Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLI – Atos 21:27-22:30 (5)

Acts dispensationally considered

 

PAULO INSISTE NOVAMENTE NOS SEUS DIREITOS

COMO CIDADÃO ROMANO

     “E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um Romano, sem ser condenado?

     “E, ouvindo isto, o centurião foi e anunciou ao tribuno, dizendo: Vê o que vais fazer, porque este homem é Romano.

      “E, vindo o tribuno, disse-lhe: Diz-me, és tu Romano? E ele disse: Sim.

     “E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu sou-o de nascimento.

     “E logo dele se apartaram os que o haviam de examinar; e até o tribuno teve temor, quando soube que era romano, visto que o tinha ligado.

     “No dia seguinte, querendo saber ao certo a causa por que era acusado pelos judeus, soltou-o das prisões e mandou vir os principais dos sacerdotes e todo o seu conselho; e, trazendo Paulo, o apresentou diante deles.”

- Atos 22:25-30.

            O apóstolo era agora um combatente com cicatrizes por combater por Cristo. Ele já havia sofrido “açoites sem medida” [TB]. Ele recebeu “dos judeus cinco quarentena de açoites menos um”[1] Por “três vezes” ele foi “açoitado com varas”, pelos lictores Romanos (Veja 2 Cor. 11:23-25). Agora seria o chicote Romano.

     Mas quando eles o amarravam ao poste de flagelação, com “correias”,[2] sem dúvida, tendo-o despido da cintura para cima (cf. 16:22), ele perguntou ao centurião que estava ali: “É-vos lícito açoitar um Romano, sem ser condenado?”

     Observe aqui a ênfase. Uma dupla ilegalidade havia sido cometida.

     Se era - e era - uma violação à lei Romana flagelar um cidadão Romano, quanto mais flagrante era uma violação flagelá-lo sem sequer haver uma audiência!

     O efeito da questão tranquila de Paulo foi instantâneo! O centurião em cujas mãos o brutal espancamento havia sido evidentemente confiado foi de imediato ao tribuno e exclamou: “Vê o que vais fazer, porque este homem é romano”.

     Isso levou o tribuno a entrar em cena com a pergunta atónita: "És tu Romano?" Ele ficara surpreso ao ouvi-lo falar Grego; depois, surpreso novamente, ao ouvi-lo falar Hebraico. Ora ele também era um cidadão Romano? A resposta do curto “Sim” de Paulo, talvez brusco, pode ter expressado censura à ação precipitada do tribuno.

     Embaraçado, Lísias faz-se amigável com Paulo, até mesmo confidente, explicando como lhe custara uma grande soma de dinheiro tornar-se cidadão Romano.[3] Todavia Paulo, vincando ainda mais a sua vantagem, respondeu simplesmente: “Mas eu sou-o [Romano] de nascimento”.

     Com isso, todos aqueles que estavam prontos para o examinar “logo dele se apartaram”. Ninguém queria estar envolvido. E o tribuno, que dera a ordem original para a flagelação, estava com medo.

     Não longe deste local, o Senhor Jesus Cristo havia sido flagelado pelos Romanos, no entanto Paulo agora podia reclamar e reclamou isenção como cidadão romano. De facto, o registo dos Atos retrata-o, em várias ocasiões, a defender os seus direitos como Romano. Havia várias razões para isso, mas o significado dispensacional é talvez o mais importante, pois o Espírito enfatizava assim o caráter Gentílico do seu apostolado e ministério.

     Este servo fiel de Deus testificou fervorosamente ao povo escolhido como “Judeu” (Ver. 3) e estes prontificaram-se a matá-lo. Mas quando ele se descreveu aos Gentios como “Romano” (Ver. 25), a sua palavra foi de imediato aceite e ele foi tratado com respeito.

     Mas há uma outra lição dispensacional para nós aqui. Paulo, o antigo inimigo de Cristo agora reconciliado pela graça e erguendo-se aqui como “Judeu” e “Romano” num só “homem”, é o representante natural da Igreja da presente dispensação, o “um novo homem”, constituído por Judeus e Gentios reconciliados com Deus num só corpo pela cruz (Veja Efésios 2:14-16). Que esta dispensação havia despontado e o “um só Corpo” estava a ser formado, torna-se evidente pelo que ele já havia escrito aos Coríntios e aos Romanos (Veja 1 Cor. 12:13,27; Rom. 12:5).

     A magnífica serenidade de Paulo em tudo isto, novamente, sob Deus, colocou-o a ele e à sua causa numa posição vantajosa. De facto, Lísias ficaria contente se, como os magistrados Filipenses, num embaraço semelhante, ele pudesse ter deixado o apóstolo partir com um pedido de desculpas,[4] mas Jerusalém não era Filipos. Ali em baixo estava a multidão irada, clamando pela execução do apóstolo. Pelo menos o protesto de Paulo iria enrijecer a determinação do tribuno em ver fazer-se justiça.

     Ainda sem saber qual a queixa que os Judeus tinham contra Paulo, no dia seguinte Lísias “soltou-o das prisões”[5] (Ver. 30) e convocou uma reunião do Sinédrio, colocando Paulo perante eles, para que as acusações formais pudessem ser feitas contra ele.

     Provavelmente esta sessão não foi realizada nas salas de audiências regulares do Sinédrio, ou os soldados Romanos não teriam sido autorizados a entrar; nem na fortaleza, pois Lísias, e os seus soldados, mais tarde tiveram que “descer” para o levar (Veja 22:30; 23:10). Talvez tenha sido realizada em algum lugar neutro.

     O facto de um mero “tribuno”, com mais de mil soldados Romanos, poder convocar o Sinédrio Judeu para uma reunião, indica quão servil Israel, e até mesmo sua Corte Suprema, se tinham tornado para Roma.

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[1] Quarenta não eram permitidos, para que a vítima não morresse.

[2] Lit., tiras, cintas. A palavra é três vezes traduzida por “correias”, referindo-se às correias das sandálias do nosso Senhor (Marcos 1:7; Lucas 3:16; João 1:27).

[3] Alguns acham que Lísias puxou esta questão, duvidando que um pobre judeu pudesse ser cidadão Romano. Nós rejeitamos isso porque 1.) Paulo claramente não era do tipo de pessoa que fingia para obter vantagem temporária e, portanto, arriscar uma punição maior; 2.) A cidadania Romana era conferida a muitas pessoas pobres por razões variadas e 3.) não acreditamos que Paulo fosse pobre nesta altura, como mostraremos quando lidarmos com a sua situação financeira neste período do seu ministério.

[4] Veja as notas sobre Atos 16:35-40.

[5] Uma palavra diferente de “atando” no Ver. 25. Não era ilegal manter um prisioneiro romano preso (ver 26:29; Colossenses 4:3; 2 Timóteo 2:9).

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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