Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXII – Atos 18:1-22 (10)

Acts dispensationally considered

 

PERSEGUIÇÃO BENÉFICA

     “Mas, sendo Gálio procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus concordemente contra Paulo e o levaram ao tribunal,

     “Dizendo: Este persuade os homens a servir a Deus contra a lei.

 

     “E, querendo Paulo abrir a boca, disse Gálio aos judeus: Se houvesse, ó judeus, algum agravo ou crime enorme, com razão vos sofreria;

     “Mas, se a questão é de palavras, e de nomes, e da lei que entre vós há, vede-o vós mesmos; porque eu não quero ser juiz dessas coisas!

     “E expulsou-os do tribunal.

     “Então, todos agarraram Sóstenes, principal da sinagoga, e o feriram diante do tribunal; porém, a Gálio nada destas coisas o incomodava.

-      Atos 18:12-17

O APÓSTOLO LEVADO A GÁLIO

     Apesar de o Senhor ter aparecido a Paulo para o encorajar e tranquilizar quanto ao seu ministério em Corinto, isso não significava que ele não experimentaria mais oposição. Significava, no entanto, que tal oposição resultaria no avanço da obra ali. Um exemplo disso é-nos dado no relato da aparição de Paulo diante de Gálio.

     Quando Gálio foi feito procônsul da Acaia,[1]os Judeus foram rápidos em aproveitar a mudança na administração para provocar um tumulto e levar Paulo a “tribunal”.

     Gálio era irmão de Séneca, o famoso estadista, filósofo e conselheiro de Nero durante os seus primeiros dias. Séneca escreveu sobre Gálio com muito carinho e descreveu-o como um personagem amável e gracioso, fácil de se conviver. Sem dúvida, os Judeus sabiam da sua reputação e esperavam que ele aceitasse a sua exigência de que Paulo fosse punido.

     A queixa deles era que Paulo procurava persuadir os homens a adorar a Deus “contra a lei”. Eles poderiam, é claro, ter-se referido à sua lei (cf. Ver. 15), pois a religião Hebraica era então protegida pelo governo Romano. Parece mais provável, no entanto, que eles quisessem dizer que Paulo estava a estabelecer uma religião sem licença - uma que não estava incluída entre aquelas que eram permitidas pela lei Romana. Quando consideramos as religiões perversas e degradantes permitidas pela lei Romana, exatamente aqui em Corinto, essa acusação contra Paulo era realmente uma acusação esfarrapada.

     Do que se segue, parece que Gálio deve ter questionado os queixosos sobre a sua acusação, verificando que se tratava de uma disputa entre Judeus. Assim, quando Paulo estava prestes a falar em sua própria defesa, Gálio interrompeu para explicar que o caso estava inteiramente fora da sua jurisdição. Se fosse uma questão de ofensa clara ou “crime enorme”, explicou, ele teria conduzido um julgamento, “Mas, se a questão é de palavras, e de nomes, e da lei que entre vós há, vede-o vós mesmos; porque eu não quero ser juiz dessas coisas!”

     Apesar de o governo Romano permitir e proteger quase todas as religiões, os seus magistrados eram instruídos a evitar controvérsias religiosas, se possível. Além disso, os judeus já haviam provocado muitos problemas e, consequentemente, tinham recentemente sido expulsos de Roma. Gálio agiu sagazmente, então, ao não permitir que Paulo falasse e ao recusar-se ouvir o caso. O que ele sabia sobre a sua lei ou as suas palavras e nomes eram ninharias.[2]

     Anote bem, Gálio não entregou Paulo nas suas mãos como Pilatos tinha feito com Cristo (Lucas 23:23, 24) porque, ao contrário de Pilatos, ele recusou-se a ouvir o caso e muito menos a sentenciar. Nem o seu “vede-o vós mesmos” implica permissão para eles julgarem Paulo civilmente, ou Paulo teria apelado para César como fez mais tarde, quando Festo sugeriu um julgamento em Jerusalém (Atos 25:9-12,20,21).

     Gálio rejeitoua queixa - com ênfase, pois ele“expulsou-os do tribunal”, sem dúvida ordenando que os lictores limpassem a sala.

     Para os Gregos, que já odiavam os Judeus, esta foi uma abertura para secundar o trabalho dos lictores e dar a Sóstenes, o principal da sinagoga[3](e, sem dúvida, o principal acusador de Paulo) uma valente tareia.[4]

     “E a Gálio nada destas coisas o incomodava.”O seu comportamento harmonizava-se com a descrição de Séneca da sua natureza tranquila. Ele teve o cuidado de não ouvir o caso de Paulo e não conseguiu impedir um surto de violência diante do próprio tribunal. No entanto, isso pode ter sido parcialmente intencional. Alguns supõem que um julgamento e um veredito por parte de Gálio a favor de Paulo o teriam ajudado mais. Na verdade, contudo, o comportamento de Gálio deve ter provado uma rejeição maior aos acusadores de Paulo, e dado a este e à igreja em Corinto uma posição melhor na comunidade do que de outra forma conseguiria.

     Em Filipos, a sagacidade de Paulo havia ajudado a ganhar reconhecimento à jovem igreja ali, colocando os seus opositores em lugar de culpa e na defensiva. Aqui a resposta de Gálio aos acusadores de Paulo tinha produzido o mesmo. O Senhor estava cumprindo a Sua promessa ao seu fiel apóstolo. “E Paulo, ficando ainda ali muitos dias”- um ano inteiro e seis meses.

     “Não muitos” Coríntios proeminentes foram alcançados durante a permanência de Paulo em Corinto (1 Cor. 1:26), mas um grande número de pessoas comuns voltaram-se para Cristo, e houve conversões tão extraordinárias como as de Crispo, o principal da sinagoga e provavelmente Sóstenes, seu sucessor; também Gaio e a casa de Estéfanas. Estes mais proeminentes viram posteriormente juntar-se a eles Erasto, o procurador, ou tesoureiro da cidade (Rom. 16:23). Assim, os mais elevados na escala da vida podem agradecer a Deus por 1 Coríntios. 1:26 dizer “não muitos”em vez de “nenhum”.

     Foi algum tempo antes da partida de Paulo de Corinto que ele escreveu outra epístola aos Tessalonicenses. Os seus problemas em relação à vinda do Senhor ainda não haviam sido resolvidos. Algumas pessoas desonestas tinham-se aproveitado da ausência de Paulo, evidentemente forjando uma carta, ou cartas, em seu nome (2 Tes. 2:2) perturbando-os e confundindo-os ainda mais, de modo que Paulo teve de frisar-lhes que era seu costume assinar as suas cartas pessoalmente (2 Tes. 3:17).

     Alguns agora pareciam seguros de que o profetizado “dia do Senhor”,[5]com seus terríveis juízos, estava próximo. Na verdade, alguns, evidentemente confundindo as suas perseguições com a “grande tribulação” vindoura, estavam abandonando o seu emprego diário “fazendo coisas vãs”, desonrando assim o seu Senhor. “O príncipe das potestades do ar” estava a atacar novamente. Paulo tem de escrever sem demora para combater a sua influência e fortalecer o pequeno grupo de crentes.

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[1]A Grécia, de maneira geral, às vezes era chamada Macedónia e, às vezes, Acaia, mas a Macedónia propriamente dita, era a província do norte da Grécia e a Acaia a do sul, cada uma governada por um procônsul.

[2]Pelo menos assim lhe parecia, embora a questão entre Paulo e os judeus fosse realmente se Jesus era o Cristo.

[3]Evidentemente o sucessor de Cristo (Ver. 8). Que Sóstenes também acabou por ser salvo parece provável do facto de Paulo mais tarde mencionar um Sóstenes como seu cooperador numa carta dirigida à igreja em Corinto (1 Cor. 1:1). Isso faria com que dois antigos perseguidores agora pregassem a Cristo!

[4]No tempo contínuo, a palavra tupto(feriram) significa uma série de golpes.

[5]É essa a correta tradução em 2:2.

 

 

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