Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXVIII - ACTOS 16:16-24

Acts dispensationally considered

 

TRATAMENTO VERGONHOSO EM FILIPOS

            “E aconteceu que indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, dava grande lucro aos seus senhores.

            “Esta seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo.

            “E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se, e disse ao espírito; Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu.

            “E vendo seus senhores que a esperança do seu lucro estava perdida, prenderam Paulo e Silas, e os levaram à praça, à presença dos magistrados.

           “E apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo Judeus, perturbaram a nossa cidade.

            “ E nos expõem costumes que nos não é lícito receber nem praticar, visto que somos Romanos.

            “E a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes os vestidos, mandaram acoitá-los com varas.

            “E havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão,

mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.

            “O qual tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou os pés no tronco.”

- Atos 16:16-24

 

A PITONISA

            Se o apóstolo continuou a ir com o seu grupo ao lugar de oração onde eles tinham começado o seu ministério em Filipos, ou se Lucas regista agora um incidente que teve o seu início naquela primeira reunião, talvez seja difícil de determinar. Em qualquer caso, foi quando os irmãos foram “ à oração”, ou antes, se dirigiram para o “lugar de oração”, que depararam com uma pobre rapariga escrava que se encontrava demoniacamente possuída.

            A frase “espírito de adivinhação” teria sido mais correctamente traduzida por: “espírito de Piton (Gr. Puthonos). Piton era o nome do deus Apolo no seu carácter oracular, e as suas sacerdotisas eram chamadas Pitonisas. O seu principal centro de adoração situava-se em Delfos, como sabemos, o oráculo mais famoso do mundo, e o último a ser desacreditado. Que mais do que a mera superstição se encontra aqui envolvido torna-se evidente no facto das Escrituras declararem claramente que esta donzela se encontrava possuída por um espírito de Piton e dava aos seus senhores grande lucro, “adivinhando” (ver. 16), não por meramente pretender adivinhar.

            Esta particular sacerdotisa Pitoníana encontrava-se sob controlo, não apenas de um demónio, como também de um grupo de homens que a usava com grandes pretextos económicos por se encontrar possessa. Evidentemente ela era uma escrava demasiadamente valiosa para um senhor desprezar dividendos mais que certos, uma vez que multidões de Gentios se juntavam, prontos a pagar um bom preço em troca de aconselhamento político, negócios, casamento, ou qualquer outro problema que os embaraçasse ou preocupasse.

            Esta sacerdotisa escrava de Apolo começava agora a apregoar que Paulo e o seu grupo eram “servos do Deus Altíssimo... que nos anunciam o caminho da salvação” (ver. 17). “E isto fez ela por muitos dias” (ver. 18). Certamente que o que ela dizia era verdade, mas a razão por que dizia era uma questão diferente. Talvez fosse para conseguir uma recompensa da parte deles pela publicidade que lhes fazia, ou para conseguir uma influência maior sobre os seus ouvintes por ter discernido e declarado a verdade, ou, talvez o mau espírito a levasse a apregoar isto para que não fosse expulso dela (cf. Luc. 4:33,34). Ainda existe uma outra explicação possível que pode muito bem ser a genuína, a saber, que este era o clamor sombrio de uma pessoa que se encontrava possessa e sabia e reconhecia n’Aquele que Paulo pregava, a única esperança de libertação. No entanto, em qualquer caso este conhecimento provinha de um mau espírito e o seu clamor contínuo impedia que a obra de Cristo fosse efectuada.

            Finalmente, o apóstolo, “perturbado”, ordenou ao espírito, no nome de Jesus Cristo, que saísse dela. Sem dúvida que haviam vários factores no caso, que desconcertavam o apóstolo. Primeiro, as implicações da declaração dela eram más. Será que ele estava associado aos deuses pagãos? Para dizer o mínimo, decerto que declarações provenientes de tal fonte eram questionáveis. Todo este sistema era satânico e tinha que ser desacreditado. Depois, o facto de todas as pessoas estarem a depositar a sua confiança nesta sacerdotisa de Apolo, os motivos base dos seus senhores e a pena que sentia pela própria donzela – tudo isto, certamente que contribuiu para levar o apóstolo a repreender o demónio e a ordenar a sua saída. O Senhor, recusou semelhantemente o testemunho de possessos, pois Ele não tinha nada a ver com Satanás (ver. Mar. 1:34).

            Dever-se-á notar aqui que apesar de lermos muito acerca de possessão demoníaca e de expulsão de demónios nos Evangelhos e nos Atos, não encontramos qualquer menção disso nas epístolas de Paulo; nem mesmo por implicação nas suas derradeiras epístolas. Parece que a possessão demoníaca, pelo menos na forma em que a encontramos nos Evangelhos e nos Atos, era característica daqueles dias, quando o reino de Satanás estava a ser desafiado pelo reino de Cristo (Ver. Mat. 12:24-29).

            Os que procuram “recuar a Pentecostes” em vez de “prosseguirem até à perfeição” com Paulo, algumas vezes fazem clamores de expulsão de demónios, porém falta-lhes a verdadeira evidência, como acontece noutros clamores de poder miraculoso.

            Um dos ensinadores Bíblicos mais populares da passada geração escreveu o seguinte sobre a mesma passagem que estamos a considerar:

            “Nós hoje encontramos os mesmos personagens. Mesmo no nosso país, com todo o seu desenvolvimento, existem milhares de pessoas que dificilmente se movem sem consultarem um vidente ou médium ...”

            Porém, quando fala do presente poder para expulsar demónios dirige-se para as terras pagãs:

            Nos dias modernos temos muitos exemplos de missionários que labutam em terras pagãs onde têm entrado em contacto com pessoas que parecem ser tão verdadeiramente possuídas por demónios como esta jovem mulher, e em muitas ocasiões este servos de Deus têm expulsado esses demónios, usando estas mesmas palavras”. E depois o autor continua a contar um dos casos que ouviu.[1]

            Mas se outros “servos de Deus” puderam fazer isto em terras pagãs, porque é que este servo de Deus não pôde fazê-lo “na nossa terra”, onde ele diz existir a mesma condição?

            Sob a “grande comissão” dada aos onze, havia sido conferido poder para “expulsar demónios”, como também para serem realizados outros milagres (Mar. 16:17,18), mas em harmonia com o desaparecimento dos outros poderes miraculosos sob o ministério de Paulo, o poder para a expulsão de demónios também se desvaneceu. Nunca ao crente nos nossos dias foi conferido tal poder.

            Na realidade, uma vez que o estabelecimento do reino terreno de Cristo foi suspenso, Satanás não se encontra presentemente ocupado em se lhe opor: Hoje ele percebe o que ocorreu no Calvário e ocupa-se em perverter a verdade respeitante aos efeitos de Cristo ali.

            Em Heb. 2:14 lemos que o Senhor participou da carne e do sangue: “para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”. Em Col. 2:15 lemos, a respeito de Cristo e da Sua morte:

            “E, despojando dos principados e potestades, OS EXPÔS PUBLICAMENTE E DELES TRIUNFOU EM SI MESMO”.

            Assim, nas epístolas de Paulo aprendemos que a cruz significa derrota para Satanás e aquisição de salvação e de todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais para os que creem. Esta é a bendita verdade que Satanás agora perverte e se opõe. Ele “cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo (Lit., as boas notícias da glória de Cristo) ...”(II Cor. 4:4). Ele “agora opera nos filhos da desobediência” (Efé. 2:2). Porém a sua oposição é subtil. Ele honra Cristo abertamente, encoraja a “espiritualidade” e um código elevado de moralidade. “Transfigurados em anjos de luz” os seus ministros também aparecem como “ministros de Justiça” (II Cor. 11:14,15). Assim o crente hoje é instruído a colocar toda a armadura de Deus, para poder estar capacitado “a estar firme contra as astutas ciladas do diabo”.

            Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efe. 6:12).

            Mas quando Paulo chegou a Filipos com a mensagem da graça, Deus ainda não havia encerrado o programa anterior, nem removido a sua oferta de estabelecimento do reino. Daí a manifestação particular de oposição satânica e a resposta à mesma que encontramos aqui.

          Como costumamos dizer, essas manifestações já passaram, mas quem as causou não. É ele quem cega a mente dos perdidos e quem luta com os salvos, para impedi-los de desfrutar da sua posição legítima nos lugares celestiais em Cristo. Não sejamos então “[ignorantes dos] seus ardis", falhando em reconhecer os seus esforços para nos destroçar, mas permaneçamos sempre prontos, revestidos de "toda a armadura de Deus" e fortalecidos "na força do Seu poder".

 

 

[1] Dr. H. A. Hironside, in Lectures on the Book of Acts, Pp. 373-375. (Prelecções Sobre o Livro dos Atos).

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