Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XL – Atos 21:15-26 (3)

Acts dispensationally considered

 

UMA RECEÇÃO FRIA

    Quando Paulo saudou Tiago e os anciãos, houve uma manifestação superficial de harmonia, mas os elementos de suspeita e discórdia espreitavam encobertos. Não foi Tiago quem abriu a sua casa a Paulo. Ele não se encontrava entre os que se tinham reunido para receber o grande apóstolo na noite anterior. E o seu grupo não tornara as coisas fáceis para Paulo nos últimos anos.

     Mas agora, talvez, o ambiente desanuviasse, à medida que Paulo lhes contava “minuciosamente”, ou seja, em detalhes, “o que por seu ministério Deus fizera entre os Gentios”[1]. Deve ter sido emocionante ouvir o grande apóstolo falar dos ídolos expulsos, dos livros pecaminosos queimados, das práticas iníquas abandonadas, de Cristo recebido e glorificado de cidade em cidade, e ver os representantes das várias igrejas sem dúvida apresentando as suas ofertas neste momento; uma imensa quantidade e uma prova sacrificial da sua afeição para com os seus irmãos na Judeia.

     A resposta? “eles, glorificaram ao Senhor e disseram-lhe” - mudando rapidamente o assunto para uma matéria que só poderia embaraçar o apóstolo. O registo não diz uma única palavra sobre a sua concordância em ajudar os crentes Judeus a entender Paulo e o seu ministério dado por Deus, nem uma única palavra sobre o convite deles para lhes dizer o que Deus havia operado através dele, nem sequer uma palavra sobre agradecer-lhe e às igrejas Gentílicas por tão generosamente manterem a sua promessa feita uns anos antes (Gál. 2:10) - e nada teria caído mais naturalmente dentro do âmbito do relato de Lucas, se tivesse ocorrido.

     Em vez disso, eles destacaram “quantos milhares” (Lit. Myriads, ou dezenas de milhares) de judeus criam, todos eles “zeladores[2] da lei”, e insistiram para que, uma vez que estes tinham sido informados de que ele havia apostatado de Moisés, ele deveria silenciar o rumor participando publicamente num voto.

     Quando lemos o registo, não ficamos com a impressão de que estes homens fossem completamente sinceros, pois que maior zelador da lei existia do que o próprio Tiago, e ... não foi um grupo que veio “da parte de Tiago” que levou Pedro a se separar dos crentes Gentios? (Gál. 2:12). Se aqueles milhares de crentes Judeus se puseram a acreditar que Paulo havia apostatado de Moisés, eles fizeram-no sob a liderança de Tiago e do seu grupo.

     Tiago e os anciãos usaram de um velho estratagema habitual de rotular os outros de zeladores, ou zelotes, declarando: “Todos dizem isto”, mas abstendo-se eles mesmos de dizer a Paulo a sua própria opinião.

     Nas palavras de John Kitto, “É decepcionante (...) encontrar o glorioso recital de triunfos do Evangelho do apóstolo e a ação de graças aparentemente sincera dos anciãos, imediatamente seguida de uma proposta de conveniência, visando conciliar preconceitos indignos, baseados em falsa representação” (The Apostles and Early Church, p. 304) [Os Apóstolos e a Igreja Primitiva].

     Anos antes, no grande Concílio de Jerusalém, Pedro declarara que Deus não havia feito “diferença alguma” entre eles e os Gentios, purificando os corações destes pela fé. Ele havia ainda instado com os seus irmãos para não colocarem um jugo sobre o pescoço dos discípulos Gentios que nem os seus pais Judeus nem os seus filhos puderam suportar (Atos 15:9,10). Ele chegou a ponto de dizer: “Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também” (Ver. 11).

     Como resultado desse magnífico testemunho, Tiago, Pedro, João e toda a igreja fizeram um reconhecimento solene e público de Paulo como o apóstolo da incircuncisão e o apóstolo da graça (Atos 15:23-29; Gálatas 2:7-9). A igreja em Jerusalém deveria ter prosseguido a partir dali, como fez Pedro (II Pedro 3:15-18) e agora deveria ter aceitado Paulo de acordo com aquele acordo. Mas sob Tiago e o seu grupo, eles recusaram e recuaram, em vez de avançarem, espiritualmente.

     Geikie diz sobre isso: "... enquanto pouco tempo antes, apenas uma parte deles eram extremistas na suas ideias Judaicas (Atos 15:1,5), agora eram todos fanaticamente zelosos com a lei. O grupo extremista do país espalhou tão rapidamente as suas ideias que o Judaísmo se tornou amargamente irreconciliável" (New Testament Hours, Vol. III, p. 375) [Horas do Novo Testamento].

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[1] Isto poderia indicar ainda mais a atitude desfavorável dos presentes em relação ao seu ministério

[2] A palavra, no original, é um substantivo.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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