autes: “desceu”. A ideia é que uma tempestade desceu varrendo Creta, cujas montanhas neste ponto se elevam a mais de 2.000 metros. Hoje, as fortes tempestades nesta parte do Mediterrâneo geralmente começam da mesma maneira, com fortes correntes de ar das montanhas.

     Esta não era uma tempestade comum, pois a expressão aqui traduzida como “pé de vento” é o adjetivo tuphonikos. Era um vento de força tifónica - um tufão, chamado localmente de Euro-aquilão, ou O Nordeste.[2] Hoje chama-se O Levante, porque sopra do Levante.

     Então, de repente, aquela violenta tempestade caiu sobre eles, de modo que não houve tempo para enrolar a grande vela principal ou fazer qualquer coisa para controlar o navio. Eles haviam sido apanhados numa tempestade tão violenta que era impossível “navegar contra o vento” (Ver. 15) ou aguentar, como nós costumamos dizer. Não havia nada a fazer senão deixarem-se ir loucamente diante do vendaval.

     Foram afortunados por a tempestade não ter começado mais tarde do que aconteceu, ou teriam sido levados para a ilha de Clauda, ​​uns 32 kms a sudoeste. Como aconteceu, eles passaram a ilha, correndo “abaixo” dela, ou a sotavento da sua costa sul. O escape apertado deve ter sido uma experiência assustadora.

     No sotavento de Clauda, ​​os marinheiros exibiram excelente marinharia, usando a calmaria temporária e comparativa para responder a três questões de suma importância.

     Primeiro o batel tem que ser içado para bordo - e o mais rápido possível. Se já estava inundado ou não, o registo não revela, mas sabemos que neste mar tempestuoso, a tarefa de o içar para bordo não foi facilmente realizada (Veja o Ver. 16). Do subentendido “nós”, no versículo 16, concluímos que Paulo e os seus dois associados, ou pelo menos Lucas, ajudaram nisso.

     Em segundo lugar, o navio tem que ser cingido ou amarrado com cabos ou cordas,[3] para impedir que se despedace. Isto, obviamente, não era trabalho para marinheiros de água doce. “Eles” fizeram-no sem a ajuda dos passageiros.

     Terceiro, havia um grande perigo de o vento nordestino poder levá-los para Sirte as “areias movediças”[4] da costa que hoje são conhecida como Trípoli, e precauções definitivas têm que ser tomadas contra isso. Eles, portanto, “amainaram as velas” ou, literalmente, “diminuíram a velocidade” (Ver. 17). É evidente a partir do contexto que isso não significa que eles baixaram todas as velas. Fazer isso teria sido uma maneira certa de ir parar a Sirte, pois o vento já os estava a levar nessa direção. Além disso, permitir que o navio se movesse ao longo da quebra das ondas seria convidá-lo a afundar-se. Teria que ser levado ou trazido a enfrentar o vento o mais diretamente possível.

     Eles devem, portanto, ter amainado a grande vela principal e as velas e equipamentos mais altos, deixando apenas uma pequena vela ou velas para ajudar a estabilizar o navio. De facto, navegadores de embarcações de navegação mais modernas insistem que o próprio termo: “redução de velocidade”, sob tais circunstâncias, implicaria a colocação de uma vela, ou velas, de tempestade.

     O seu objetivo não era tanto progredir, mas resistir à tempestade e evitar Sirte. Do curso que o navio seguia agora, é evidente que ele estava a enfrentar o vento o mais próximo possível, com o lado direito ou o estibordo a ladear o vento, e a vela da tempestade tão disposta que ela mantivesse a deriva à popa, mas sempre avançando para norte,[5] e “assim foram” como mostra o mapa, cerca de 8 graus a norte, a uma taxa média de talvez uma milha e meia por hora,[6] levando-o para a ilha de Malta em cerca de treze dias, ou a catorze de Bons Portos (Ver. 27).

 

[1] O mencionado nos Vers. 16 e 30. Sem dúvida de tamanho considerável.

[2] Na verdade, muitas vezes soprava do Este Nordeste, mas nesta ocasião deve ter soprado mais do Nordeste, como fica evidente no curso ao longo do qual eles já haviam se deslocado, e do seu medo de serem impelidos para Sirte (Ver. 17).

[3] O procedimento explicado no capítulo XLVII. É interessante observar que o substantivo aqui traduzido “meios” é “ajudas” (ver noutras versões) e é encontrado em apenas um outro lugar no Novo Testamento: Heb. 4:16, onde também aparece como um substantivo: “a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” Assim, vamos ao trono da graça, muitas vezes em tempos de necessidade desesperada, para obter a graça que nos cingirá  e impedirá de sermos despedaçados.

[4] Gr. O Sirte, designado na maioria dos mapas como Sirte Maior, uma extensa área de baixios e recifes em que muitos navios se despedaçaram.

[5] Em tal caso, “a direção que o navio deriva não é a que ele parece navegar ou para onde a sua proa está voltada.” (Conybeare and Howson).

[6] Smith e Penrose concordam que isto seria normal.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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