Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLI – Atos 21:27-22:30 (4)

Acts dispensationally considered

 

ATÉ ESTA PALAVRA

     “E aconteceu que, tornando eu para Jerusalém, quando orava no templo, fui arrebatado para fora de mim.

     “E vi Aquele que me dizia: Dá-te pressa e sai apressadamente de Jerusalém, porque não receberão o teu testemunho acerca de Mim.

      “E eu disse: Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em Ti.

     “E, quando o sangue de Estêvão, Tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava as vestes dos que o matavam.

     “E disse-me: Vai, porque hei de enviar-te aos Gentios de longe.

     “E ouviram-no até esta palavra e levantaram a voz, dizendo: Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva!

     “E, clamando eles, e arrojando de si as vestes, e lançando pó para o ar,

     “O tribuno mandou que o levassem para a fortaleza, dizendo que o examinassem com açoites, para saber por que causa assim clamavam contra ele.”

- Atos 22:17-24.

     O propósito de Paulo ao dirigir-se à multidão em Jerusalém não era meramente contar-lhes a história da sua conversão. Havia mais a ser dito e ele tem que chegar ao ponto.

     Cautelosamente, ele explica como, após sua conversão e comissão para dizer a “todos os homens” o que ele tinha visto e ouvido, ele retornou a Jerusalém e foi ao templo para orar. E foi ali, na Casa de Deus, enquanto estava ocupado em oração, que, em transe,[1] o Senhor ordenou-lhe que se retirasse de Jerusalém, visto que eles não receberiam o seu testemunho a respeito d’Ele. Sabemos do registo em Atos 9 que a sua própria vida estava em perigo naquela altura (Ver. 29), mas não seria sensato, sábio, trazer isso aqui à liça. Em vez disso, o apóstolo mostra como ansiava permanecer e trabalhar com o seu povo, recordando como ele havia argumentado com o próprio Senhor a este respeito, citando o facto de que estas pessoas sabiam como ele havia aprisionado e espancado os que haviam crido em Cristo e como ele até participou da morte de Estevão, guardando as roupas dos que o apedrejavam, de modo que certamente ouviriam o seu testemunho.

     Quão injusta e falsa, ele insinua, é a acusação de que ele fora contra o povo, contra a lei e contra o templo! No entanto, nas suas referências à sua perseguição aos crentes em Cristo e ao apedrejamento de Estevão, encontramos um exemplo nobre de alguém que procura fazer reparação pública a um pecado público, culpando-se a si mesmo em grande parte pela incredulidade deles.

     Contudo ele recorda como o Senhor não permitiu que ele ficasse, ordenando-lhe sumariamente:

     “Vai, porque hei de enviar-te aos Gentios de longe” (Ver. 21).

     Certamente isto não se poderia referir a uma qualquer jornada particular que Paulo estivesse para realizar, mas ao campo de trabalho que dali em diante deveria ser seu. É claro que a multidão entendeu isso.

     Assim, o apóstolo reconhece que o Senhor o instruíra a deixar Jerusalém; que eles não escutariam de forma alguma, ainda que aqui ele estivesse a instar com eles - e sob tais circunstâncias! Poderia ele oferecer maior prova do seu amor por eles?

     De facto, o apóstolo teria coroado o seu discurso com uma proclamação da graça de Deus (Veja 20:24) e um rogo aos seus ouvintes para aceitarem essa graça, mas este é outro dos discursos interrompidos do Livro de Atos. Eles não permitiram que ele terminasse.

     Ele havia evitado mencionar os Gentios até agora, adiando isso até ele primeiro mostrar aos judeus como ele os amava e como somente a mando divino, específico e repetido, ele deixara o povo favorecido para ir aos Gentios. Contudo eles só “ouviram-no até esta palavra” e então, como quando o fogo é feito chegar a um explosivo, eles explodiram numa demonstração de ira descontrolada que acabou de imediato com o discurso do apóstolo.

     Eles deveriam ter-se interessado pela salvação dos Gentios (veja Gén. 22:18; Isaías 56:6-8), mas o seu intenso orgulho nacional havia-os cegado para tudo o que o apóstolo dissera, de modo que eles gritaram: “Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva!” “E, clamando eles,” lançaram de si “as vestes”[2], e lançaram “pó para o ar”.

     Gentios! Isto era o transbordar do copo! Agora ele tinha ido longe demais! Imagine este apóstata da lei, este traidor da sua nação, a alegar uma visão do céu e um transe no templo como sua defesa para franquear as portas da adoração divina aos “pecadores dentre os Gentios”, aos cães da incircuncisão! Eles não ouviriam mais. Este homem tem que ser morto.

     Infelizmente, as esperanças e orações de Paulo em relação a Jerusalém não se tinham realizado. “O bom desejo do [seu] coração e a oração a Deus” para que pudessem ser salvos (Rom. 10:1) não fora cumprido. Ele não foi autorizado a proclamar-lhes “o Evangelho da graça de Deus” (Atos 20:24). Ele não havia sido “livre dos rebeldes que estão na Judeia”, nem o ministério de sacrifício das igrejas Gentílicas fora “aceite pelos santos” (Rom. 15:30,31). Se eles aceitaram o dinheiro (que não nos é dito), certamente não serviu para os aproximar dos seus irmãos Gentios em Cristo.

     Se os judeus incrédulos eram amargos inimigos de Paulo, então “Tiago e os anciãos”, juntamente com qualquer um dos doze apóstolos que estavam presentes, eram seus amigos muito duvidosos. Nem agora, nem mais tarde, encontramos um deles colocando-se ao seu lado, embora Tiago, Cefas e João o tivessem reconhecido oficial e publicamente, uns anos antes, como o apóstolo da graça e o apóstolo dos Gentios.

     De facto, o compromisso que Tiago e seu grupo persuadiram Paulo a assumir não produziu nada - senão, aquele alvoroço - enquanto eles se colocaram na sombra.

     No entanto, o apóstolo agiu somente por amor aos seus parentes e ao seu Senhor, e foi assim, na providência de Deus que Israel recebeu um último e comovente testemunho de Cristo dos lábios de alguém que tinha sido instruído a deixá-los à sua sorte.

     É claro que a predição inspirada de Isaías havia sido amplamente cumprida:

     “Mas contra Israel diz: TODO O DIA ESTENDI AS MINHAS MÃOS A UM POVO REBELDE E CONTRADIZENTE” (Rom. 10:21).

     Mas agora o apóstolo enfrentaria outro teste. O seu discurso, pronunciado em Hebraico, tinha dado o ar de uma comunicação confidencial apenas para os Judeus, com o resultado de que Lísias e os seus soldados só puderam ouvir com vã curiosidade e talvez impaciente suspeição. E agora, neste renovado tumulto persistente, Lísias evidentemente suspeitou que Paulo fosse culpado de algum crime grave.

     Por isso ele ordenou que o apóstolo fosse levado à fortaleza para ser examinado “com açoites” (Ver. 24). Isso era muito mais brutal do que a nossa chamada “tortura”. Tratava-se de uma série de chicotadas infligidas para extorquir a admissão do crime.

_______________________________ 

[1] Gr., ekstasis, um arrebatamento para fora de si mesmo.

[2] Isto é, vestuário exterior. O apóstolo sabia bem o que eles significavam com isso. Eles estavam a preparar-se para o apedrejar, se tão-somente o tribuno o entregasse a eles (veja 22:20).

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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