Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLI – Atos 21:27-22:30

Acts dispensationally considered

 

O ALVOROÇO EM JERUSALÉM

     “Quando os sete dias estavam quase a terminar, os Judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele,

     “Clamando: Varões israelitas, acudi! Este é o homem que por todas as partes ensina a todos, contra o povo, e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os Gregos e profanou este santo lugar.

      “Porque tinham visto com ele na cidade a Trófimo, de Éfeso, o qual pensavam que Paulo introduzira no templo.

     “E alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de povo; e, pegando de Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam.

     “E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão.

     “Este, tomando logo consigo soldados e centuriões, correu para eles. E, quando viram o tribuno e os soldados, cessaram de ferir a Paulo.

     “Então, aproximando-se o tribuno, o prendeu, e o mandou atar com duas cadeias, e lhe perguntou quem era e o que tinha feito.

     “E, na multidão, uns clamavam de uma maneira; outros, de outra; mas, como nada podia saber ao certo por causa do alvoroço, mandou conduzi-lo para a fortaleza.

     “E sucedeu que, chegando às escadas, os soldados tiveram de lhe pegar por causa da violência da multidão,

     “Porque a multidão do povo o seguia, clamando: Mata-o!

     “E, quando iam introduzir Paulo na fortaleza, disse Paulo ao tribuno: É-me permitido dizer-te alguma coisa? E ele disse: Sabes o Grego?

     “Não és tu, porventura, aquele Egípcio que antes destes dias fez uma sedição e levou ao deserto quatro mil salteadores?

     “Mas Paulo lhe disse: Na verdade, eu sou um homem Judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo.

     “E, havendo-lho permitido, Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão ao povo; e, feito grande silêncio, falou-lhes em língua Hebraica, dizendo:

- Atos 21:27-40.

PAULO ATACADO NO TEMPLO

     Os milhares de peregrinos que viajaram para Jerusalém nos seus principais dias de festa seriam, com certeza, os que mais zelavam pela lei e pelas tradições dos pais. Além disso, dos Judeus incrédulos que residiam em Jerusalém provavelmente restariam poucos que reconheceriam Paulo, pois já tinham passado mais de vinte e cinco anos que ele tinha sido visto publicamente em Israel, como o líder da grande perseguição contra Cristo.

     Assim, foram “os Judeus da Ásia” que iniciaram a grande revolta contra Paulo em Jerusalém.

     Foi quando os sete dias de purificação estavam prestes a ser realizados que esses fanáticos o viram no templo e clamaram contra ele. Eles haviam reconhecido Trófimo de Éfeso com ele na cidade e agora supunham que ele havia introduzido “no templo os Gregos[1]” para demonstrar o seu desprezo por Israel, pela lei e pelo templo.

     Que o ministério de Paulo tinha sido amplamente discutido - e deturpado - é evidente a partir do clamor: “Varões israelitas, acudi! Este é o homem que por todas as partes ensina a todos, contra o povo, e contra a lei, e contra este lugar” (Ver. 28).           

     Esta foi praticamente a mesma acusação sobre a qual o Sinédrio, juntamente com Saulo, havia apedrejado Estêvão até à morte anos antes (Atos 6:13). Agora o apóstolo ouve a mesma acusação de blasfémia lançada contra ele. A acusação era, evidentemente, totalmente falsa, assim como a acusação adicional de que ele havia profanado o templo, introduzindo os Gregos no mesmo, mas visava incitar o povo à indignação.

     Escavações da Sociedade de Exploração da Palestina (Report for 1871 [Relatório Relativo a 1871], p. 132) trouxeram à luz uma laje de pedra com uma inscrição, decifrada pelo sr. Clermont Ganneau, que ilustra o horror com que os Judeus olhavam para a profanação feita pelos Gentios naquela parte interna dos terrenos do templo exclusiva dos Judeus, que é sagrada. A inscrição diz:

     “NENHUM HOMEM DE RAÇA ESTRANGEIRA DEVE ENTRAR NA BALAUSTRADA E CERCA QUE ESTÁ EM VOLTA DO TEMPLO. SE ALGUÉM FOR APANHADO NO ATO, QUE SAIBA QUE TEM QUE SE CULPAR A SI MESMO PELA PENA DE MORTE QUE SEGUE.”

     Tal clamor, então, levantado contra alguém que tinha sido durante tanto tempo e tão amplamente caluniado, teve um efeito imediato.

     Se Alexandre, o Judeu Efésio (Atos 19:33,34; 2 Timóteo 4:14,15) teve alguma coisa a ver com esta insurreição, não nos é dito, mas o modelo seguido foi muito idêntico ao da revolta em Éfeso uns anos antes.

     De repente, toda a cidade estava em alvoroço, as pessoas a correrem e a conjuntamente arrastarem[2] Paulo para fora do templo, fechando as grandes portas para evitar mais profanação. Detendo-o ilegalmente, eles começaram a espancá-lo e estavam prestes a matá-lo quando algo ocorreu que os impediu.

     Com vista para o terreno do templo estava a fortaleza de Antónia[3], o quartel dos soldados Romanos que mantinham a ordem em Jerusalém. Mal o tumulto começou um relato do mesmo foi transmitido ao “tribuno da coorte” (Comandante da Guarda)[4], provavelmente por sentinelas que estavam de plantão. O tribuno Cláudio Lísias deslocou-se apressadamente de imediato com um destacamento de soldados, para investigar e restaurar a ordem.

     Deste modo os Judeus “cessaram de ferir a Paulo” (Ver. 32). Mais uma vez o apóstolo deveu a sua segurança e proteção da violência à intervenção das autoridades civis.

 _______________________________

[1] Os quatro homens por quem Paulo estava agora prestes a oferecer sacrifícios podem ter estado com ele e terem sido confundidos com os Gregos.

[2] Gr. Helko.

[3] A Fortaleza Antónia era uma praça-forte construída por Herodes, o Grande, em Jerusalém, na extremidade oriental da muralha da cidade, ligada ao Templo por uma galeria, e cujo nome homenageava o triúnviro romano, Marco António, protetor de Herodes. O historiador Flávio Josefo descreveu o forte como "uma torre com quatro torres em cada canto", ligado ao templo por duas colunas com um espaço estreito entre elas. As medições dadas por Josefo sugerem uma separação de 200 metros entre os dois complexos. Nota do tradutor.

[4] “Tribuno da Coorte”, Gr. Chilliarch, “Comandante de mil”; Gr. Speira, uma das dez divisões de uma legião, ou seja, cerca de 600 homens.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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