Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXVIII - ACTOS 16:16-24 (Cont.)

Acts dispensationally considered

 

PAULO E SILAS ESPANCADOS E PRESOS

            Os senhores da pitonisa ficaram enfurecidos porque "a esperança dos seus proventos" haviam-se dissipado com o demónio.[1] Isto foi sempre assim. Os gadarenos pediram a nosso Senhor que os deixasse porque os demónios expulsos por Ele tinham destruído os seus porcos, que eles de qualquer modo não deveriam ter criado (Marcos 5:16,17). Demétrio começou uma grande revolta em Éfeso porque os lucros dos seus santuários de prata estavam ameaçados (Atos 19:24-41). E ainda hoje uma das principais causas de oposição à verdade é o "lucro sujo, imundo". Quantos ministros do Evangelho aceitariam, mesmo, a pura mensagem Paulina da graça se não lhes custasse financeiramente! Paulo teve que advertir Timóteo contra o desejo de ser rico (I Tim. 6:7-11). Pedro, pelo Espírito, prediz a vinda de "falsos mestres" que "por avareza" farão dos homens "negócio" (II Ped. 2:3).

             Se o Evangelho tivesse aumentado os rendimentos dos donos desta donzela, sem dúvida que eles o teriam aceite, porém agora, à luz da sua perda estava tudo errado, embora a escrava deles, usada de modo tão desprezível, tivesse sido por ele restaurada à sanidade e à dignidade. Assim eles "prenderam Paulo e Silas" (Timóteo e Lucas, evidentemente escaparam) e "os levaram [Literalmente, arrastaram-nos] à praça, à presença dos magistrados" (Ver. 19).

            Ao comparecerem perante os magistrados, estes homens acusaram Paulo e Silas de um crime muito diferente do que se poderia esperar, dizendo: "Estes homens, sendo Judeus, perturbaram a nossa cidade. E nos expõem costumes que nos não é lícito receber nem praticar, visto que somos Romanos" (Vers. 20,21). 

            A observação de que Paulo e Silas eram Judeus tinha a intenção de predispor os magistrados contra eles, uma vez que os Judeus, que já eram odiados, haviam sido expulsos de Roma por Cláudio César (18:2). Mas qual a razão desta súbita preocupação com a santidade da sua religião? Se a verdade tivesse sido contada, teria sido para crédito dos apóstolos, por isso, de repente, eles fingem ter zelo pela religião pública! Quão hipocritamente se podem tornar homens conscienciosos quando os seus crimes são detetados e expostos! Embora os Romanos se opusessem às inovações religiosas, eles eram tolerantes com as religiões existentes e, na verdade, declaravam-se protetores dos deuses das nações que haviam conquistado.

Porém, agora tudo isso significava pouco, pois um tumulto popular já estava em formação. Quando "a multidão se levantou unida contra eles", os magistrados, que deveriam Tê-los ouvido, rasgaram as suas vestes e ordenaram aos lictores que os espancassem "com varas". Depois de espancá-los com "muitos açoites", eles lançaram-nos “na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança", como se fossem criminosos perigosos. O carcereiro, "tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior e lhes segurou os pés no tronco" (Vers. 22-24).

            Este relato simples do incidente dá apenas um vislumbre do vergonhoso tratamento que Paulo e Silas tiveram de suportar. Para começar, o acontecimento foi todo ele incorreto. Os queixosos tinham feito uma acusação falsa e os magistrados os infamaram-nos e puniram-nos sem uma audiência ou mesmo um inquérito sobre se eram cidadãos Romanos. Aqueles que haviam professado enorme zelo pela lei Romana estavam agora a desconsiderá-la flagrantemente.

Esta foi, evidentemente, uma das três vezes em que Paulo foi "açoitado com varas" (II Coríntios 11:25). Os açoites entre os Judeus estavam limitados a 39 (Dt 25:3 cf. II Cor. 11:24), mas os "muitos açoites" aqui infligidos sobre os apóstolos desnudados pode muito bem ter excedido esse número, pois em II Cor. 11:23 Paulo se refere a "açoites sem medida" [ARA].

            Depois de terem sido "lançados" na prisão, eles foram atirados para “o cárcere interior”. Se a história secular estiver correta, estes cárceres interiores eram horríveis masmorras abaixo do solo, húmidas e com cheiro fedorento. Sabemos que este estava abaixo do nível do solo, pois lemos posteriormente que o carcereiro "saltou dentro" (Ver. 29). E aqui eles foram submetidos ainda a uma outra forma de tortura – o tronco,[2] ao qual os seus pés foram amarrados. Isso tornava difícil sentarem-se e praticamente forçava-os a provocar hematomas e sangramentos, deitados no chão húmido e repugnante.

            Mais tarde, Paulo lembrou aos Tessalonicenses como ele e Silas haviam “sido agravados [ou, maltratados e ultrajados, ARA] em Filipos" (1Tes. 2:2). Não é de admirar que ele dissesse: "Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me abrase?" (II Coríntios 11:29).

          Todavia Paulo e Silas eram ambos Romanos (Vers. 37,38). Porque é que eles não deram conhecimento disso aos magistrados logo no início? A única resposta parece ser que, ao permitir que os magistrados se colocassem do lado injusto, os apóstolos procuravam assegurar que os discípulos filipenses tivessem um melhor tratamento no futuro. Como aconteceu, Deus regeu graciosamente. Se os magistrados indagassem sobre sua cidadania e lhes tivessem feito um julgamento formal, eles poderiam ter sido condenados a uma prisão prolongada, sendo a sua obra assim impedida. Agora os magistrados tiveram que se colocar na defensiva!

          Sem dúvida que os heroicos companheiros de armas ficaram doentes e desfalecidos por um considerável período de tempo, talvez soluçando pela sua dor e humilhação, porém os que haviam subjugado o espírito de Piton foram, embora cruelmente torturados, sustentados pelo Espírito de Cristo, sendo ainda gloriosamente triunfantes!



[1] As palavras "saias" e "perdida" (Vers. 18,19) são a mesma no original.

[2] É interessante notar que a palavra para tronco (timber), também é usada para a cruz de Cristo (Ver 5:30; 10:39; Gál. 3:13; I Ped. 2:24).

 

 

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