Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVII – Atos 27:1-44

Acts dispensationally considered

 

A VIAGEM PARA ROMA

OS NAVIOS E NAVEGAÇÃO DO PASSADO

 

     Chegamos agora a um dos episódios mais emocionantes da história do ministério de Paulo: a viagem para a distante Roma, com as suas longas semanas de dificuldades e perigos num mar tempestuoso.[1] Antes de discutirmos esta seção em detalhes, contudo, faremos bem em nos familiarizarmos um pouco com os navios e a navegação daqueles dias.[2]

     É evidente a partir de 2 Cor. 11:25 e outras passagens das Escrituras, que os navios à vela dos tempos antigos afundavam-se em proporção muito maior do que os dos tempos mais modernos.

     Isto devia-se em grande parte à sua construção. Além de terem um casco menos aerodinâmico, os navios antigos usavam pouco mastros grandes ou não mais do que um com a sua grande vela e, talvez uma ou duas velas menores, localizadas perto do centro do navio. Em vez de distribuírem a pressão sobre o navio nos ventos fortes, isso naturalmente centralizava toda a tensão a meia-nau, tendendo a abaular e fender as pranchas (tábuas) abaixo, causando perda de estanquidade.

     Isso explica porque eles “usaram de todos os meios,[3] cingindo o navio”, na tempestade que estamos prestes a considerar (Ver. 17). Também explica a razão de, na tempestade por que Jonas passou, os marinheiros “lançavam no mar as fazendas, que estavam no navio, para o aliviarem” (Jonas 1:5) e porque nesta presente tempestade eles lançaram fora muita carga, e até “a armação do navio?” (Atos 27:18, 19), quando se poderia supor que o lastro teria sido o mais necessário numa tempestade.

     É um erro, no entanto, supor que estas plataformas primitivas eram necessariamente pequenas em tamanho. O navio em que o apóstolo navegou de Mirra para Melita acomodou 276 passageiros e tripulantes além da sua carga, e o navio seguinte que partiu de Melita para a Itália, acomodou todos esses 276, além da sua carga e dos seus próprios passageiros e tripulantes. De facto, Josefo refere-se a um navio em que ele navegou com 600 passageiros a bordo. Muitos navios mercantes antigos, então, eram grandes embarcações marítimas, capazes de transportar cargas pesadas e centenas de passageiros.

     Também seria um erro supor que o simples aparelhamento desses antigos navios impediria que eles operassem a barlavento. Pelo contrário, a passagem que vamos considerar pode confirmar a alegação de algumas autoridades navais de que poderiam navegar contra o vento até cerca de 8 pontos de uma bússola de 32 pontos,[4] pois eles fizeram parte considerável daquela viagem contra o vento, obviamente “bordejando”.

     É verdade, no entanto, que a própria natureza do aparelhamento, embora vantajosa para uma navegação rápida perante o vento, seria uma desvantagem ao navegar contra o vento.

     Neste contexto, é bom observar novamente que o vento prevalecente no Levante sopra do noroeste a maior parte do ano, tornando-se mais forte nos meses de outono e fazendo irromper fortes tempestades no inverno. Assim, as viagens de inverno, de novembro a março, eram evitadas naqueles dias, fazendo com que todos os navegadores procurassem portos para “invernar” (cf. Ver. 12).

 

[1] O leitor será ajudado ao consultar o mapa no início deste volume (Pág. 4), “VIAGEM DE PAULO PARA ROMA” no estudo desta secção dos Atos.

[2] Um dos estudos mais completos sobre este assunto pode ser encontrado em “The Voyage and Shipwreck of St. Paul” [A Viagem e Naufrágio de São Paulo], por James Smith de Jordanhill, Inglaterra, um dos primeiros a considerar esta passagem do ponto de vista de um marinheiro. O livro de Smith apareceu em 1848, quando o interesse em embarcações de vela em Inglaterra estava no auge. É a este livro e ao seu autor que somos principalmente devedores à informação náutica que fornecemos em relação à viagem de Paulo para Roma.

[3] Isso consistia em cabos, correntes ou até mesmo cordas pesadas, passadas ao redor do casco para evitar que este se quebrasse. Este procedimento era chamado de “amarração” pelos primeiros marinheiros das Marinhas do Reino Unido e dos Estados Unidos. Com o surgimento de embarcações de navegação mais modernas e, depois, de navios a vapor, aquelas medidas tornaram-se desnecessárias.

[4] Apesar de os navegadores Romanos e Gregos não usarem bússolas mas se guiarem pelas estrelas (navegação astronómica), quando a vista não alcançava terra.

 

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

Sermões e Estudos

José Carvalho
Influenciados

Sermão proferido por José Carvalho em 14 de julho de 2019

David Gomes
Escapando de Emaús

Sermão proferido por David Gomes em 07 de julho de 2019

Carlos Oliveira
Maldição hereditária

Sermão proferido por Carlos Oliveira em 30 de junho de 2019

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 2:18 em 10 de julho de 2019

ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário