Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVI – Atos 25:23-26:32 (9)

Acts dispensationally considered

 

A DEFESA DE PAULO INTERROMPIDA

 

     “E, dizendo ele isto em sua defesa, disse Festo em alta voz: Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar!

     “Mas ele disse: Não deliro, ó potentíssimo Festo! Antes, digo palavras de verdade e de um são juízo.

     “Porque o rei, diante de quem falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto.

     “Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês.

     “E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!

     “E disse Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias.

     “Dizendo ele isto, se levantou o rei, e o governador, e Berenice, e os que com eles estavam assentados.

     “E, apartando-se dali, falavam uns com os outros, dizendo: Este homem nada fez digno de morte ou de prisões.

     “E Agripa disse a Festo: Bem podia soltar-se este homem, se não houvera apelado para César.”

 

- Atos 26:24-32.

 

     Esta passagem em Atos tem levado alguns a considerar Festo como um indivíduo grosseiro e rude. O que vimos até agora, no entanto, indica que ele foi tudo menos grosseiro. O facto de ele ter interrompido Paulo quando este dizia “isto em sua defesa” e de o ter feito “em alta voz” evidentemente indica que ele estava profundamente agitado.

     É verdade que “... o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus ...” (1 Coríntios 2:14) e que a pregação de “Cristo crucificado” é "loucura para os Gregos" (I Cor. 1:23). É verdade que, à parte da obra do Espírito Santo, tudo isto sobre Aquele que havia morrido, ressuscitando para “anunciar a luz” às nações, juntamente com a história da conversão miraculosa de Paulo, teria parecido a Festo como a mais pura superstição. Mas a Roma Imperial sancionava as superstições fanáticas de muitas religiões. Porque é que, então, as palavras de Paulo causavam tamanha explosão por parte de Festo diante de Agripa e de todos os outros dignitários presentes?

     Se Festo foi movido pelo testemunho emocionante de Paulo, e procurou encobrir os seus sentimentos por esta explosão, ou se ele estava preocupado com o efeito que estava a ter sobre os outros presentes, talvez não possamos dizer, mas certamente o incidente indica o poder espiritual do discurso de Paulo quando falava da escuridão e da luz, do poder de Satanás e de Deus, do perdão dos pecados e de Cristo, o único Salvador.

     A tradução: “As muitas letras te fazem delirar [ou, o muito aprender te faz delirar]!”, é sem dúvida responsável adicional por equívocos sobre o caráter de Festo. A palavra Grega “gramma” significa simplesmente “escritos” e é usada duas vezes nas Sagradas Escrituras (João 5:47; 2 Tim. 3:15). Certamente que um homem do caráter e posição de Festo não se oporia à aprendizagem. Festo referia-se evidentemente aos “escritos” que Paulo defendia com tanto amor. Estes Paulo citava fluentemente; estes ele citava como autoridade final em muitas questões, e estes, sem dúvida, ele tinha estado a estudar diligentemente durante o seu confinamento de dois anos em Cesareia, especialmente em ligação com as revelações adicionais que ele recebeu do Senhor glorificado.

     Assim, o que Festo realmente disse foi: “Os teus muitos escritos te fazem delirar!”

     Paulo, entendendo a agitação de Festo, respondeu com dignidade serena e simples: “Não deliro, ó potentíssimo Festo! Antes, digo palavras de verdade e de um são juízo” (Ver. 25), voltando-se imediatamente para o rei. Esta combinação de protesto firme com cortesia é característica de Paulo. Ele trata Festo com deferência, mas firmeza, como um homem forte pode tratar um adversário fraco, e prossegue demonstrando-lhe que a sua profunda seriedade advém, não de loucura, mas de "verdade e sobriedade".[1]

     Usando habilmente circunstâncias adversas, o apóstolo explica a Festo que o rei Agripa sabe daquelas coisas; que ele pode falar livremente diante dele, e que está convencido de que os detalhes da sua narrativa não lhe eram “ocultos”, já que não tinham sido feitos “em qualquer canto”.

     Inquestionavelmente, Paulo estava correto nisso, pois Agripa não fora apenas educado na religião Judaica, como há muito estava intimamente associado a Israel politicamente. Certamente, então, a conversão de Saulo, o perseguidor, a Cristo e ao extenso ministério do apóstolo e à propagação fenomenal do Evangelho não poderiam ter sido do seu desconhecimento.

     E agora ele faz algo mais propenso a convencer Festo do que qualquer argumento em sua própria defesa. Dirigindo-se a Agripa pessoalmente, ele pergunta: “Crês tu nos profetas, ó rei Agripa?” e então imediatamente acrescenta: “Bem sei que crês” (Ver. 27).

     Ter esperado por uma resposta em tais circunstâncias teria sido impróprio e tolo. Ele, não Agripa, tinha sido chamado a uma audiência, e colocar o rei numa posição embaraçosa só o teria irritado. Assim, com tato, o apóstolo responde imediatamente à sua própria pergunta. Ele sabe que o rei Agripa crê nos escritos do Antigo Testamento - e certamente que Festo não chamaria de louco a Agripa! Nem podia Agripa, na sua posição, negar isso e aceitar a opinião de Festo sobre as Sagradas Escrituras. Assim, com um excelente tato, o apóstolo apela para o próprio Agripa e usa-o como sua testemunha, ao mesmo tempo levando a bom porto a verdade do seu argumento.

 

[1] O Grego sophroneo indica sanidade mental (Veja Marcos 5:15; Lucas 8:35; 2 Cor. 5:13).

 

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

Sermões e Estudos

José Carvalho
Influenciados

Sermão proferido por José Carvalho em 14 de julho de 2019

David Gomes
Escapando de Emaús

Sermão proferido por David Gomes em 07 de julho de 2019

Carlos Oliveira
Maldição hereditária

Sermão proferido por Carlos Oliveira em 30 de junho de 2019

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 2:18 em 10 de julho de 2019

ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário