Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXIII – Atos 18:23-28 (2)

Acts dispensationally considered

 

APOLO EM ÉFESO E CORINTO

     “E chegou a Éfeso um certo Judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, varão eloquente e poderoso nas Escrituras.

     “Este era instruído no caminho do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João.

      “Ele começou a falar ousadamente na sinagoga. Quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus.

     “Querendo ele passar à Acaia, o animaram os irmãos e escreveram aos discípulos que o recebessem; o qual, tendo chegado, aproveitou muito aos que pela graça criam.

     “Porque com grande veemência convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo”.

- Atos 18:24-28

     Durante a ausência de Paulo em Éfeso, apareceu em cena um homem com qualidades notáveis de liderança espiritual e alguém que desempenharia um papel importante na vida e no ministério do apóstolo.

     As Escrituras dizem-nos primeiro que ele era um Judeu de Alexandria. Este enquadramento já lhe dava uma vantagem espiritual sobre os outros. Os Judeus em Alexandria colocavam mais ênfase nas Escrituras do que nas “tradições dos pais”, como testemunham a sua biblioteca e escola de interpretação bíblica famosas no mundo, e especialmente pelo facto de a primeira tradução Grega das Escrituras do Antigo Testamento, a Septuaginta, ter sido ali produzida.

     Além disso, lemos que Apolo era “eloquente”[1] e “poderoso nas Escrituras” (Ver. 24). Além disso, ele tinha sido completamente “instruído [Lit., catequizado] no caminho do Senhor” (Ver. 25).

     “O caminho do Senhor”, nós entendemos, refere-se ao modo como Ele ensinou os Seus discípulos a viver em vista ao estabelecimento do Seu reino e do modo como eles viveram após a vinda do Espírito Santo (Atos 2:42- 47; 4:32-37). O próprio Paulo uma vez foi ao sumo sacerdote pedir cartas de autoridade para as sinagogas Damascenas que se ele encontrasse alguém “deste caminho” ele poderia levá-los presos para Jerusalém (Atos 9:2) e mais tarde ele testemunhou que havia perseguido “este caminho até à morte” (Atos 22:4).

     A eloquência de Apolo, então, vinha de um conhecimento profundo das Escrituras do Antigo Testamento e de uma compreensão completa do “caminho do Senhor”. Talvez o maior testemunho do facto de que ele era minuciosamente meticuloso nos seus estudos seja a afirmação do versículo 25, de que ele era “fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente [Lit., com precisão] as coisas do Senhor”.

     Que combinação! “Fervoroso de espírito” e “eloquente” - e com tanta sustentação: um conhecimento profundo das Escrituras do Antigo Testamento e do “caminho do Senhor” e o dom para a exatidão minuciosa, tanto no estudo como no ensino. Não há dúvida de que Apolo era um dos pregadores mais poderosos e populares da época; alguém que poderia dirigir grandes audiências em quase qualquer lugar.

     No entanto, somos informados de que ele conhecia “somente o batismo de João” (Ver. 25), ou seja, ele não sabia que o Espírito havia vindo (veja Atos 1:5) e, claro, não conhecia as maiores verdades reveladas por Paulo. Ele era como Lutero e Calvino, poderoso na verdade, na medida do seu conhecimento.

     Eis aqui uma lição importante para todo homem de Deus aprender. Na biblioteca do escritor constam obras de homens como Lutero, Calvino, Ellicott, Moule, Howson e Kitto; homens que não entendiam a grande verdade do mistério, mas que contudo eram meticulosos no seu estudo das Escrituras, tendo sido notavelmente usados por Deus. Qual era o segredo do poder deles? Era a sua paixão em conhecer a verdade e em torná-la conhecida. Estes homens, de Lutero em diante, estavam a emergir da idade das trevas - como nós ainda hoje - e não puderam ver muitas das grandes verdades que desde então se tornaram tão claras e preciosas para muitos de nós. Mas com uma sincera paixão pela verdade, estudaram a Palavra de Deus e transmitiram a outros a luz que receberam, muitas vezes com grande custo.

     Qualquer homem de Deus que siga o seu exemplo hoje também será poderosamente usado apesar das suas limitações. É quando a incredulidade entra e a luz é recusada ou quando, por medo ou favor, os homens não permanecem fiéis à luz que receberam, que o poder espiritual é perdido. É por isso que nestes dias, quando a grande verdade do “mistério” está a ser recuperada, muitos que a rejeitam estão perdendo o poder que outrora assistiu o seu ministério por Cristo. Que Deus os ajude a pagar o preço para encontrá-lo de novo!

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[1] A palavra logios também pode significar erudito, mas o contexto e as cartas de Paulo aos coríntios parecem favorecer eloquente.

 

 

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