Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXIII – Atos 18:23-28 (3)

Acts dispensationally considered

 

     Como Apolo veio ao conhecimento de “o batismo de João” e de “o caminho do Senhor”, não sabemos. Provavelmente, ou ele visitou a Palestina algum tempo antes, ou os discípulos da Palestina tinham chegado a ele no Egito. De qualquer forma, ele estava tão cheio do que aprendera que “falava e ensinava” livremente e agora “começou a falar ousadamente na sinagoga” (Vers. 25,26). Assim, o lugar que Paulo recusara preencher estava agora ocupado por alguém que conhecia apenas “o batismo de João”.

    Mas as maiores qualidades deste grande homem, e também de Áquila e Priscila, ainda estão para aparecer.

      Quando o casal ouviu pela primeira vez Apolo pregar, eles, é claro, reconheceram-no como um grande mestre da Palavra, mas, à medida que ele continuava a ensinar, eles notaram que ele não ia além do batismo de João e dos ensinamentos de Cristo na Terra.

     Nesta questão, que deve ter sido uma deceção para eles, eles mostraram o seu bom caráter cristão. Eles não o levaram a questionar as suas limitações ou a criticá-lo perante os outros. Em vez disso, eles “o levaram consigo”, talvez convidando-o para jantar ou para os visitar, e então “lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus” (Ver. 26).

     A palavra grega aqui traduzida “mais pontualmente” é o comparativo da que é traduzida por “diligentemente [Lit., com precisão]” acima. Aqui, Apolo havia encontrado um casal que poderia levá-lo ainda mais para a verdade com a mesma exatidão meticulosa que ele próprio exibira e, portanto, poderia apreciar.

     Deve-se notar que, apesar de ele haver sido instruído no “caminho do Senhor”, Áquila e Priscila agora conduzem-no mais adiante, para o caminho de Deus [Gr .: Theos] (Ver. 26). Eles agora podiam falar a Apolo das grandes verdades básicas do mistério, como haviam aprendido com Paulo no seu "Evangelho da graça de Deus". Eles poderiam expor-lhe a crucificação, ressurreição e ascensão (que ele poderia ter ouvido) à luz daquela graça - tudo aquilo harmonizando perfeitamente com as Escrituras do Antigo Testamento, apesar de não ensinado ali.

     É digno de nota que Apolo recebeu o seu treinamento teológico avançado, não num seminário ou de qualquer um dos grandes líderes da época, mas de dois humildes fazedores de tendas, sendo um deles uma mulher. Nem é esta a última vez que ouvimos sobre o serviço deste casal piedoso de Cristo, pois mais tarde Paulo escreve sobre eles como tendo aberto sua casa para os cultos regulares da igreja aqui em Éfeso (1 Cor. 16:8,19) e mais tarde ainda, ele escreve sobre eles como “cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram a sua cabeça”, e indica que novamente em Roma os cultos da igreja eram realizados em sua casa (Rom. 16:3-5). Pelo seu heroísmo e fidelidade, diz o apóstolo, "não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos Gentios" (Ver. 4). Talvez poucos de nós tenham pensado na dívida de gratidão que temos para com Áquila e Priscila.

     Mas Apolo também revelou as suas superiores qualidades neste momento. É inspirador pensar no pregador poderoso e popular tão sinceramente disposto a aprender que ele se senta com humildade, não se julgando mais importante, aos pés de dois membros da sua audiência - um fazedor de tendas e a sua esposa. E isto não é tudo.

     É claro que agora Apolo podia voltar para a sinagoga, explicando que lhes havia pregado sem conhecimento pleno da verdade e alegando que agora conhecia o caminho do Senhor com mais perfeição, mas isso, sem dúvida, serviria apenas para despertar a desconfiança dos seus ouvintes, destruindo a sua utilidade entre eles. Evidentemente sentindo, portanto, que Áquila e Priscila poderiam melhor levar adiante o testemunho em Éfeso e desejando ministrar onde Paulo já havia estabelecido as verdades que ele havia aprendido recentemente, Apolo pensou em ir para Acaia, onde “os irmãos” escreveram as “cartas de recomendação”, evidentemente referidas em 2 Cor. 3:1. O resultado foi que, ao chegar a Corinto, ele “aproveitou [ou, ajudou] muito aos que pela graça criam” (Ver. 27). Não que ele imediatamente os conduzisse ainda mais para as verdades da graça, pois ele próprio recentemente começara a vê-las, mas encorajou os crentes “Porque com grande veemência convencia[1] publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo” (Ver. 28).

     E assim se desenrolou a série de circunstâncias: Paulo ajudou Áquila e Priscila em Corinto, eles ajudaram Apolo em Éfeso e este, por sua vez, ajudou os irmãos em Corinto, regando o que Paulo havia plantado (1Cor. 3:6).

     Como seria de se esperar, no entanto, alguns em Corinto começaram a preferir Apolo a Paulo. Ao contrário de Paulo, argumentavam eles, Apolo tinha vindo com “cartas de recomendação” (2 Coríntios 3:1).[2] Além disso, Apolo era um orador nato enquanto Paulo não, pois “as suas cartas”, diziam eles, “são graves e fortes, mas a presença do corpo [ou, física] é fraca, e a palavra [ou, discurso] desprezível [ou, sem importância]” (2 Coríntios 10:10). Assim, Apolo involuntariamente envolveu-se na divisão e rivalidade da igreja em Corinto. Uma parte gloriava-se dele e outra de Paulo Havia outros, mas Apolo estava principalmente envolvido, pois depois de mencionar quatro dessas divisões (1 Coríntios 1:12), Paulo lida principalmente com a sua própria ligação com Apolo e com o caso (1 Cor. 1:13; 3:4- 6).

     Mas nem Paulo nem Apolo aprovaram, muito menos fomentaram esse espírito partidário entre os Coríntios. De facto, é comovente testemunhar a humildade destes dois grandes homens e a sua mútua consideração um pelo outro.

     Ao escrever aos Coríntios sobre isso mais tarde, Paulo não pergunta: “Foi Apolo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Apolo?” Ele diminui-se bastante a si mesmo e pergunta: “Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?” (1 Coríntios 1:13). De facto, Paulo tinha tal confiança em Apolo que ele insistiu veementemente que ele voltasse a Corinto exatamente quando a rivalidade do partido era tão grande, e tal consideração Apolo tinha por Paulo que, apesar da insistência de Paulo, ele não quis ir. Nas palavras de Paulo: “E, acerca do irmão Apolo, roguei-lhe muito que fosse com os irmãos ter convosco, mas, na verdade, não teve vontade de ir agora...” (1 Coríntios 16:12).

     Evidentemente, a experiência aproximou esses dois grandes homens de Deus, pois em Tito 3:13 o apóstolo escreve muito solicitamente a respeito de Apolo em relação a uma jornada vindoura, a fim de se assegurar de que ele seria bem cuidado e nada lhe faltaria.

 ___________________________________

[1] Lit., arrasava com a argumentação.

[2] Esquecendo-se que eles mesmos eram a “carta de recomendação” de Paulo (Vers. 2,3).

 

 

Sermões e Estudos

Mark Swaim Peter Cerqueira 14ABR19
Santidade II

Sermão proferido por Mark Swaim em 14 de abril de 2019

Mark Swaim Peter Cerqueira
Santidade

Sermão proferido por Mark Swaim em 10 de abril de 2019

Bruno Santos 07ABR19
Importância da verdade & Achaste o Prego?

Sermões proferidos por Bruno Santos e Carlos Oliveira em 07 de abril de 2019

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 2:14 em 17 de abril de 2019

ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    356 2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário