Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLIII – Atos 23:12-35 (3)

Acts dispensationally considered

 

A CONSPIRAÇÃO FRUSTRADA

     “Então, o tribuno despediu o jovem, mandando-lhe que a ninguém dissesse que lhe havia contado aquilo.

     “E, chamando dois centuriões, lhes disse: Aprontai para as três horas da noite duzentos soldados, e setenta de cavalo, e duzentos lanceiros para irem até Cesareia;

      “E aparelhai cavalgaduras, para que, pondo nelas a Paulo, o levem salvo ao governador Félix.

     “E escreveu uma carta que continha isto:

     “Cláudio Lísias a Félix, potentíssimo governador, saúde.

     “Este homem foi preso pelos Judeus; e, estando já a ponto de ser morto por eles, sobrevim eu com a soldadesca e o livrei, informado de que era Romano.

     “Querendo saber a causa por que o acusavam, o levei ao seu conselho.

     “E achei que o acusavam de algumas questões da sua lei, mas que nenhum crime havia nele digno de morte ou de prisão.

     “E, sendo-me notificado que os Judeus haviam de armar ciladas a esse homem, logo to enviei, mandando também aos acusadores que perante ti digam o que tiverem contra ele. Passa bem.

     “Tomando, pois, os soldados a Paulo, como lhes fora mandado, o trouxeram de noite a Antipátride.

     “No dia seguinte, deixando aos de cavalo irem com ele, tornaram à fortaleza;

     “Os quais, logo que chegaram a Cesareia e entregaram a carta ao governador, lhe apresentaram Paulo.

     “E o governador, lida a carta, perguntou de que província era; e, sabendo que era da Cilícia,

     “Disse: Ouvir-te-ei quando também aqui vierem os teus acusadores. E mandou que o guardassem no pretório de Herodes.

- Atos 23:22-35.

     Mesmo uma leitura informal das passagens do Novo Testamento que tratam de oficiais do Exército Romano deve impressionar as nossas mentes com as louváveis ​​qualidades de caráter que eles, como classe, possuíam. Talvez a disciplina do seu treinamento militar tenha realçado essas boas características. O centurião em Cafarnaum, o centurião na cruz, Cornélio e Júlio, o centurião da Coorte Augusta, são alguns exemplos que se destacam nas nossas mentes.

     Lísias, o tribuno na Fortaleza Antónia, era outro centurião que, apesar de ser pagão, possuía qualidades de caráter que se destacam em notável contraste com a traição malévola dos líderes religiosos de Israel.

     Já vimos a sua justiça e até bondade para com Paulo; e se, na agitação da insurreição, ele tivesse cometido uma ilegalidade ao amarrar Paulo para a flagelação, teria sido sem dúvida apenas porque ele supusera que alguém na posição de Paulo reclamaria a sua cidadania Romana de imediato caso a tivesse.

     O facto de Lísias ter tomado o sobrinho de Paulo “pela mão” indicava ademais que sob o exterior áspero do soldado havia um coração amável e gentil.

     Simultaneamente, o tribuno exerceu a cautela oficial apropriada à sua posição. Primeiro, ele ouviu o rapaz “à parte”. Depois dispensou-o sem indicar que ação tomaria, advertindo-o meramente “que a ninguém dissesse que lhe havia contado aquilo” (Ver. 22).

     Depois, Lísias também agiu com a desenvoltura de um oficial do exército bem treinado. Ele era responsável, não só pela segurança de um cidadão Romano, mas também pela proteção da paz pública. Convencido de que o rapaz havia dito a verdade e percebido que algo assim teria sido o que exatamente alguns fanáticos Judeus provavelmente fariam, ele ordenou de imediato a dois dos seus centuriões que aprontassem duzentos soldados da infantaria regular (provavelmente armados) juntamente com setenta cavaleiros e duzentos lanceiros.[1] A força total de quatrocentos e setenta homens estaria assim preparada para enfrentar várias formas de ataque, e a sua partida foi adiada para o anoitecer (9 da noite), de modo que ninguém pudesse perseguir antes de os portões da cidade serem de novo abertos às seis horas da manhã. A essa altura, eles estariam a nove horas de caminho.

     O grande número de soldados envolvido para conduzir Paulo a Cesareia pode indicar quão perigosamente instável era a situação em Jerusalém, mas por outro lado Lísias, cuja simpatia naquela altura estava claramente com Paulo, pode ter-lhe dado esta grande escolta para elevar o seu prestígio e ao mesmo tempo mostrar aos Judeus como ele protegeria um cidadão romano da sua hostilidade.

     Quão graciosamente Deus havia anulado os desígnios dos inimigos de Paulo - não por alguma demonstração miraculosa, mas pela mais natural das circunstâncias. Como o bom “ânimo” do Senhor deve ter retinido nos seus ouvidos quando, pouco depois das nove da noite, ele estava a caminho de Cesareia com uma escolta digna de um rei! E imagine o pesar dos principais dos sacerdotes quando, em vez de obterem permissão para levar Paulo a interrogatório, foram rejeitados com a breve resposta: “Enviei-o ao governador em Cesareia; apresentem lá queixa contra ele”!

     A carta de Lísias a Félix demonstra ainda mais o seu caráter e capacidade como oficial Romano, embora nela ele ceda à natural inclinação humana de se proteger da culpa e de se colocar à melhor luz possível diante de Félix - mesmo com algum desvirtuamento dos factos.

     Dirigindo-se a Félix como “Potentíssimo, ou [Excelência]”, o tribuno coloca corretamente o caso de Paulo a uma luz favorável e o dos seus acusadores a uma luz desfavorável, enquanto ao mesmo tempo muda alguns factos para benefício próprio.

     A declaração de Lísias de que ele já havia ordenado que os acusadores de Paulo comparecessem diante de Félix era, sem dúvida, legítima. É facilmente possível que os principais dos sacerdotes já tivessem pedido a presença de Paulo para uma nova audiência (Ver. 21) e que Lísias lhes tivesse dado a sua resposta, mas em todo caso ele deve ter feito isso antes que a sua carta pudesse ter sido lida por Félix.

     Deslocando-se de noite, as tropas de Lísias conduziram Paulo em segurança para Antipatris, a uns 65 quilómetros de distância, sem dúvida acordando as pessoas ao longo do caminho. Tendo-o levado assim, os quatrocentos soldados de infantaria e lanceiros marcharam de regresso a Jerusalém ficando a cavalaria para transportar o apóstolo até ao fim da jornada para Cesareia. Não havia necessidade de deixar a Fortaleza de Antónia com poucos homens.

     Transparece do registo que a cavalaria, sem dúvida, após um período de descanso, continuou a fazer os quarenta quilómetros restantes para Cesareia naquele mesmo dia, alcançando a cidade enquanto ainda era dia.

     Quais devem ter sido os pensamentos e sentimentos dos crentes em Cesareia quando os cansados cavaleiros entraram na cidade com Paulo no meio deles! Havia apenas uns dias, Ágabo advertira-o dos perigos em Jerusalém, prevendo que ele seria entregue às mãos dos Gentios, e todos eles, juntamente com os companheiros de Paulo, imploraram-lhe que não fosse (21:8-12). Agora a previsão de Ágabo cumprira-se e os seus receios concretizaram-se. E que pensamentos devem ter enchido o coração e a mente de Paulo! Porém, Deus estava naquilo tudo, pois desta maneira Paulo deveria levar o nome de Cristo diante dos “reis”, como fora predito em Atos 9:15, e cumprir um ministério ainda maior entre os Gentios.

     Se os pretensos assassinos de Paulo fossem fiéis ao seu juramento, todos eles teriam morrido de fome, todavia Lightfoot mostra pelo Talmude que tais votos poderiam ser facilmente anulados.

     Quando os soldados apresentaram Paulo e a carta de Lísias dirigida a Félix, o governador perguntou de que província o prisioneiro era oriundo. Tendo conhecimento que ele era Cilício, Félix então prometeu-lhe uma plena audiência[2] quando os seus acusadores chegassem, e manteve-o entretanto no pretório de Herodes.

____________________________________ 

[1] A tradução aqui está provavelmente correta. O termo exato no original é “os que seguram com a mão dextra”, referindo-se sem dúvida aos que arremessavam lanças com a mão direita.

[2] É duvidoso que o território de Félix pudesse incluir a Cilícia, mas como esta não era uma província vizinha e a revolta ocorrera na Judeia, Félix sem dúvida sentiu-se justificado em aceitar o caso.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

Sermões e Estudos

Carlos Oliveira 15OUT21
O maior filantropo

Tema abordado por Carlos Oliveira em 15 de outubro de 2021

Dario Botas 10OUT21
Qual a tua motivação? (Parte III)

Tema abordado por Dário Botas em 10 de outubro de 2021

Carlos Oliveira 08OUT21
A violência

Tema abordado por Carlos Oliveira em 08 de outubro de 2021

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 4:3,4 em 13 de outubro de 2021

 
ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário